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Degustação vertical do Marquês de Borba Reserva: uma verdadeira aula com o enólogo João Portugal Ramos

Não é sempre que temos o privilégio de conhecer uma figura importante no cenário dos vinhos portugueses. Melhor ainda quando podemos ainda trocar ideias, experiências, aprender mais a cada minuto e ainda degustar a linha reserva das suas criações. A convite da Casa Flora, estive na Churrascaria Fogo de Chão para a degustação vertical dos vinhos Marquês de Borba Reserva comandada por João Portugal Ramos, produtor e proprietário da vinícola que leva o seu nome.

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Antes de abrir os trabalhos, o simpático João lembrou suas origens e voltou ao início dos anos 90 quando produziu sua primeira garrafa a partir da plantação próprio no quintal de casa. Ali começou a consolidar o seu nome até se tornar a referência que é hoje, acumulando quatro prêmios de enólogo do ano por publicações diferentes.

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A degustação se deu do mais velho, o 1997, para o mais novo, o 2011. Entre eles 1999, 2003, 2005, 2007, 2008 e 2009. Para João, o último é considerado sua melhor colheita. Por ele recebeu o prêmio de melhor tinto do Alentejo da “Revista de Vinhos”. E de fato foi uma taça extremamente especial.

As castas não variam de ano para ano. Estão lá as clássicas uvas do Alentejo: Trincadeira, Aragonês e Alicante Bouschet. Além do trio, João inclui sempre a francesa Cabernet Sauvignon, utilizada por ele como “tempero” para equilibrar ainda mais os vinhos.

Suas safras não possuem padrão exato. A cada ano a porcentagem de cada casta muda em função do clima que acaba influenciando a colheita. Em alguns anos nem chegou a engarrafar por julgar que o alto nível não tinha se repetido.

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E essa questão extremamente autoral se reflete nas taças. Em alguns anos as frutas vermelhas aparecem mais fortes no nariz, em 2009 e 2011, por exemplo. Ambos extremamente elegantes com taninos redondos e equilibrados. Em outros, especialmente nos mais antigos, os aromas remetem a frutas mais maduras. O 1997, que veio em duas garrafas Magnum, ficou muito melhor após respirar.

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Ano que chamou atenção também foi 2008. João explicou que foi a menor concentração de Cabernet em suas criações. O vinho se tornou mais mineral e recebeu avaliações extremamente positivas em publicações especializadas. E no prato, belos cortes de carne como a costela que chega se desmanchando após horas assando como o nome da casa em uma apetitosa vitrine na porta.

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No fim, uma taça do Porto Duorum 2007 e a alegria por um belo almoço recheado de vinhos maravilhosos e de uma verdadeira aula. Mais informações sempre na página do Facebook, E no Instagram (@GastroEsporte)! Saúde e até a próxima!

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Barsa: há pouco mais de três anos levando gastronomia de qualidade para o (a) Cadeg. Tinto, Tropeiro e Pato no ar condicionado!

Sensação térmica de 59 graus no Rio. Praia? Piscina? Nada disso. Lá fui eu para o (a) Cadeg – a polêmica será eterna: Centro como manda o figurino ou Central como manda o sentimento popular?! Mas essa discussão a gente já teve aqui, o que importa mesmo é a boa comida. E lá no nosso Mercado Municipal opções não faltam. Entre clássicos roots como Poleiro do Galeto, Adega Cesari e Cantinho das Concertinas, que para mim tem o melhor bolinho de bacalhau de lá, surge o Barsa. Com pouco mais de três anos, a casa do chef Marcelo Barcellos se consolidou como um espaço de gastronomia feita com esmero e qualidade em um local com pegada muito popular, mas que a cada dia que passa se abre para qualquer um.

E aos que ainda não sabem, o Barsa que antes ocupava apenas a rua, tem um salão com ar condicionado. Ou seja, foi ele que permitiu a “loucura” de abrirmos alguns tintos pouco depois de 13h em Benfica. Português na taça, Reguengos Garrafeira dos Sócios, uma excelente pedida, Tropeiro no prato (R$ 13). Há pouco tempo no cardápio, foi uma grata surpresa.

As carnes são refogadas separadamente, o que deixa o prato mais leve e com muito menos gordura. Mesmo sendo uma entrada não usual, caiu muito bem com o vinho e umas gotinhas de pimenta.

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Do Tropeiro pulamos para algumas entradas clássicas da casa. Entre elas o Pão do Chef (Três fatias por R$ 21 e seis por R$ 38). Chega quentinho, com casquinha torradinha e crocante e interior macio com recheio de provolone e bons nacos de linguiça calabresa. Boa pedida.

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Na sequência trio de Bruschettas. A de tomate muito me surpreendeu. Esqueça aquele seco de sabor forte, aqui ele vem cortado ao meio e semi desidratado. Docinho e temperado na medida certa. A de cogumelos estava gostosa, mas não inesquecível. A de bacalhau estava extremamente bem temperada e recheada. Muito gostosa. E todas chegam em cima de um pão feito na casa com um leve toque de ervas. Uma saída diferente da bruschetta tradicional.

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Poderia continuar nas entradas. Sou fã da punheta de bacalhau e fiquei muito curioso com um Folhado de faisão ao molho de tangerina. Mas fomos para o principal. E desta vez também fugi do usual: nada de bacalhau ou da sempre excelente paleta de cordeiro. Fomos de Arroz de Pato (R$ 70 o pequeno que comem dois com muita tranquilidade).

Uma maravilha. Chega na mesa em panela de pedra que mantém o prato aquecido enquanto você come, ou seja, o repeteco vem na mesma temperatura do primeiro. Com pedaços do pato confitado em vinho e ervas, o arroz chega molhadinho, bem temperado e ainda com mini cebolas e azeitonas verdes. Mas o grande diferencial do Barsa neste prato é a linguiça. Eles utilizam fatias de um embutido português picante que dá um diferencial a cada garfada. Espetáculo.

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Saí de lá feliz e com a certeza de que mesmo em um Rio de Janeiro de temperaturas absurdas, você pode ter um almoço substancial destes com boas taças logo ali em Benfica no, ou na, Cadeg.

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Barsa
– Cadeg – Rua Capitão Félix 110 – rua 4, lojas 4 e 6, Benfica, Rio de Janeiro – RJ (21) 2585-3743
Segunda a quinta, das 12h às 16h; sexta a domingo, das 12h às 17h