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Risadas, vinhos, excelente comida em noite de reencontros no CT Trattorie: bela noite “neozelandesa” da Confraria

Em determinando momento da noite alguém virou para mim e disse: “tem coisa melhor nesse mundo do que uma mesa animada, bons vinhos e um jantar excelente?”. Tive de concordar. Foi exatamente o que aconteceu na última terça. Novamente estive em uma celebração da Confraria de Vinhos da qual minha sogra Márcia faz parte (lembrem dela aqui) no jantar harmonizado do CT Trattorie. Comida no geral excelente, vinhos, risadas e um inusitado e inesperado reencontro com os chefs Claude Troisgros e Batista, que não os via desde a gravação do Que Marravilha Revanche! (aqui e aqui).

Os jantares harmonizados nos CTs da Família Troisgros acontecem regularmente e são temáticos. A página deles no Facebook costuma informar os menus e preços. Na terça o tema era Nova Zelândia e saiu por R$ 160 com cinco pratos e cinco vinhos.

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A brincadeira começou não tão bem. Anunciado como Creme do Mar e da Terra, tratava-se na verdade de uma sopa fria meio rala até. O sabor dos mariscos não estava tão pronunciado e o elemento terra era um mero broto de beterraba. Fosse servido em uma taça como um shot acho que não iria gerar o desapontamento. Mas se o prato foi instável, o vinho foi unânime. O Stoneburn Sauvignon Blanc estava elegante co todos os aromas frutados característicos da uva. Excelente escolha.

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Se o início derrapou, o prato seguinte levantou bonito. No cardápio Fish and Chips. Mas quem imaginava o clássico peixe empanado ao lado de fritas se surpreendeu com uma posta grelhada de maneira perfeita, com pele crocante e interior úmido acompanhado de um crocante de batatas e uma maionese que eu poderia comer um pote inteiro com a colher. Espetacular. O Riesling Groove Mill foi uma surpresa. Bem intenso tanto no nariz como na boca, casou novamente muito bem com o prato mais substancioso.

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Papo, risadas, um golinho a mais de um e de outro até o auge da noite. O nhoque de batata doce com fonduta de queijo de ovelha e pancetta crocante foi arrebatador. Levemente grelhado após o cozimento, o nhoque por si só já valia (aliás, este nhoque costuma aparecer no almoço executivo de vez em quando), mas o creme intenso de queijo casou de maneira perfeita. Saiu o branco e entrou um bom Pinot Noir da Trinity Hill.

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O prato principal da noite foi contrastante. A paleta de cordeiro estava macia, saborosa e muito bem feita. Só poderia ter vindo com um pouco mais do bom molho do próprio cozimento. Mas o Arroz de Ervas Anisadas que vinha como acompanhamento derrapou e muito. Era uma grande briga entre a hortelã, a erva doce, o anis… Faltou harmonia ali. O Shiraz novamente da Trinity Hill tinha o corpo necessário para a potência do prato.

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A sobremesa estava impecável. Uma Pavlova com frutas vermelhas coroada por um sorbet cítrico e saboroso. O vinho que não fez jus. O Chateau Crabitan Bellevue, único que não era da Nova Zelândia na noite, simplesmente não agradou e não casou muito bem.

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Mas no fim, todos os detalhes ruins se perdem na simpatia desta confraria que mais uma vez me acolheu em uma de suas animadas reuniões. Pessoal da melhor qualidade e de uma simpatia inegável. Assim como os chefs. Batista e sua humildade contagiante, assim como o Claude que trata a todos com muita atenção e carinho.

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E que venham mais noites e jantares ao lado destes confrades! Um brinde aos bons momentos! E pelas taças, vocês percebem que brinde não faltou!

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Dúvidas ou considerações é só deixar no comentário ou mandar via Twitter ou Instagram (@GastroEsporte), ou melhor ainda, vai lá na página do Facebook e escreve por lá! Beijos e abraços em todos!

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Bastidores do Que Marravilha! parte 2: meu cogumelo ficou melhor e o churrasquinho no estúdio! E resenha com Troisgros!

O primeiro dia já tinha sido sensacional. Cozinhar para Claude Troisgros foi realmente incrível. Mas o programa continua e o último dia de gravação foi tão inesquecível quanto os anteriores. Era a hora de ver o que o Chef Marravilha faria com o meu prato. O resultado final vocês só poderão conferir quando o programa for ao ar. Mas digo uma coisa com propriedade: meu cogumelo superou o do chef! O mesmo não posso dizer do filé em crosta de ervas.. O dele foi incrível!

No fim todo mundo feliz com o sucesso do programa.. Chef Claude, Chef Batista e nós.. Alegria!

No fim todo mundo feliz com o sucesso do programa.. Chef Claude, Chef Batista e nós.. Alegria!

Já havia dito que o programa mudou o formato, mas não vou revelar os detalhes das notas e da surpresa com o prato com a nossa foto, esse aí de baixo. Isso vocês verão lá.

Será que foi esse o prato que o chef ganhou da família? O nosso levamos como recordação...

Será que foi esse o prato que o chef ganhou da família? O nosso levamos como recordação…

A ideia aqui, mais uma vez é mostrar apenas um pouco dos bastidores. Como por exemplo a impressionante estrutura do estúdio que simula o restaurante do Chef. Ainda não conheci o Olympe, mas ao que consta é nesta mesma linha.

Tudo pronto para começar a gravação no estúdio que serve como restaurante para o Chef..

Tudo pronto para começar a gravação no estúdio que serve como restaurante para o Chef..

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Outra visão do estúdio sendo preparado para nos receber…

Essa é a porta do "restaurante" onde jantamos.. Impressionante a estrutura!

Essa é a porta do “restaurante” onde jantamos.. Impressionante a estrutura!

Esse é o fundo da cozinha.. Quem vê nem imagina como é bem feito..

Esse é o fundo da cozinha.. Quem vê nem imagina como é bem feito..

Gravamos uma introdução e depois fomos confinados em um camarim enquanto Claude Troisgros e seu fiel escudeiro Batista preparam o prato. Fomos proibidos de acompanhar uma cena sequer para não estragar a surpresa. Mas o nervosismo e a ansiedade eram grandes demais para ficar em uma sala. Então lá fomos em busca de uma cervejinha nos arredores para acalmar. Eis que descubro um churrasco da equipe que faz toda a estrutura do Que Marravilha! funcionar. Obviamente fomos todos lá curtir.

Linguiças, pão de alho... Nos bastidores também há muita comida boa!!!

Linguiças, pão de alho… Nos bastidores também há muita comida boa!!!

Rona meteu uma boleiragem no preparo do pão de alho.. A Brahma foi conseguida na contravenção!

Rona meteu uma boleiragem no preparo do pão de alho.. A Brahma foi conseguida na contravenção!

Pão de alho, linguiça, contra-filé… Uma maravilha! A Brahma foi exclusividade minha (foi mal, diretor! Não resisti!). Até a Dona Cavalierona linda em sua maquiagem se divertiu com a competente e animada equipe. Momento de descontração total!

Dona Cavalierona curtindo o churrasquinho e o som do pagodinho que animou os bastidores...

Dona Cavalierona curtindo o churrasquinho e o som do pagodinho que animou os bastidores…

Cortado o barato, voltamos para a hora em que degustamos o prato delicioso. Mas isso vocês conferem em abril.

Chef Claude nos serve e dá uma passada rápida nas mudanças realizadas no meu prato.. Hora de comer!

Chef Claude nos serve e dá uma passada rápida nas mudanças realizadas no meu prato.. Hora de comer!

Terminada a gravação, a resenha com o Chef comeu solta. Abriu-se ainda uma saideira na qual tive a honra de ser seu maitre. Entre as dicas de Paris, para onde irei em dois meses, muitas risadas e a certeza de que a simpatia é uma característica marcante de Claude Troisgros.

Após a gravação, tive a honra de encher a taça do Chef.. Merecido..

Após a gravação, tive a honra de encher a taça do Chef.. Merecido..

Agora é esperar… Os dias de estrela da TV acabaram e a expectativa para ver como ficou o programa estão muito altas. Assim que tiver a data divulgo por aqui. E agora mais do que nunca chegou a hora de conferir o Olympe que vai reabrir das obras já já. Mais informações sempre no Twitter e no Instagram (@GastroEsporte). Até a próxima! Beijos em todos!

Um brinde à criatividade da Luninha e à simplicidade da Roberta Sudbrack na noite do prêmio – com surpresas!

#Porqueeuquerojantarna@RobertaSudbrack? Para matar o Instagram de inveja por que essa foto eles vão querer, mas não poderão vender!

Foi essa frase criada pela Luninha que me levou de volta em menos de um mês à casa de Roberta Sudbrack. A sua criatividade rendeu um jantar harmonizado para dois com cinco etapas no badalado – e com razão – restaurante. Venci a concorrência familiar, fui o escolhido e mais uma vez tive uma noite inesquecível com direito a uma surpresa inacreditável que vocês verão logo abaixo. E o melhor foi ver que minha empolgação foi compartilhada com a criativa Luninha, que ganhou seu primeiro concurso deste tipo na vida e, de quebra, vivenciou pela primeira vez uma experiência como essas!

É sempre especial entrar na casinha laranja. Tudo é pensado para você ter uma noite muito agradável. O atendimento do staff é impecável e a decoração austera e sucinta fazem o ambiente ficar leve. Sentamos na mesa que na minha opinião é a mais legal do restaurante. É uma diversão poder acompanhar toda a movimentação da cozinha através da “janela” circular.

Pela janela você acompanha o ballet da cozinha.. Ao lado o detalhe do painel com momentos da vida de Roberta Sudbrack e a decoração minimalista..

Pela janela você acompanha o ballet da cozinha.. Ao lado o detalhe do painel com momentos da vida de Roberta Sudbrack e a decoração minimalista..

Começamos a noite com o pãozinho da casa, quente e leve, manteiga com flor de sal e um salame artesanal que vem do sul do país cortado impecavelmente fino. O sabor forte e curado caiu bem com a cremosidade da manteiga.

A manteiga com flor de sal no pão caseiro e quente por si só já é perfeito.. Mas este salame artesanal é brincadeira!

A manteiga com flor de sal no pão caseiro e quente por si só já é perfeito.. Mas este salame artesanal é brincadeira!

Em seguida uma surpresinha. Em uma lata, uma simples castanha “crua” com broto e cacau para abrir o apetite. Minimalista como costumam ser as suas criações. Simplicidade é sempre o melhor. Entre os dois ainda tiveram os gougères, pães de queijo franceses levíssimos e maravilhosos que acabaram sendo devorados antes da foto. Perdão!

Castanha "crua", cacau e broto.. Simplicidade... A palavra chave que move a cozinha da Chef..

Castanha “crua”, cacau e broto.. Simplicidade… A palavra chave que move a cozinha da Chef..

O primeiro prato da noite foi um que sempre tive curiosidade em provar. E a expectativa foi cumprida. Trata-se de uma lichia recheada com terrine de foie gras e acompanhada de geléia de Tokaji, vinho típico da Hungria. Por sugestão da Chef, deve-se comer tudo de uma vez. E aí você entende os motivos. O azedinho da lichia é amenizado pelo docinho da geleia. No meio disso tudo, o foie denso e untuoso acaba harmonizando o prato. Para beber um espumante geladinho.

Uma bocada impecável... O contraste de sabores dos três componentes - lichia, foie e geleia de tokaji - é incrível..

Uma bocada impecável… O contraste de sabores dos três componentes – lichia, foie e geleia de tokaji – é incrível..

Em seguida Cherne em vinagrete de ora pró-nobis, folha típica de Minas. O peixe estava incrivelmente fresco e o vinagrete delicado combinando bem. Eu teria colocado um tiquinho a mais de sal, mas é uma questão pessoal. De repente poderia mascarar os demais sabores do prato. Ou seja, deixa para lá!

Vinagrete delicado e delicioso acompanhavam o cherne fresco e no ponto certo.. Só faltou um tico de sal para mim..

Vinagrete delicado e delicioso acompanhavam o cherne fresco e no ponto certo.. Só faltou um tico de sal para mim..

A segunda estrela da noite foi o terceiro prato. Um ravióli de cará. Ao ouvir isso você pode torcer o nariz. Afinal de contas, cará não é um tubérculo dos mais saborosos. No entanto, novamente a simplicidade impera e o conjunto faz algo aparentemente banal se tornar inesquecível. A massa caseira levíssima. Por cima, substituindo o parmesão, uma farofa de piracuí (um peixe seco) dava textura e sabor. Tudo isso servido sobre um caldo extremamente saboroso. Ah! E o cará? Vinha em forma de recheio cremoso harmonizando com os demais componentes. Sério, simplesmente maravilhoso. Ainda mais acompanhado de um vinho branco português fresco e geladinho.

Simplesmente impecável o ravióli de cará com piracuí.. Impecável e indescritível..

Simplesmente impecável o ravióli de cará com piracuí.. Impecável e indescritível..

Neste meio tempo a loucura da noite. Estávamos conversando sobre o prato. Luninha mais uma vez comentava a alegria de viver pela primeira vez a experiência de um jantar harmonizado quando reparo na escada e abro a boca ao olhar uma certa pessoa entrar direto para a cozinha pela porta de serviço. Luna me beliscou e disse: “Você viu? Ele deve estar maluco! Entrou na cozinha!”. Ainda boquiaberto falei delicadamente: “Você está de sacanagem? Não viu quem era?”. Diante da negativa esclareci: Claude Troisgros. Sim. O chef “Marravilha” estava jantando na mesma noite.

Ao retornar ao salão, a cara de pau foi maior. Agitada, Luna falou sobre a admiração que sinto por ele, sobre o blog, sobre a alegria de jantar lá… Confesso que estava intimidado, mas a simpatia de Claude faz com que isso desapareça. Ia pedir uma foto ao seu lado. Mas ele foi mais rápido e chamou sua mulher para tirar uma ao nosso lado. De arrepiar e, mais do que nunca, acho que está na hora de irmos conhecer o Olympe.

A surpresa da noite: Claude Troisgros... Uma simpatia de pessoa que nos deu um grande susto!

A surpresa da noite: Claude Troisgros… Uma simpatia de pessoa que nos deu um grande susto!

Mas voltemos ao RS. O prato principal foi Steak au Poivre. Comum, certo? Sim. Mas nada comparável ao que se encontra por aí. O molho não era aquele pesado com creme de leite. A base, aí é chute meu, era o demi glace, caldo de carne bem reduzido e temperado, que servia como base para um naco de mignon braseado e encrustado de pimentas.

Prato comum nos cardápios do Rio que provam como são feitos de maneira errada.. Um molho incrível..

Prato comum nos cardápios do Rio que provam como são feitos de maneira errada.. Um molho incrível..

O acompanhamento veio a parte: batatas croustillant com flor de sal. Crocantes por fora, e macias por dentro. Essas eu gostaria de saber como fazer. Neste ponto, o vinho era tinto e novamente português.

As batatas com flor de sal.. Crocante por fora, macia por dentro.. O acompanhamento perfeito..

As batatas com flor de sal.. Crocante por fora, macia por dentro.. O acompanhamento perfeito..

Para fechar a sobremesa. Latte cotto com frutas vermelhas. Trata-se de um creme gelado de baunilha com calda de frutas vermelhas e com elas por cima. Morangos, framboesas… Todas por lá fresquinhas e docinhas.

Frutas frescas com o geladinho do creme de baunilha... Coroou um belo jantar...

Frutas frescas com o geladinho do creme de baunilha… Coroou um belo jantar…

No fim, um prato de petit four com o famoso brigadeiro de colher. Mimos para finalizar uma noite incrível que ainda terminou com um abraço de agradecimento na chef dentro de sua EXTREMAMENTE QUENTE cozinha. Isso não tem preço.

A brincadeira da chef.. Seleção de petit fours incluindo o famoso brigadeiro de colher..

A brincadeira da chef.. Seleção de petit fours incluindo o famoso brigadeiro de colher..

Jantar na Roberta Sudbrack é uma experiência inesquecível. Na noite de quarta fomos contemplados na promoção cultural com o menu de cinco etapas, mas vai por mim, se for lá faça um planejamento e encare a sequência completa. Não é barato (sai por R$ 290), mas é incrível. Olhei para o lado e vi passar a ostra vegetal, a burrata com lardo, o palmito bebê, o pato no tucupi… A vontade era meter a mão! Mas oportunidades não vão faltar. Sabe por que? Por causa da Luninha.

O sorriso no rosto após a experiência me fez crer que ela irá querer me acompanhar novamente. E na próxima do início ao fim. Enquanto esse dia não chega, um brinde à sua criatividade com as palavras e à simplicidade da chef com os ingredientes. É isso o que importa! Ah! E sim, matamos todos de inveja no Instagram. Duvida? Vai lá e confere o @GastroEsporte!