Arquivo da tag: vinhos

Vinhos âmbar no Copacabana Palace: um novo mundo a ser descoberto

Brancos, rosés e tintos. Na linhagem dos não especialistas, estas são as três divisões clássicas dos vinhos. Mas a medida que você vai estudando, viajando, e, é claro, bebendo, vai descobrindo novas “tonalidades” e, acima de tudo, sabores. É o caso dos vinhos âmbar ou, para tentar popularizar o sofisticado, vinhos laranja. Em linhas gerais, porque os detalhes técnicos eu deixo para o amigo Pedro “Talheres”, um branco produzido de forma semelhante a um tinto – ou seja, o suco da uva fica em contato com as cascas e é isso o que garante a cor diferenciada.

20160411_214313

A cor já chama atenção, mas o que impressiona são os aromas e sabores provenientes do armazenamento em alguns casos em ânforas de barro, forma tradicional de conservar vinhos na antiguidade. Tonéis de carvalho ou cimento também podem ser utilizados nestes vinhos que, em sua maioria, chegam da Itália.

20160411_203118

É o caso dos oito exemplares que serão disponibilizados em taça no bar do Cipriani, no Belmond Copacabana Palace, entre esta quinta (14) e sábado (16). Os rótulos foram selecionados por Ed Arruda, sommelier executivo da casa. As taças custam a partir de R$ 35 e podem ser acompanhadas por um delicioso menu de quatro etapas, entre elas o espetacular foie gras aí de baixo que coroa uma crocante fatia de brioche de cacau e uma geleia de cebola. Conforto a cada bocada.

20160411_205246

Aproveitem. Sério. É coisa de maluco! Até a próxima! Saúde!

Bar do Cipriani, das 19 às 00h. Valor: a partir de R$ 35 por taça / Menu degustação R$ 45. Reserva: 21 2548 7070. Endereço: Avenida Atlântica 1702.

Anúncios

Malbec Day: Casarão Ameno Resedá celebra a uva com muitos vinhos argentinos nesta quarta (16/4)

Atenção amantes do vinho. Nesta quarta-feira, dia 16 de abril, o Casarão Ameno Resedá vai receber o Malbec Day, dia internacional de comemoração da uva Malbec. Como não poderia deixar de ser, nas taças estarão uma grande variedade de malbecs argentinos, já que nossos hermanos são hoje os produtores de alguns dos vinhos mais festejados com essa casta.

As importadoras Casa Flora, Zahil, Decanter, Asa Gourmet, Devinum, Mistral, Interfood e Winebrands apresentam o evento, que vai das 16h às 20h. O convite sai por R$ 60, mas sócios da ABS (Associação Brasileira Sommeliers) e da Sbav (Sociedade Brasileira dos Amigos do Vinho) pagam R$ 40. Nos vemos lá! Saúde!

image

Casarão Ameno Resedá

Endereço: Rua Pedro Américo, 277 – Catete
Data: 16/04
Horário: das 16h às 20h
Para informações e convite: eventos@cieba.com.br
tel. 3178-0016 com Victoria

 

Degustação vertical do Marquês de Borba Reserva: uma verdadeira aula com o enólogo João Portugal Ramos

Não é sempre que temos o privilégio de conhecer uma figura importante no cenário dos vinhos portugueses. Melhor ainda quando podemos ainda trocar ideias, experiências, aprender mais a cada minuto e ainda degustar a linha reserva das suas criações. A convite da Casa Flora, estive na Churrascaria Fogo de Chão para a degustação vertical dos vinhos Marquês de Borba Reserva comandada por João Portugal Ramos, produtor e proprietário da vinícola que leva o seu nome.

20140331_140946

Antes de abrir os trabalhos, o simpático João lembrou suas origens e voltou ao início dos anos 90 quando produziu sua primeira garrafa a partir da plantação próprio no quintal de casa. Ali começou a consolidar o seu nome até se tornar a referência que é hoje, acumulando quatro prêmios de enólogo do ano por publicações diferentes.

20140331_142504

A degustação se deu do mais velho, o 1997, para o mais novo, o 2011. Entre eles 1999, 2003, 2005, 2007, 2008 e 2009. Para João, o último é considerado sua melhor colheita. Por ele recebeu o prêmio de melhor tinto do Alentejo da “Revista de Vinhos”. E de fato foi uma taça extremamente especial.

As castas não variam de ano para ano. Estão lá as clássicas uvas do Alentejo: Trincadeira, Aragonês e Alicante Bouschet. Além do trio, João inclui sempre a francesa Cabernet Sauvignon, utilizada por ele como “tempero” para equilibrar ainda mais os vinhos.

Suas safras não possuem padrão exato. A cada ano a porcentagem de cada casta muda em função do clima que acaba influenciando a colheita. Em alguns anos nem chegou a engarrafar por julgar que o alto nível não tinha se repetido.

20140331_161602

E essa questão extremamente autoral se reflete nas taças. Em alguns anos as frutas vermelhas aparecem mais fortes no nariz, em 2009 e 2011, por exemplo. Ambos extremamente elegantes com taninos redondos e equilibrados. Em outros, especialmente nos mais antigos, os aromas remetem a frutas mais maduras. O 1997, que veio em duas garrafas Magnum, ficou muito melhor após respirar.

20140331_173102

Ano que chamou atenção também foi 2008. João explicou que foi a menor concentração de Cabernet em suas criações. O vinho se tornou mais mineral e recebeu avaliações extremamente positivas em publicações especializadas. E no prato, belos cortes de carne como a costela que chega se desmanchando após horas assando como o nome da casa em uma apetitosa vitrine na porta.

20140331_173424

No fim, uma taça do Porto Duorum 2007 e a alegria por um belo almoço recheado de vinhos maravilhosos e de uma verdadeira aula. Mais informações sempre na página do Facebook, E no Instagram (@GastroEsporte)! Saúde e até a próxima!

Quinta de São José: vinhos especiais do Douro em uma tarde com o enólogo João Brito e Cunha

É sempre um prazer degustar um vinho com o enólogo e winemaker que produziu o conteúdo das garrafas. Nós podemos buscar identificar aromas e características que entram na nossa cabeça a cada gole, mas só o produtor tem a capacidade de explicar exatamente o que ele pretendia com aquele corte, com o processo de envelhecimento e te guiar pelos caminhos de cada taça. Tive este privilégio ao conhecer o português João Brito e Cunha e seus vinhos, da vinícola Quinta de São José, no Douro. Fizemos uma degustação de praticamente toda a sua linha na Cavist, em Ipanema, acompanhado de um belo almoço.

20140320_131743

Com o refrescante branco Ázeo na taça, João, que veio ao Brasil a convite da importadora WineMundi, representante dos seus vinhos por aqui, contou um pouco da história do Douro e em particular de sua vinícola. Com uma produção pequena, procura dar uma identidade a cada vinho. Além disso, o espaço de dez hectares conta também com uma pousada para estimular o enoturismo na região.

20140320_132657

Mas voltemos à taça. O Ázeo foi uma revelação para mim, já que não conhecia as castas Viusinho e Rabigato. No primeiro gole o vinho se mostrou agressivo. Mas bastaram cinco minutos para o frescor tomar conta e os aromas frutados tomarem conta. Harmonizou perfeitamente com um carpaccio de Hadoque defumado com raspas de limão siciliano.

20140320_134020 20140320_133825

A brincadeira seguir em frente com o Quinta de São José tinto. Feito com as uvas clássicas da região, Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz, é um bom vinho de entrada. Foi harmonizado com bacalhau envolto por um crisp de parmesão, receita que, por sinal, já mostrei como se faz aqui.

20140320_135452

O terceiro ganhou a mesa. O Quinta de São José Reserva 2010 é um belo vinho. Feito com Touriga Nacional de vinhas velhas da quinta, passa por barricas de carvalho francês por um ano e ganha bastante complexidade. Bem frutado, mas com taninos equilibrados. No prato, duo de cordeiro com manteiga de ervas e legumes salteados. Estivesse o cordeiro um pouco mais mal passado o prato seria perfeito. Mas o casamento com o vinho foi realmente espetacular.

20140320_141952 20140320_142454

Com esta mesma pedida, provamos ainda o Grande Reserva da Quinta de São José, que veio em garrafa Magnum do ano de 2011. A opinião na mesa foi praticamente a mesma. É, de fato, um vinho especial feito com as vinhas mais velhas das castas Touriga Nacional e Touriga Franca e fermentados em lagares após serem pisadas como antigamente. Se tivéssemos bebido esta safra daqui a três anos pelo menos a experiência seria ainda mais especial. Afinal de contas, estamos diante de um vinho que tem potencial de guarda. Mas na taça estivemos diante de um vinho complexo, com mineralidade no ponto certo, novamente frutas no nariz e equilíbrio ideal. 

20140320_144125

No fim, o São José Vintage Port com banana caramelada, doce de leite, sorvete de canela e farofa de paçoca. Fim de uma tarde especial, de muito conhecimento, boa conversa e, como sempre, boa comida!

20140320_145708

Mais informações sempre na página do Facebook, E no Instagram (@GastroEsporte)! Até a próxima!

Jantar de fim de ano da Confraria Velusué: inspiração para a semana após muita comida e belos vinhos!

Poucas coisas são mais divertidas do que quando um grupo de pessoas amigas se reúne para beber e comer bem. É garantia de bons momentos e muitas risadas. Este é o princípio que rege a Velusué, confraria de vinhos para a qual fui convidado pela minha sogra Marcia. Os encontros, este foi meu terceiro e os outros dois vocês relembram aqui e aqui, são sempre extremamente divertidos e acima de tudo saborosos.

Este ano, pela primeira vez, o presidente e chef Beto abriu sua cozinha para demais membros. E mesmo sendo um calouro tive a honra de passar a tarde por lá, acompanhar a finalização de muitos amuses e pratos e dar minha contribuição com os cogumelos do Que Marravilha!. Foi uma tarde especial.

Neste post não teremos receitas. É para servir apenas de inspiração. Daqui podem sair ideias de apresentação e também de pratos. Alguns aprendi e futuramente com certeza colocarei no blog. A mesa de antipasto, por exemplo tinha um belo hummus caseiro, babaganuche, punheta de bacalhau, tomates secos que foram hidratados em casa com azeite aromatizado, rolinhos de berinjela com ricota temperada…

20131214_214928 20131214_212034

Este mereceu um close e será reproduzido aqui em casa, e consequentemente no blog, ainda este ano. Alhos confitados em azeite com alecrim, tomilho e pimenta rosa. Espetacular.

20131214_212116

O primero amuse da noite foi um gazpacho com manjericão macerado em azeite e mussarela de búfala. Outra que estará aqui no blog em breve.

IMG-20131216-WA0003

Em seguida creme de baroa feito com a água do camarão coroado pelo próprio camarão salteado com alho, pimenta rosa e coentro.

20131214_221022

O auge da noite, na minha opinião, foi a polentinha. Cremosa e saborosa em função do caldo de legumes caseiro, foi servida com uma gema crua de codorna e trufas negras. Absurdo.

20131214_223536

Outro ponto alto foi o chorizo português picante rapidamente salteado em frigideira com mel de figo, iguaria que não conhecia. Maravilhoso e um show de contrastes.

20131214_225248

Os principais foram três. O frango recheado com damasco e envolto em bacon ou presunto de parma veio com uma redução de mel, shoyu e suco de laranja.

20131214_230502

O bacalhau de forno vinha com cenouras, batatas e coroado por ovos batidos, parmesão e bastante azeite.

20131215_001739

Já os meus cogumelos foram servidos ao lado de escalopes de mignon com Aceto Balsâmico envelhecido.

IMG-20131216-WA0004

Nos vinhos, a foto mostra que a festa foi boa. Entre os espumantes destaque absoluto para o Salton Gerações Antônio Domenico Salton. Uma beleza de cor intensa e aromas bem interessantes. Nos tintos, fomos do Uruguai até a Austrália. Mas o destaque foram dois franceses. Um da região de Bordeaux, o Le Colombier de Brown. O outro foi o Le Château Musset Chevalier, um Saint Emilion Grand Cru. Espetacular.

20131215_022259

Espero ter inspirado os amigos e amigas leitores assim como fui pelo Chef Beto e seus confrades. Como disse, algumas das receitas em breve postarei aqui completinhas. Aqui a ideia foi só deixá-los com certa inveja. Uma boa semana a todos. Saúde!

Mais informações sempre na página do Facebook, E no Instagram (@GastroEsporte)!

Começou o Restaurant Week! Uma boa noite no Zot Gastrobar, que derrapou apenas na sobremesa.

Foi dada a largada para mais uma edição do Restaurant Week em 2013 – termina no dia 3 de novembro. Para quem não conhece ou não se lembra, várias casas espalhadas pelo Rio de Janeiro desenvolveram menus com entrada, prato e sobremesa por um preço fixo: R$ 34,90 no almoço e R4 47,90 no jantar. O site do evento, que infelizmente está constantemente fora do ar, conta com a lista completa de restaurantes. Alguns são figurinhas repetidas e outros figuram por lá pela primeira vez. E na última sexta comecei a brincadeira conhecendo um lugar que há tempos queria ir: o Zot Gastrobar. E foi uma boa experiência.

A decoração é bonita e o salão pequeno é aconchegante. Os quadros negros com promoções especiais na carta de vinho e pratos que mudam ao longo da semana dão um toque bacana. Mas fomos lá jantar pelo Restaurant Week. Então, como quase sempre fazemos, pedimos uma de cada das duas opções.

20131018_213930

Vamos às entradas. Mousse de tomate seco com pesto de coentro abriu a noite. Estava gostoso, mas eu colocaria um pouco mais do gostoso pesto. Uma única crítica foi a textura. Poderia estar um pouco mais firme, mas em termos de sabor foi um bom começo.

20131018_222001_LLS

A salada de penne com carne desfiada e legumes também veio saborosa. Mas novamente dois pitacos. Os legumes, que estavam crus e cortados em cubos precisos que davam textura ao prato, poderiam ter vindo em maior quantidade. O mesmo digo do molho que unia o prato. O sabor, como disse, muito bom. Mas estes pequenos detalhes deixariam a entrada ainda melhor.

20131018_222016_LLS

Um gole do saboroso Malbec francês Purple (R$ 89), sugerido pelo atencioso staff, antes de chegar o belo prato principal. Fui de costelinha de porco com barbecue de goiaba acompanhado de polenta branca e ervilhas tortas. Uma maravilha. A costela veio macia e o barbecue surpreendeu. Mas a polenta e as ervilhas estavam impecáveis. O contraste de texturas foi fundamental com o macio do creme e o crocante do legume.

20131018_224003_LLS

Luna foi de risotto de lulas com tomatinhos e limão siciliano. Ponto correto, escorrendo pelo prato. Colocaria um tantinho a mais de sal, mas nada que causasse dor de cabeça. Um risotto muito bem feito.

20131018_224012_LLS

As sobremesas acabaram sendo o único ponto de fato negativo da noite. Vamos por partes. A primeira, para mim, foi um equívoco: Piña Colada com raspas de chocolate branco. Quando li imaginei que fosse uma versão diferente do drink. Mas não, é literalmente uma piña colada. Não vejo lógica em tomar um copo de um drink após um jantar e uma garrafa de vinho. Estava gostosa? Sim. Mas para iniciar a noite e não terminar.

20131018_234210_LLS

A segunda também foi um erro, mas que no fim das contas deu certo. No cardápio era mousse de manga com calda de frutas vermelhas e farofinha de biscoito. No entanto, recebemos apenas os dois últimos dos três componentes. Sem que ninguém nos avisasse, o que é bem errado, a mousse de manga foi substituída pelo creme de chocolate branco com alecrim que é servido como sobremesa no almoço. Apesar do equívoco, o creme, pelo menos estava bem gostoso e acredito que possa até ser melhor do que a mousse de manga. Só gostaria de ter sido comunicado da mudança.

20131018_234141_LLS

Apesar do detalhe da sobremesa, a noite foi muito agradável e pretendo sim voltar para provar o cardápio regular do Zot. Pelo que vi, as opções são bem interessantes. E vamos em frente já que o Restaurant Week está só começando! Até!

Dúvidas ou considerações é só deixar no comentário ou mandar via Twitter ou Instagram (@GastroEsporte), ou melhor ainda, vai lá na página do Facebook e escreve por lá.

Zot Gastrobar

– Rua Bolivar 21, Copacabana, Rio de Janeiro – RJ – (21) 3489-4363
Terça a quinta, das 18h à meia-noite. Sexta a domingo, das 18h à 1h