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Gonzalo: na casa Uruguaia, após um bom início as carnes acabaram derrapando.

Já estava empolgado para conhecer o Gonzalo. Fiquei ainda mais instigado após participar da aula do Rio Gastronomia, onde o chef Gabriel Mangini falou sobre os cortes uruguaios utilizados e também no conceito da casa, que em nada lembra o que estamos acostumados a ver por aqui. A ambientação, estilo de cozinha, acompanhamentos e a própria parrilla é toda baseada no estilo do Uruguai, o que diferencia o restaurante trazendo muita personalidade. Mas infelizmente foi no principal ponto da casa a maior derrapada da noite de comemoração do aniversário da Dona Cavalierona.

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O couvert, por exemplo, estava simples e eficiente. Pães quetinhos, manteiga temperada, um bom azeite uruguaio… Na taça um Tannat-Tempranillo da vinícola Bouza (R$ 90). Fomos então para as entradas. Da parrilla lindíssima e alimentada por toras de madeira como visto acima, saiu um Chorizo (R$ 29) que estava espetacular. Para os que possuem mais estômago, Mollejas (R$ 19), ou timo ou então a glândula do boi. Prato difícil de encarar, mas que vale a pena.

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Pedimos ainda Empanadas de carne e de queijo (R$ 14 a porção com duas independentemente do sabor). A primeira estava correta, com recheio bem molhadinho e tempero no ponto certo. Mas a segunda, apesar de básica, estava especial. O detalhe é que diferentemente do que estamos acostumados, no Uruguai a empanada é frita.

Após um início promissor e com muita comida, fomos escolher os cortes de carne. Foram três: Picanha, Bife Ancho e Assado de Tira (R$ 81, R$ 69 e R$ 70 respectivamente). Estávamos em cinco e a ideia era todos provarem de tudo já que a fome não era tanta após as entradas. E logo veio o primeiro equívoco. Os cortes chegaram na mesa já fatiados. Ou seja, mal vimos a nossa carne inteira. Parecia um rodízio. Segundo equívoco foi em relação ao ponto da carne. Sou famoso lá em casa por comer ela extremamente mal passada. Mas até eu fiquei incomodado a ponto de mandar voltar a carne que consequentemente perdeu seus sucos após vir cortado de maneira precoce. Realmente uma pena.

Mas o principal ponto foi a maciez. Sei que a Picanha tem em sua extremidade mais alta a parte mais firme. Sei também que o Assado de Tira prioriza o sabor e tem uma textura bem distante do filé mignon por exemplo. Mas estas duas em especial não cumpriram nem de longe o que esperávamos. O Bife Ancho foi a luz no fim do túnel.

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Os cortes chegam acompanhados por guarnições da casa que são repostas constantemente. E estas sim estavam muito boas: purê de cenoura com toque de cominho, alhos assados, feijão branco e cebola caramelizada. Pedimos ainda batatas fritas de verdade (R$ 17) e pimentões assados na parrilla (R$ 9).

A sobremesa foi um gesto extremamente simpático da casa com a aniversariante: um pão de mel coberto por chocolate em forma de bigode homenageando o próprio “Gonzalo”.

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Realmente lamento que a experiência não tenha sido a ideal como julguei que fosse em razão da expectativa. Mas as portas seguem abertas para mim no Gonzalo. Como disse, a atmosfera da casa é bacana e diferente. E acho que pode não ter sido o meu dia. Se vocês já conhecem e discordam cliquem lá na página do Facebook e me mandem a opinião! Até a próxima!

Gonzalo
– Avenida Bartolomeu Mitre – 450, loja C, Leblon, Rio de Janeiro – RJ – (21) 3796-3342
Terça à quinta de 12h às 16h e 19h à 1h. Sexta e sábado de 12h à 1h. Domingo de 12h às 18h.

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O clássico Braseiro da Gávea. Bom? Sem sombra de dúvidas! Barato? Vale a discussão!

No prêmio Rio Show de Gastronomia, o Braseiro da Gávea foi premiado na categoria “Bom e Barato”, gerando certa discussão. Bom ninguém tem dúvidas de que esse clássico do Rio de Janeiro é. A picanha é realmente especial e raramente vem fora do ponto. Mas o barato é discutível. Comparados à alta gastronomia, os preços são sim honestos. Mas há inúmeras opções pela cidade onde se come bem mais barato (inclusive aqui mesmo já dei o exemplo do Caravelas do Visconde).

Mas deixemos a discussão de lado. Afinal de contas, achando barato ou não, o Braseiro é um lugar que merece ser visitado. Fica no coração do Baixo Gávea, reduto tradicional da cidade. A decoração é a mais simples possível, seja no salão ou na varanda de onde você pode ficar de olho nas noites movimentadas.

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Não há como dispensar as linguiças (R$ 3 a unidade) que circulam pelo salão nos espetos. Chegam ao lado de um molho a campanha mais simples impossível. Lá, inclusive, eles abrem mão do pimentão verde. Para beber chope Brahma por R$ 6.

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O pedido, na minha opinião, é um só: Picanha Braseiro. O corte vertical pega todas as partes da picanha. Ela vem fatiada e no ponto perfeito. A ponta, naturalmente mais macia, estava espetacular. A parte de cima também estava igualmente saborosa e com boa maciez. Chega na mesa acompanhada de Arroz de Brócolis, Batatas Fritas (de verdade, não as congeladas, o que é um ponto mais do que especial) e Farofa de ovo com banana. Sente o close abaixo! Essência do “FoodPorn” não?

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O prato sai por R$ 85. Neste dia, éramos três e foi a conta certa depois de uma linguiça e meia cada um. No fim, a conta, que incluiu seis chopes e dois refirgerantes, acabou saindo R$ 53 para cada um. Caro? Não. Mas se come mais barato? Sim. Fossemos dois certamente seria pesado.

A reflexão é de cada um e o debate mais do que válido. Acho que a discussão se faz necessária até em função dos preços que costumamos encontrar pela cidade. Mas caro ou barato, não dá para negar que bom o Braseiro é demais.

Braseiro da Gávea
– Praça Santos Dumont, 116, Gávea, Rio de Janeiro – RJ – (21) 2239-7494
Dom a qui, do meio-dia à 1h ; sex e sáb, do meio-dia às 3h

Dúvidas ou considerações é só deixar no comentário ou mandar via Twitter ou Instagram (@GastroEsporte), ou melhor ainda, vai lá na página do Facebook e escreve por lá! Beijos e abraços em todos!

Caravelas do Visconde tem lugar cativo no meu coração: bons preços e comida excepcional! Clássico!

Todos têm algum restaurante marcante. Aquele lugar que você vai desde pequeno, que conhece os garçons, está acostumado com o ambiente… Um destes para mim é o Caravela do Visconde. Desde que me entendo por gente vou lá comer a generosa e saborosa picanha, um para muitos desconhecido, mas igualmente gostoso filé a parmegiana, o frango a passarinho com bastante alho frito e salsa ou simplesmente uma linguicinha na brasa com chope gelado.

Não espere luxo. O ambiente lembra um velho botequim. Mas saiba que de lá você vai sair muito satisfeito. Mas confesso aqui que no comando há uma contradição. Seu Rui, um amigo da família e velho cliente do Seu Cavalierão, é português clássico. Estão lá o sotaque carregado e o bigode bem cortado. Mas o coração dele não bate pelo Vasco. Vai entender, mas o portuga é Botafoguense doente. E na simples decoração de sua casa está lá uma bandeira do Glorioso no meio das gravuras que remetem a Portugal. Certas coisas não tem explicação.

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Mas outras sim. E no Caravela não tem frescura. Siga meu roteiro e seja feliz. Comece o dia com a linguicinha na brasa (R$ 2,5) e o chope Brahma (R$ 4,9) bem tirado. Felicidade garantida.

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Siga com o clássico da casa. A picanha vem com as duas pontas para fora da travessa de tão grande (R$ 56). O ponto está SEMPRE correto. E o sabor da brasa do carvão? É coisa de maluco. A foto foi tirada já depois do garçom cortar, mas tenha certeza de que três vão comer e ficar satisfeito. Ainda mais com os acompanhamentos sempre bem servidos. As dicas? Guarnição Francesa, incluída na picanha, e farofa brasileira (R$ 13). Chora.

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Como disse lá em cima, o Parmegiana é delicioso também (R$ 56). Macio, com boa camada de queijo e molho simples de tomate, é sensacional. O tamanho? Já viu que no Caravelas não dá para brincar. Veio acompanhada de Batata Portuguesa.

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O preço, como visto, é um capítulo a parte. É por isso que domingo na hora do almoço é preciso ter paciência para conseguir uma mesa. Afinal de contas, olhem o custo benefício! Pensando bem, agora é fácil entender porque está entre os lugares favoritos do Seu Cavalierão. Vida longa ao Caravelas e ao velho Rui, que, quem sabe, terá uma alegria com Seedorf no seu Botafogo…

Caravelas do Visconde
– Rua Visconde de Caravelas, 136, Botafogo, Rio de Janeiro – RJ – (21) 2266-3128
Seg a sáb, das 11h à meia-noite; dom, das 11h às 18h

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Fogo de Chão: vale a fama e o preço em churrascaria que prioriza as carnes. Senti até saudade do velho estômago!

Já disse em outras oportunidades aqui no Gastronomia por Esporte que sou fã incondicional de uma boa carne vermelha. Mas em função da redução de estômago que fiz, praticamente aboli os rodízios da minha vida, preferindo casas em que escolho um único corte e como bem devagar. Não compensa para mim aquela abundância constantes dos espetos. Mas o aniversário da minha cunhada me forçou a conhecer a tão falada unidade carioca da Fogo de Chão. E vou confessar para vocês. Após comprovar a qualidade da casa o meu velho estômago fez grande falta.

Antes de sentar e já provar o belo e aerado pão de queijo, um pulo na extensa varanda para conferir a vista. Instalada sobre a Baía da Guanabara, a casa tem visão privilegiada para o Pão de Açúcar. Mas voltemos ao amplo salão para falar do que realmente interessa: carnes.

 

 

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Esqueça aquela variedade de pratos quentes, camarão, frutos do mar e japonês comuns nos rodízios. Aqui o foco é a carne. Para acompanhar um buffet de saladas com menos opções do que o comum, mas com grandes achados. Os shitakes estavam perfeitos: macios e bem temperados. O palmito pupunha assado era para comer de colher com um molho de ervas. Simplesmente impecável e me fez voltar ao balcão mais de uma vez. Um jamón serrano cortado fininho também chamou atenção.

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Nos espetos circulam 17 cortes da raça Red Angus. Picanha, fraldinha, alcatra… Todas muito boas, mas na mesma média das demais. Vamos ao que surpreendeu. A costela bovina, que fica exposta logo na entrada da casa, estava impecável. Macia e saborosa.

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O falado Shoulder Steak, corte dianteiro do boi exclusivo da casa, vale a fama. Em ponto delicioso, é uma carne de sabor diferente com uma gordurinha entremeada que a deixa espetacular. Dona Cavalierona até arregalou o olho!

Pedida perfeita, o shoulder steak, corte exclusivo da casa, surpreendeu em sabor e maciez

Pedida perfeita, o shoulder steak, corte exclusivo da casa, surpreendeu em sabor e maciez

A picanha nobre com alho também estava perfeita. Reparem no palmito ao lado!

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E a costelinha de cordeiro com hortelã também veio macia e rosada, como manda o figurino. Acompanhou bem o tinto da casa que faz parte da extensa, porém com preços não tão atraentes, carta de vinhos da casa.

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É caro? Sim. O rodízio sai a R$ 103 por pessoa. Mas vale o preço. Principalmente se você vai pronto para degustar carnes. Agora se você não é tão fã assim e prefere a diversidade, procure outro lugar. Os preços são semelhantes, mas a proposta é outra. Eu curti. E fiquei com vontade de voltar. Mesmo sem o meu velho estômago.