Arquivo da tag: Portugal

Degustação vertical do Marquês de Borba Reserva: uma verdadeira aula com o enólogo João Portugal Ramos

Não é sempre que temos o privilégio de conhecer uma figura importante no cenário dos vinhos portugueses. Melhor ainda quando podemos ainda trocar ideias, experiências, aprender mais a cada minuto e ainda degustar a linha reserva das suas criações. A convite da Casa Flora, estive na Churrascaria Fogo de Chão para a degustação vertical dos vinhos Marquês de Borba Reserva comandada por João Portugal Ramos, produtor e proprietário da vinícola que leva o seu nome.

20140331_140946

Antes de abrir os trabalhos, o simpático João lembrou suas origens e voltou ao início dos anos 90 quando produziu sua primeira garrafa a partir da plantação próprio no quintal de casa. Ali começou a consolidar o seu nome até se tornar a referência que é hoje, acumulando quatro prêmios de enólogo do ano por publicações diferentes.

20140331_142504

A degustação se deu do mais velho, o 1997, para o mais novo, o 2011. Entre eles 1999, 2003, 2005, 2007, 2008 e 2009. Para João, o último é considerado sua melhor colheita. Por ele recebeu o prêmio de melhor tinto do Alentejo da “Revista de Vinhos”. E de fato foi uma taça extremamente especial.

As castas não variam de ano para ano. Estão lá as clássicas uvas do Alentejo: Trincadeira, Aragonês e Alicante Bouschet. Além do trio, João inclui sempre a francesa Cabernet Sauvignon, utilizada por ele como “tempero” para equilibrar ainda mais os vinhos.

Suas safras não possuem padrão exato. A cada ano a porcentagem de cada casta muda em função do clima que acaba influenciando a colheita. Em alguns anos nem chegou a engarrafar por julgar que o alto nível não tinha se repetido.

20140331_161602

E essa questão extremamente autoral se reflete nas taças. Em alguns anos as frutas vermelhas aparecem mais fortes no nariz, em 2009 e 2011, por exemplo. Ambos extremamente elegantes com taninos redondos e equilibrados. Em outros, especialmente nos mais antigos, os aromas remetem a frutas mais maduras. O 1997, que veio em duas garrafas Magnum, ficou muito melhor após respirar.

20140331_173102

Ano que chamou atenção também foi 2008. João explicou que foi a menor concentração de Cabernet em suas criações. O vinho se tornou mais mineral e recebeu avaliações extremamente positivas em publicações especializadas. E no prato, belos cortes de carne como a costela que chega se desmanchando após horas assando como o nome da casa em uma apetitosa vitrine na porta.

20140331_173424

No fim, uma taça do Porto Duorum 2007 e a alegria por um belo almoço recheado de vinhos maravilhosos e de uma verdadeira aula. Mais informações sempre na página do Facebook, E no Instagram (@GastroEsporte)! Saúde e até a próxima!

Anúncios

Quinta de São José: vinhos especiais do Douro em uma tarde com o enólogo João Brito e Cunha

É sempre um prazer degustar um vinho com o enólogo e winemaker que produziu o conteúdo das garrafas. Nós podemos buscar identificar aromas e características que entram na nossa cabeça a cada gole, mas só o produtor tem a capacidade de explicar exatamente o que ele pretendia com aquele corte, com o processo de envelhecimento e te guiar pelos caminhos de cada taça. Tive este privilégio ao conhecer o português João Brito e Cunha e seus vinhos, da vinícola Quinta de São José, no Douro. Fizemos uma degustação de praticamente toda a sua linha na Cavist, em Ipanema, acompanhado de um belo almoço.

20140320_131743

Com o refrescante branco Ázeo na taça, João, que veio ao Brasil a convite da importadora WineMundi, representante dos seus vinhos por aqui, contou um pouco da história do Douro e em particular de sua vinícola. Com uma produção pequena, procura dar uma identidade a cada vinho. Além disso, o espaço de dez hectares conta também com uma pousada para estimular o enoturismo na região.

20140320_132657

Mas voltemos à taça. O Ázeo foi uma revelação para mim, já que não conhecia as castas Viusinho e Rabigato. No primeiro gole o vinho se mostrou agressivo. Mas bastaram cinco minutos para o frescor tomar conta e os aromas frutados tomarem conta. Harmonizou perfeitamente com um carpaccio de Hadoque defumado com raspas de limão siciliano.

20140320_134020 20140320_133825

A brincadeira seguir em frente com o Quinta de São José tinto. Feito com as uvas clássicas da região, Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz, é um bom vinho de entrada. Foi harmonizado com bacalhau envolto por um crisp de parmesão, receita que, por sinal, já mostrei como se faz aqui.

20140320_135452

O terceiro ganhou a mesa. O Quinta de São José Reserva 2010 é um belo vinho. Feito com Touriga Nacional de vinhas velhas da quinta, passa por barricas de carvalho francês por um ano e ganha bastante complexidade. Bem frutado, mas com taninos equilibrados. No prato, duo de cordeiro com manteiga de ervas e legumes salteados. Estivesse o cordeiro um pouco mais mal passado o prato seria perfeito. Mas o casamento com o vinho foi realmente espetacular.

20140320_141952 20140320_142454

Com esta mesma pedida, provamos ainda o Grande Reserva da Quinta de São José, que veio em garrafa Magnum do ano de 2011. A opinião na mesa foi praticamente a mesma. É, de fato, um vinho especial feito com as vinhas mais velhas das castas Touriga Nacional e Touriga Franca e fermentados em lagares após serem pisadas como antigamente. Se tivéssemos bebido esta safra daqui a três anos pelo menos a experiência seria ainda mais especial. Afinal de contas, estamos diante de um vinho que tem potencial de guarda. Mas na taça estivemos diante de um vinho complexo, com mineralidade no ponto certo, novamente frutas no nariz e equilíbrio ideal. 

20140320_144125

No fim, o São José Vintage Port com banana caramelada, doce de leite, sorvete de canela e farofa de paçoca. Fim de uma tarde especial, de muito conhecimento, boa conversa e, como sempre, boa comida!

20140320_145708

Mais informações sempre na página do Facebook, E no Instagram (@GastroEsporte)! Até a próxima!