Arquivo da tag: vinhos

Vinhos âmbar no Copacabana Palace: um novo mundo a ser descoberto

Brancos, rosés e tintos. Na linhagem dos não especialistas, estas são as três divisões clássicas dos vinhos. Mas a medida que você vai estudando, viajando, e, é claro, bebendo, vai descobrindo novas “tonalidades” e, acima de tudo, sabores. É o caso dos vinhos âmbar ou, para tentar popularizar o sofisticado, vinhos laranja. Em linhas gerais, porque os detalhes técnicos eu deixo para o amigo Pedro “Talheres”, um branco produzido de forma semelhante a um tinto – ou seja, o suco da uva fica em contato com as cascas e é isso o que garante a cor diferenciada.

20160411_214313

A cor já chama atenção, mas o que impressiona são os aromas e sabores provenientes do armazenamento em alguns casos em ânforas de barro, forma tradicional de conservar vinhos na antiguidade. Tonéis de carvalho ou cimento também podem ser utilizados nestes vinhos que, em sua maioria, chegam da Itália.

20160411_203118

É o caso dos oito exemplares que serão disponibilizados em taça no bar do Cipriani, no Belmond Copacabana Palace, entre esta quinta (14) e sábado (16). Os rótulos foram selecionados por Ed Arruda, sommelier executivo da casa. As taças custam a partir de R$ 35 e podem ser acompanhadas por um delicioso menu de quatro etapas, entre elas o espetacular foie gras aí de baixo que coroa uma crocante fatia de brioche de cacau e uma geleia de cebola. Conforto a cada bocada.

20160411_205246

Aproveitem. Sério. É coisa de maluco! Até a próxima! Saúde!

Bar do Cipriani, das 19 às 00h. Valor: a partir de R$ 35 por taça / Menu degustação R$ 45. Reserva: 21 2548 7070. Endereço: Avenida Atlântica 1702.

Malbec Day: Casarão Ameno Resedá celebra a uva com muitos vinhos argentinos nesta quarta (16/4)

Atenção amantes do vinho. Nesta quarta-feira, dia 16 de abril, o Casarão Ameno Resedá vai receber o Malbec Day, dia internacional de comemoração da uva Malbec. Como não poderia deixar de ser, nas taças estarão uma grande variedade de malbecs argentinos, já que nossos hermanos são hoje os produtores de alguns dos vinhos mais festejados com essa casta.

As importadoras Casa Flora, Zahil, Decanter, Asa Gourmet, Devinum, Mistral, Interfood e Winebrands apresentam o evento, que vai das 16h às 20h. O convite sai por R$ 60, mas sócios da ABS (Associação Brasileira Sommeliers) e da Sbav (Sociedade Brasileira dos Amigos do Vinho) pagam R$ 40. Nos vemos lá! Saúde!

image

Casarão Ameno Resedá

Endereço: Rua Pedro Américo, 277 – Catete
Data: 16/04
Horário: das 16h às 20h
Para informações e convite: eventos@cieba.com.br
tel. 3178-0016 com Victoria

 

Degustação vertical do Marquês de Borba Reserva: uma verdadeira aula com o enólogo João Portugal Ramos

Não é sempre que temos o privilégio de conhecer uma figura importante no cenário dos vinhos portugueses. Melhor ainda quando podemos ainda trocar ideias, experiências, aprender mais a cada minuto e ainda degustar a linha reserva das suas criações. A convite da Casa Flora, estive na Churrascaria Fogo de Chão para a degustação vertical dos vinhos Marquês de Borba Reserva comandada por João Portugal Ramos, produtor e proprietário da vinícola que leva o seu nome.

20140331_140946

Antes de abrir os trabalhos, o simpático João lembrou suas origens e voltou ao início dos anos 90 quando produziu sua primeira garrafa a partir da plantação próprio no quintal de casa. Ali começou a consolidar o seu nome até se tornar a referência que é hoje, acumulando quatro prêmios de enólogo do ano por publicações diferentes.

20140331_142504

A degustação se deu do mais velho, o 1997, para o mais novo, o 2011. Entre eles 1999, 2003, 2005, 2007, 2008 e 2009. Para João, o último é considerado sua melhor colheita. Por ele recebeu o prêmio de melhor tinto do Alentejo da “Revista de Vinhos”. E de fato foi uma taça extremamente especial.

As castas não variam de ano para ano. Estão lá as clássicas uvas do Alentejo: Trincadeira, Aragonês e Alicante Bouschet. Além do trio, João inclui sempre a francesa Cabernet Sauvignon, utilizada por ele como “tempero” para equilibrar ainda mais os vinhos.

Suas safras não possuem padrão exato. A cada ano a porcentagem de cada casta muda em função do clima que acaba influenciando a colheita. Em alguns anos nem chegou a engarrafar por julgar que o alto nível não tinha se repetido.

20140331_161602

E essa questão extremamente autoral se reflete nas taças. Em alguns anos as frutas vermelhas aparecem mais fortes no nariz, em 2009 e 2011, por exemplo. Ambos extremamente elegantes com taninos redondos e equilibrados. Em outros, especialmente nos mais antigos, os aromas remetem a frutas mais maduras. O 1997, que veio em duas garrafas Magnum, ficou muito melhor após respirar.

20140331_173102

Ano que chamou atenção também foi 2008. João explicou que foi a menor concentração de Cabernet em suas criações. O vinho se tornou mais mineral e recebeu avaliações extremamente positivas em publicações especializadas. E no prato, belos cortes de carne como a costela que chega se desmanchando após horas assando como o nome da casa em uma apetitosa vitrine na porta.

20140331_173424

No fim, uma taça do Porto Duorum 2007 e a alegria por um belo almoço recheado de vinhos maravilhosos e de uma verdadeira aula. Mais informações sempre na página do Facebook, E no Instagram (@GastroEsporte)! Saúde e até a próxima!

Quinta de São José: vinhos especiais do Douro em uma tarde com o enólogo João Brito e Cunha

É sempre um prazer degustar um vinho com o enólogo e winemaker que produziu o conteúdo das garrafas. Nós podemos buscar identificar aromas e características que entram na nossa cabeça a cada gole, mas só o produtor tem a capacidade de explicar exatamente o que ele pretendia com aquele corte, com o processo de envelhecimento e te guiar pelos caminhos de cada taça. Tive este privilégio ao conhecer o português João Brito e Cunha e seus vinhos, da vinícola Quinta de São José, no Douro. Fizemos uma degustação de praticamente toda a sua linha na Cavist, em Ipanema, acompanhado de um belo almoço.

20140320_131743

Com o refrescante branco Ázeo na taça, João, que veio ao Brasil a convite da importadora WineMundi, representante dos seus vinhos por aqui, contou um pouco da história do Douro e em particular de sua vinícola. Com uma produção pequena, procura dar uma identidade a cada vinho. Além disso, o espaço de dez hectares conta também com uma pousada para estimular o enoturismo na região.

20140320_132657

Mas voltemos à taça. O Ázeo foi uma revelação para mim, já que não conhecia as castas Viusinho e Rabigato. No primeiro gole o vinho se mostrou agressivo. Mas bastaram cinco minutos para o frescor tomar conta e os aromas frutados tomarem conta. Harmonizou perfeitamente com um carpaccio de Hadoque defumado com raspas de limão siciliano.

20140320_134020 20140320_133825

A brincadeira seguir em frente com o Quinta de São José tinto. Feito com as uvas clássicas da região, Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz, é um bom vinho de entrada. Foi harmonizado com bacalhau envolto por um crisp de parmesão, receita que, por sinal, já mostrei como se faz aqui.

20140320_135452

O terceiro ganhou a mesa. O Quinta de São José Reserva 2010 é um belo vinho. Feito com Touriga Nacional de vinhas velhas da quinta, passa por barricas de carvalho francês por um ano e ganha bastante complexidade. Bem frutado, mas com taninos equilibrados. No prato, duo de cordeiro com manteiga de ervas e legumes salteados. Estivesse o cordeiro um pouco mais mal passado o prato seria perfeito. Mas o casamento com o vinho foi realmente espetacular.

20140320_141952 20140320_142454

Com esta mesma pedida, provamos ainda o Grande Reserva da Quinta de São José, que veio em garrafa Magnum do ano de 2011. A opinião na mesa foi praticamente a mesma. É, de fato, um vinho especial feito com as vinhas mais velhas das castas Touriga Nacional e Touriga Franca e fermentados em lagares após serem pisadas como antigamente. Se tivéssemos bebido esta safra daqui a três anos pelo menos a experiência seria ainda mais especial. Afinal de contas, estamos diante de um vinho que tem potencial de guarda. Mas na taça estivemos diante de um vinho complexo, com mineralidade no ponto certo, novamente frutas no nariz e equilíbrio ideal. 

20140320_144125

No fim, o São José Vintage Port com banana caramelada, doce de leite, sorvete de canela e farofa de paçoca. Fim de uma tarde especial, de muito conhecimento, boa conversa e, como sempre, boa comida!

20140320_145708

Mais informações sempre na página do Facebook, E no Instagram (@GastroEsporte)! Até a próxima!

Jantar de fim de ano da Confraria Velusué: inspiração para a semana após muita comida e belos vinhos!

Poucas coisas são mais divertidas do que quando um grupo de pessoas amigas se reúne para beber e comer bem. É garantia de bons momentos e muitas risadas. Este é o princípio que rege a Velusué, confraria de vinhos para a qual fui convidado pela minha sogra Marcia. Os encontros, este foi meu terceiro e os outros dois vocês relembram aqui e aqui, são sempre extremamente divertidos e acima de tudo saborosos.

Este ano, pela primeira vez, o presidente e chef Beto abriu sua cozinha para demais membros. E mesmo sendo um calouro tive a honra de passar a tarde por lá, acompanhar a finalização de muitos amuses e pratos e dar minha contribuição com os cogumelos do Que Marravilha!. Foi uma tarde especial.

Neste post não teremos receitas. É para servir apenas de inspiração. Daqui podem sair ideias de apresentação e também de pratos. Alguns aprendi e futuramente com certeza colocarei no blog. A mesa de antipasto, por exemplo tinha um belo hummus caseiro, babaganuche, punheta de bacalhau, tomates secos que foram hidratados em casa com azeite aromatizado, rolinhos de berinjela com ricota temperada…

20131214_214928 20131214_212034

Este mereceu um close e será reproduzido aqui em casa, e consequentemente no blog, ainda este ano. Alhos confitados em azeite com alecrim, tomilho e pimenta rosa. Espetacular.

20131214_212116

O primero amuse da noite foi um gazpacho com manjericão macerado em azeite e mussarela de búfala. Outra que estará aqui no blog em breve.

IMG-20131216-WA0003

Em seguida creme de baroa feito com a água do camarão coroado pelo próprio camarão salteado com alho, pimenta rosa e coentro.

20131214_221022

O auge da noite, na minha opinião, foi a polentinha. Cremosa e saborosa em função do caldo de legumes caseiro, foi servida com uma gema crua de codorna e trufas negras. Absurdo.

20131214_223536

Outro ponto alto foi o chorizo português picante rapidamente salteado em frigideira com mel de figo, iguaria que não conhecia. Maravilhoso e um show de contrastes.

20131214_225248

Os principais foram três. O frango recheado com damasco e envolto em bacon ou presunto de parma veio com uma redução de mel, shoyu e suco de laranja.

20131214_230502

O bacalhau de forno vinha com cenouras, batatas e coroado por ovos batidos, parmesão e bastante azeite.

20131215_001739

Já os meus cogumelos foram servidos ao lado de escalopes de mignon com Aceto Balsâmico envelhecido.

IMG-20131216-WA0004

Nos vinhos, a foto mostra que a festa foi boa. Entre os espumantes destaque absoluto para o Salton Gerações Antônio Domenico Salton. Uma beleza de cor intensa e aromas bem interessantes. Nos tintos, fomos do Uruguai até a Austrália. Mas o destaque foram dois franceses. Um da região de Bordeaux, o Le Colombier de Brown. O outro foi o Le Château Musset Chevalier, um Saint Emilion Grand Cru. Espetacular.

20131215_022259

Espero ter inspirado os amigos e amigas leitores assim como fui pelo Chef Beto e seus confrades. Como disse, algumas das receitas em breve postarei aqui completinhas. Aqui a ideia foi só deixá-los com certa inveja. Uma boa semana a todos. Saúde!

Mais informações sempre na página do Facebook, E no Instagram (@GastroEsporte)!

Começou o Restaurant Week! Uma boa noite no Zot Gastrobar, que derrapou apenas na sobremesa.

Foi dada a largada para mais uma edição do Restaurant Week em 2013 – termina no dia 3 de novembro. Para quem não conhece ou não se lembra, várias casas espalhadas pelo Rio de Janeiro desenvolveram menus com entrada, prato e sobremesa por um preço fixo: R$ 34,90 no almoço e R4 47,90 no jantar. O site do evento, que infelizmente está constantemente fora do ar, conta com a lista completa de restaurantes. Alguns são figurinhas repetidas e outros figuram por lá pela primeira vez. E na última sexta comecei a brincadeira conhecendo um lugar que há tempos queria ir: o Zot Gastrobar. E foi uma boa experiência.

A decoração é bonita e o salão pequeno é aconchegante. Os quadros negros com promoções especiais na carta de vinho e pratos que mudam ao longo da semana dão um toque bacana. Mas fomos lá jantar pelo Restaurant Week. Então, como quase sempre fazemos, pedimos uma de cada das duas opções.

20131018_213930

Vamos às entradas. Mousse de tomate seco com pesto de coentro abriu a noite. Estava gostoso, mas eu colocaria um pouco mais do gostoso pesto. Uma única crítica foi a textura. Poderia estar um pouco mais firme, mas em termos de sabor foi um bom começo.

20131018_222001_LLS

A salada de penne com carne desfiada e legumes também veio saborosa. Mas novamente dois pitacos. Os legumes, que estavam crus e cortados em cubos precisos que davam textura ao prato, poderiam ter vindo em maior quantidade. O mesmo digo do molho que unia o prato. O sabor, como disse, muito bom. Mas estes pequenos detalhes deixariam a entrada ainda melhor.

20131018_222016_LLS

Um gole do saboroso Malbec francês Purple (R$ 89), sugerido pelo atencioso staff, antes de chegar o belo prato principal. Fui de costelinha de porco com barbecue de goiaba acompanhado de polenta branca e ervilhas tortas. Uma maravilha. A costela veio macia e o barbecue surpreendeu. Mas a polenta e as ervilhas estavam impecáveis. O contraste de texturas foi fundamental com o macio do creme e o crocante do legume.

20131018_224003_LLS

Luna foi de risotto de lulas com tomatinhos e limão siciliano. Ponto correto, escorrendo pelo prato. Colocaria um tantinho a mais de sal, mas nada que causasse dor de cabeça. Um risotto muito bem feito.

20131018_224012_LLS

As sobremesas acabaram sendo o único ponto de fato negativo da noite. Vamos por partes. A primeira, para mim, foi um equívoco: Piña Colada com raspas de chocolate branco. Quando li imaginei que fosse uma versão diferente do drink. Mas não, é literalmente uma piña colada. Não vejo lógica em tomar um copo de um drink após um jantar e uma garrafa de vinho. Estava gostosa? Sim. Mas para iniciar a noite e não terminar.

20131018_234210_LLS

A segunda também foi um erro, mas que no fim das contas deu certo. No cardápio era mousse de manga com calda de frutas vermelhas e farofinha de biscoito. No entanto, recebemos apenas os dois últimos dos três componentes. Sem que ninguém nos avisasse, o que é bem errado, a mousse de manga foi substituída pelo creme de chocolate branco com alecrim que é servido como sobremesa no almoço. Apesar do equívoco, o creme, pelo menos estava bem gostoso e acredito que possa até ser melhor do que a mousse de manga. Só gostaria de ter sido comunicado da mudança.

20131018_234141_LLS

Apesar do detalhe da sobremesa, a noite foi muito agradável e pretendo sim voltar para provar o cardápio regular do Zot. Pelo que vi, as opções são bem interessantes. E vamos em frente já que o Restaurant Week está só começando! Até!

Dúvidas ou considerações é só deixar no comentário ou mandar via Twitter ou Instagram (@GastroEsporte), ou melhor ainda, vai lá na página do Facebook e escreve por lá.

Zot Gastrobar

– Rua Bolivar 21, Copacabana, Rio de Janeiro – RJ – (21) 3489-4363
Terça a quinta, das 18h à meia-noite. Sexta a domingo, das 18h à 1h

Gonzalo: na casa Uruguaia, após um bom início as carnes acabaram derrapando.

Já estava empolgado para conhecer o Gonzalo. Fiquei ainda mais instigado após participar da aula do Rio Gastronomia, onde o chef Gabriel Mangini falou sobre os cortes uruguaios utilizados e também no conceito da casa, que em nada lembra o que estamos acostumados a ver por aqui. A ambientação, estilo de cozinha, acompanhamentos e a própria parrilla é toda baseada no estilo do Uruguai, o que diferencia o restaurante trazendo muita personalidade. Mas infelizmente foi no principal ponto da casa a maior derrapada da noite de comemoração do aniversário da Dona Cavalierona.

20130822_205010 20130822_205028

O couvert, por exemplo, estava simples e eficiente. Pães quetinhos, manteiga temperada, um bom azeite uruguaio… Na taça um Tannat-Tempranillo da vinícola Bouza (R$ 90). Fomos então para as entradas. Da parrilla lindíssima e alimentada por toras de madeira como visto acima, saiu um Chorizo (R$ 29) que estava espetacular. Para os que possuem mais estômago, Mollejas (R$ 19), ou timo ou então a glândula do boi. Prato difícil de encarar, mas que vale a pena.

20130822_211859 20130822_213132

Pedimos ainda Empanadas de carne e de queijo (R$ 14 a porção com duas independentemente do sabor). A primeira estava correta, com recheio bem molhadinho e tempero no ponto certo. Mas a segunda, apesar de básica, estava especial. O detalhe é que diferentemente do que estamos acostumados, no Uruguai a empanada é frita.

Após um início promissor e com muita comida, fomos escolher os cortes de carne. Foram três: Picanha, Bife Ancho e Assado de Tira (R$ 81, R$ 69 e R$ 70 respectivamente). Estávamos em cinco e a ideia era todos provarem de tudo já que a fome não era tanta após as entradas. E logo veio o primeiro equívoco. Os cortes chegaram na mesa já fatiados. Ou seja, mal vimos a nossa carne inteira. Parecia um rodízio. Segundo equívoco foi em relação ao ponto da carne. Sou famoso lá em casa por comer ela extremamente mal passada. Mas até eu fiquei incomodado a ponto de mandar voltar a carne que consequentemente perdeu seus sucos após vir cortado de maneira precoce. Realmente uma pena.

Mas o principal ponto foi a maciez. Sei que a Picanha tem em sua extremidade mais alta a parte mais firme. Sei também que o Assado de Tira prioriza o sabor e tem uma textura bem distante do filé mignon por exemplo. Mas estas duas em especial não cumpriram nem de longe o que esperávamos. O Bife Ancho foi a luz no fim do túnel.

20130822_220800 20130822_220901

Os cortes chegam acompanhados por guarnições da casa que são repostas constantemente. E estas sim estavam muito boas: purê de cenoura com toque de cominho, alhos assados, feijão branco e cebola caramelizada. Pedimos ainda batatas fritas de verdade (R$ 17) e pimentões assados na parrilla (R$ 9).

A sobremesa foi um gesto extremamente simpático da casa com a aniversariante: um pão de mel coberto por chocolate em forma de bigode homenageando o próprio “Gonzalo”.

20130822_224159

Realmente lamento que a experiência não tenha sido a ideal como julguei que fosse em razão da expectativa. Mas as portas seguem abertas para mim no Gonzalo. Como disse, a atmosfera da casa é bacana e diferente. E acho que pode não ter sido o meu dia. Se vocês já conhecem e discordam cliquem lá na página do Facebook e me mandem a opinião! Até a próxima!

Gonzalo
– Avenida Bartolomeu Mitre – 450, loja C, Leblon, Rio de Janeiro – RJ – (21) 3796-3342
Terça à quinta de 12h às 16h e 19h à 1h. Sexta e sábado de 12h à 1h. Domingo de 12h às 18h.

Molho fresco de tomate cereja. Quatro ingredientes e um conforto rápido para um domingo de frio ao lado da família!

Domingo friozinho. Vinho aberto. Família reunida em torno do Arroz de Polvo da Dona Cavalierona. Como os amigos já sabem, não sou dos maiores fãs do molusco. Então tive de pensar rapidamente e tirar algo da cartola para o meu almoço. Na taça o Special Blend da Bodega Del Fin Del Mundo pedia algo com personalidade. Mas também não queria trabalho. Então busquei quatro ingredientes na geladeira para o meu molho express de tomate cereja que coroou uma massa de espinafre. Então vamos a ele que fará você nunca mais comprar nenhum tipo de molho de caixinha.

20130929_143643

Como disse, são apenas quatro ingredientes básicos sem contar os temperos (sal, pimenta do reino e uma pitada de açúcar): quatro colheres de sopa de azeite, cinco dentes de alho picado, duas caixinhas de tomate cereja (de preferência o sweet grape) e um punhado de manjericão fresco. Coloque também para dar certo volume 100 ml de água ou de qualquer caldo. Como opcional (usei porque tinha na geladeira), uma taça de vinho branco.

20130929_111536

Fogo baixo, azeite e alho. O objetivo aqui é cozinhar o alho no azeite e não dourá-lo. Além de deixá-los macios e ligeiramente adocicados, além de perfumar o óleo. Esse processo dura mais ou menos cinco minutos. Fique de olho para não deixar nenhum torrado. Feito isso, entre com os tomates, tempere com sal, pimenta do reino e açúcar, e aumente o fogo.

20130929_112650 20130929_112800

Após refogar, dar um golinho na sua taça e ficar inebriado com os aromas subindo pela cozinha, entre com o vinho branco (caso queira). Espere evaporar, coloque o caldo ou a água, uma parte do manjericão e abaixe o fogo. Deixe cozinhar de 10 a 15 minutos, apurando bem os sabores.

20130929_112859 20130929_113040 20130929_113929

Massa no prato. Molho por cima. Uma chuva de grana padano ralado na hora. Um fio de azeite. Mais vinho na taça. Família reunida. Um domingo perfeito ao redor da mesa. Façam isso vocês também. E até a próxima! Boa semana a todos!

Dúvidas ou considerações é só deixar no comentário ou mandar via Twitter ou Instagram (@GastroEsporte), ou melhor ainda, vai lá na página do Facebook e escreve por lá

Risadas, vinhos, excelente comida em noite de reencontros no CT Trattorie: bela noite “neozelandesa” da Confraria

Em determinando momento da noite alguém virou para mim e disse: “tem coisa melhor nesse mundo do que uma mesa animada, bons vinhos e um jantar excelente?”. Tive de concordar. Foi exatamente o que aconteceu na última terça. Novamente estive em uma celebração da Confraria de Vinhos da qual minha sogra Márcia faz parte (lembrem dela aqui) no jantar harmonizado do CT Trattorie. Comida no geral excelente, vinhos, risadas e um inusitado e inesperado reencontro com os chefs Claude Troisgros e Batista, que não os via desde a gravação do Que Marravilha Revanche! (aqui e aqui).

Os jantares harmonizados nos CTs da Família Troisgros acontecem regularmente e são temáticos. A página deles no Facebook costuma informar os menus e preços. Na terça o tema era Nova Zelândia e saiu por R$ 160 com cinco pratos e cinco vinhos.

20130917_202113 20130917_202236

A brincadeira começou não tão bem. Anunciado como Creme do Mar e da Terra, tratava-se na verdade de uma sopa fria meio rala até. O sabor dos mariscos não estava tão pronunciado e o elemento terra era um mero broto de beterraba. Fosse servido em uma taça como um shot acho que não iria gerar o desapontamento. Mas se o prato foi instável, o vinho foi unânime. O Stoneburn Sauvignon Blanc estava elegante co todos os aromas frutados característicos da uva. Excelente escolha.

20130917_210639_LLS

Se o início derrapou, o prato seguinte levantou bonito. No cardápio Fish and Chips. Mas quem imaginava o clássico peixe empanado ao lado de fritas se surpreendeu com uma posta grelhada de maneira perfeita, com pele crocante e interior úmido acompanhado de um crocante de batatas e uma maionese que eu poderia comer um pote inteiro com a colher. Espetacular. O Riesling Groove Mill foi uma surpresa. Bem intenso tanto no nariz como na boca, casou novamente muito bem com o prato mais substancioso.

20130917_211947_LLS

Papo, risadas, um golinho a mais de um e de outro até o auge da noite. O nhoque de batata doce com fonduta de queijo de ovelha e pancetta crocante foi arrebatador. Levemente grelhado após o cozimento, o nhoque por si só já valia (aliás, este nhoque costuma aparecer no almoço executivo de vez em quando), mas o creme intenso de queijo casou de maneira perfeita. Saiu o branco e entrou um bom Pinot Noir da Trinity Hill.

20130917_214534_LLS

O prato principal da noite foi contrastante. A paleta de cordeiro estava macia, saborosa e muito bem feita. Só poderia ter vindo com um pouco mais do bom molho do próprio cozimento. Mas o Arroz de Ervas Anisadas que vinha como acompanhamento derrapou e muito. Era uma grande briga entre a hortelã, a erva doce, o anis… Faltou harmonia ali. O Shiraz novamente da Trinity Hill tinha o corpo necessário para a potência do prato.

20130917_221702_LLS

A sobremesa estava impecável. Uma Pavlova com frutas vermelhas coroada por um sorbet cítrico e saboroso. O vinho que não fez jus. O Chateau Crabitan Bellevue, único que não era da Nova Zelândia na noite, simplesmente não agradou e não casou muito bem.

20130917_224156_LLS

Mas no fim, todos os detalhes ruins se perdem na simpatia desta confraria que mais uma vez me acolheu em uma de suas animadas reuniões. Pessoal da melhor qualidade e de uma simpatia inegável. Assim como os chefs. Batista e sua humildade contagiante, assim como o Claude que trata a todos com muita atenção e carinho.

foto foto (2)

 

E que venham mais noites e jantares ao lado destes confrades! Um brinde aos bons momentos! E pelas taças, vocês percebem que brinde não faltou!

20130917_224225_LLS

Dúvidas ou considerações é só deixar no comentário ou mandar via Twitter ou Instagram (@GastroEsporte), ou melhor ainda, vai lá na página do Facebook e escreve por lá! Beijos e abraços em todos!