Arquivo da categoria: Vinhos

Vinhos âmbar no Copacabana Palace: um novo mundo a ser descoberto

Brancos, rosés e tintos. Na linhagem dos não especialistas, estas são as três divisões clássicas dos vinhos. Mas a medida que você vai estudando, viajando, e, é claro, bebendo, vai descobrindo novas “tonalidades” e, acima de tudo, sabores. É o caso dos vinhos âmbar ou, para tentar popularizar o sofisticado, vinhos laranja. Em linhas gerais, porque os detalhes técnicos eu deixo para o amigo Pedro “Talheres”, um branco produzido de forma semelhante a um tinto – ou seja, o suco da uva fica em contato com as cascas e é isso o que garante a cor diferenciada.

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A cor já chama atenção, mas o que impressiona são os aromas e sabores provenientes do armazenamento em alguns casos em ânforas de barro, forma tradicional de conservar vinhos na antiguidade. Tonéis de carvalho ou cimento também podem ser utilizados nestes vinhos que, em sua maioria, chegam da Itália.

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É o caso dos oito exemplares que serão disponibilizados em taça no bar do Cipriani, no Belmond Copacabana Palace, entre esta quinta (14) e sábado (16). Os rótulos foram selecionados por Ed Arruda, sommelier executivo da casa. As taças custam a partir de R$ 35 e podem ser acompanhadas por um delicioso menu de quatro etapas, entre elas o espetacular foie gras aí de baixo que coroa uma crocante fatia de brioche de cacau e uma geleia de cebola. Conforto a cada bocada.

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Aproveitem. Sério. É coisa de maluco! Até a próxima! Saúde!

Bar do Cipriani, das 19 às 00h. Valor: a partir de R$ 35 por taça / Menu degustação R$ 45. Reserva: 21 2548 7070. Endereço: Avenida Atlântica 1702.

Sabores mediterrâneos no Cipriani

Por Luna Vale
Ir a um dos restaurantes do Copacabana Palace é sempre certeza de bom serviço e boa comida. Por isso, não pensei duas vezes ao ser convidada pelo pessoal do Embarque na Viagem para participar de um jantar e escrever a respeito para os dois sites.  Se a cozinha do chef Luca Orini, do Cipriani, não deixa a desejar, imagine então um jantar com o chef Corrado Corti, do restaurante La Terrazza, que veio diretamente de Portofino, na Itália, para participar de mais uma edição do Master Series. O evento, promovido pelo hotel, convida chefs internacionais para participarem um intercâmbio nos restaurantes da casa.

Até este ‘sábado (23), o chef italiano estará preparando um cardápio exclusivo com 20 opções de pratos, entre entradas, principais e sobremesas com foco na culinária Mediterrânea, disponíveis no Cipriani. Para harmonização do jantar, o sommelier Ed Arruda preparou uma carta de vinhos com rótulos exclusivos.

Os trabalhos foram abertos com um levíssimo creme de iogurte com pepino, dill e lagostins no ponto correto de cocção. Tomate, finas fatias de cebola roxa e um crispy de gergelim complementavam a entrada trazendo textura e ainda mais sabor. A pedida casou perfeitamente com o o espumante italiano Villa Crespia Franciacorta Brut de sabor levemente tostado e uma bela coloração dourada.

O primeiro prato foi um dos pontos altos da noite. Fazendo jus à sua cozinha mediterrânea, o chef serviu um robalo ao molho com a combinação clássica e fresca de tomates, alcaparras, azeitonas pretas e pinoli . A ousadia em meio ao básico veio na forma de uma interessante crosta negra feita com tinta de lula.

Em seguida, a melhor harmonização do jantar: o risoto Carnaroli com vongole, creme de limão siciliano com acidez na medida e pesto de manjericão foi a companhia perfeita para o italiano Skerk Orgrade 2011. Ao encher as taças, a coloração bem alaranjada do vinho branco chamou atenção, mas a acidez e frescor casaram muito bem.

Finalizou a etapa principal um medalhão de vitela com foie gras ao molho feito com redução do vinho Sciacchetrà, acompanhado de maçã cozida, creme de abóbora e aspargos. O ponto da carne estava perfeito, mas o fígado acabou passando um pouco o que tirou a suculência característica.

A sobremesa, na minha opinião, sempre a melhor parte da refeição, não deixou a desejar. O crème brûlée de pistache chegou à mesa com uma textura de panna cotta (não à toa, em italiano se chama “crema cotta”) ladeado por um levíssimo sorvete de baunilha e um crumble de limão siciliano.

Acho que posso dizer que estreei no jornalismo culinário em grande estilo, certo? Como diria o Rafa, saúde! E até a próxima! =)

Malbec Day: Casarão Ameno Resedá celebra a uva com muitos vinhos argentinos nesta quarta (16/4)

Atenção amantes do vinho. Nesta quarta-feira, dia 16 de abril, o Casarão Ameno Resedá vai receber o Malbec Day, dia internacional de comemoração da uva Malbec. Como não poderia deixar de ser, nas taças estarão uma grande variedade de malbecs argentinos, já que nossos hermanos são hoje os produtores de alguns dos vinhos mais festejados com essa casta.

As importadoras Casa Flora, Zahil, Decanter, Asa Gourmet, Devinum, Mistral, Interfood e Winebrands apresentam o evento, que vai das 16h às 20h. O convite sai por R$ 60, mas sócios da ABS (Associação Brasileira Sommeliers) e da Sbav (Sociedade Brasileira dos Amigos do Vinho) pagam R$ 40. Nos vemos lá! Saúde!

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Casarão Ameno Resedá

Endereço: Rua Pedro Américo, 277 – Catete
Data: 16/04
Horário: das 16h às 20h
Para informações e convite: eventos@cieba.com.br
tel. 3178-0016 com Victoria

 

Degustação vertical do Marquês de Borba Reserva: uma verdadeira aula com o enólogo João Portugal Ramos

Não é sempre que temos o privilégio de conhecer uma figura importante no cenário dos vinhos portugueses. Melhor ainda quando podemos ainda trocar ideias, experiências, aprender mais a cada minuto e ainda degustar a linha reserva das suas criações. A convite da Casa Flora, estive na Churrascaria Fogo de Chão para a degustação vertical dos vinhos Marquês de Borba Reserva comandada por João Portugal Ramos, produtor e proprietário da vinícola que leva o seu nome.

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Antes de abrir os trabalhos, o simpático João lembrou suas origens e voltou ao início dos anos 90 quando produziu sua primeira garrafa a partir da plantação próprio no quintal de casa. Ali começou a consolidar o seu nome até se tornar a referência que é hoje, acumulando quatro prêmios de enólogo do ano por publicações diferentes.

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A degustação se deu do mais velho, o 1997, para o mais novo, o 2011. Entre eles 1999, 2003, 2005, 2007, 2008 e 2009. Para João, o último é considerado sua melhor colheita. Por ele recebeu o prêmio de melhor tinto do Alentejo da “Revista de Vinhos”. E de fato foi uma taça extremamente especial.

As castas não variam de ano para ano. Estão lá as clássicas uvas do Alentejo: Trincadeira, Aragonês e Alicante Bouschet. Além do trio, João inclui sempre a francesa Cabernet Sauvignon, utilizada por ele como “tempero” para equilibrar ainda mais os vinhos.

Suas safras não possuem padrão exato. A cada ano a porcentagem de cada casta muda em função do clima que acaba influenciando a colheita. Em alguns anos nem chegou a engarrafar por julgar que o alto nível não tinha se repetido.

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E essa questão extremamente autoral se reflete nas taças. Em alguns anos as frutas vermelhas aparecem mais fortes no nariz, em 2009 e 2011, por exemplo. Ambos extremamente elegantes com taninos redondos e equilibrados. Em outros, especialmente nos mais antigos, os aromas remetem a frutas mais maduras. O 1997, que veio em duas garrafas Magnum, ficou muito melhor após respirar.

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Ano que chamou atenção também foi 2008. João explicou que foi a menor concentração de Cabernet em suas criações. O vinho se tornou mais mineral e recebeu avaliações extremamente positivas em publicações especializadas. E no prato, belos cortes de carne como a costela que chega se desmanchando após horas assando como o nome da casa em uma apetitosa vitrine na porta.

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No fim, uma taça do Porto Duorum 2007 e a alegria por um belo almoço recheado de vinhos maravilhosos e de uma verdadeira aula. Mais informações sempre na página do Facebook, E no Instagram (@GastroEsporte)! Saúde e até a próxima!

Quinta de São José: vinhos especiais do Douro em uma tarde com o enólogo João Brito e Cunha

É sempre um prazer degustar um vinho com o enólogo e winemaker que produziu o conteúdo das garrafas. Nós podemos buscar identificar aromas e características que entram na nossa cabeça a cada gole, mas só o produtor tem a capacidade de explicar exatamente o que ele pretendia com aquele corte, com o processo de envelhecimento e te guiar pelos caminhos de cada taça. Tive este privilégio ao conhecer o português João Brito e Cunha e seus vinhos, da vinícola Quinta de São José, no Douro. Fizemos uma degustação de praticamente toda a sua linha na Cavist, em Ipanema, acompanhado de um belo almoço.

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Com o refrescante branco Ázeo na taça, João, que veio ao Brasil a convite da importadora WineMundi, representante dos seus vinhos por aqui, contou um pouco da história do Douro e em particular de sua vinícola. Com uma produção pequena, procura dar uma identidade a cada vinho. Além disso, o espaço de dez hectares conta também com uma pousada para estimular o enoturismo na região.

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Mas voltemos à taça. O Ázeo foi uma revelação para mim, já que não conhecia as castas Viusinho e Rabigato. No primeiro gole o vinho se mostrou agressivo. Mas bastaram cinco minutos para o frescor tomar conta e os aromas frutados tomarem conta. Harmonizou perfeitamente com um carpaccio de Hadoque defumado com raspas de limão siciliano.

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A brincadeira seguir em frente com o Quinta de São José tinto. Feito com as uvas clássicas da região, Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz, é um bom vinho de entrada. Foi harmonizado com bacalhau envolto por um crisp de parmesão, receita que, por sinal, já mostrei como se faz aqui.

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O terceiro ganhou a mesa. O Quinta de São José Reserva 2010 é um belo vinho. Feito com Touriga Nacional de vinhas velhas da quinta, passa por barricas de carvalho francês por um ano e ganha bastante complexidade. Bem frutado, mas com taninos equilibrados. No prato, duo de cordeiro com manteiga de ervas e legumes salteados. Estivesse o cordeiro um pouco mais mal passado o prato seria perfeito. Mas o casamento com o vinho foi realmente espetacular.

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Com esta mesma pedida, provamos ainda o Grande Reserva da Quinta de São José, que veio em garrafa Magnum do ano de 2011. A opinião na mesa foi praticamente a mesma. É, de fato, um vinho especial feito com as vinhas mais velhas das castas Touriga Nacional e Touriga Franca e fermentados em lagares após serem pisadas como antigamente. Se tivéssemos bebido esta safra daqui a três anos pelo menos a experiência seria ainda mais especial. Afinal de contas, estamos diante de um vinho que tem potencial de guarda. Mas na taça estivemos diante de um vinho complexo, com mineralidade no ponto certo, novamente frutas no nariz e equilíbrio ideal. 

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No fim, o São José Vintage Port com banana caramelada, doce de leite, sorvete de canela e farofa de paçoca. Fim de uma tarde especial, de muito conhecimento, boa conversa e, como sempre, boa comida!

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Jantar de fim de ano da Confraria Velusué: inspiração para a semana após muita comida e belos vinhos!

Poucas coisas são mais divertidas do que quando um grupo de pessoas amigas se reúne para beber e comer bem. É garantia de bons momentos e muitas risadas. Este é o princípio que rege a Velusué, confraria de vinhos para a qual fui convidado pela minha sogra Marcia. Os encontros, este foi meu terceiro e os outros dois vocês relembram aqui e aqui, são sempre extremamente divertidos e acima de tudo saborosos.

Este ano, pela primeira vez, o presidente e chef Beto abriu sua cozinha para demais membros. E mesmo sendo um calouro tive a honra de passar a tarde por lá, acompanhar a finalização de muitos amuses e pratos e dar minha contribuição com os cogumelos do Que Marravilha!. Foi uma tarde especial.

Neste post não teremos receitas. É para servir apenas de inspiração. Daqui podem sair ideias de apresentação e também de pratos. Alguns aprendi e futuramente com certeza colocarei no blog. A mesa de antipasto, por exemplo tinha um belo hummus caseiro, babaganuche, punheta de bacalhau, tomates secos que foram hidratados em casa com azeite aromatizado, rolinhos de berinjela com ricota temperada…

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Este mereceu um close e será reproduzido aqui em casa, e consequentemente no blog, ainda este ano. Alhos confitados em azeite com alecrim, tomilho e pimenta rosa. Espetacular.

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O primero amuse da noite foi um gazpacho com manjericão macerado em azeite e mussarela de búfala. Outra que estará aqui no blog em breve.

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Em seguida creme de baroa feito com a água do camarão coroado pelo próprio camarão salteado com alho, pimenta rosa e coentro.

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O auge da noite, na minha opinião, foi a polentinha. Cremosa e saborosa em função do caldo de legumes caseiro, foi servida com uma gema crua de codorna e trufas negras. Absurdo.

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Outro ponto alto foi o chorizo português picante rapidamente salteado em frigideira com mel de figo, iguaria que não conhecia. Maravilhoso e um show de contrastes.

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Os principais foram três. O frango recheado com damasco e envolto em bacon ou presunto de parma veio com uma redução de mel, shoyu e suco de laranja.

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O bacalhau de forno vinha com cenouras, batatas e coroado por ovos batidos, parmesão e bastante azeite.

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Já os meus cogumelos foram servidos ao lado de escalopes de mignon com Aceto Balsâmico envelhecido.

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Nos vinhos, a foto mostra que a festa foi boa. Entre os espumantes destaque absoluto para o Salton Gerações Antônio Domenico Salton. Uma beleza de cor intensa e aromas bem interessantes. Nos tintos, fomos do Uruguai até a Austrália. Mas o destaque foram dois franceses. Um da região de Bordeaux, o Le Colombier de Brown. O outro foi o Le Château Musset Chevalier, um Saint Emilion Grand Cru. Espetacular.

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Espero ter inspirado os amigos e amigas leitores assim como fui pelo Chef Beto e seus confrades. Como disse, algumas das receitas em breve postarei aqui completinhas. Aqui a ideia foi só deixá-los com certa inveja. Uma boa semana a todos. Saúde!

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Paleta de Javali assada… Descubra parte dos segredos na longa jornada até Campos!

Comida nos faz cometer certas loucuras. Esta semana foi minha vez. Saí do trabalho rumo à rodoviária e peguei um ônibus para Campos onde mora meu irmão. Até aí tudo bem, mas as chuvas que causaram o caos no Rio na terça fizeram com que a viagem que normalmente dura quatro horas acabasse durando sete, sendo que o busão ficou parado pouco mais de duas horas no mesmo lugar. Desesperador, mas a recompensa seria boa: uma noite de belos vinhos coroada com a paleta de javali assada pelo Doutor e chef André.

As lascas da paleta de javali perfeitamente assada e coroada com o saboroso molho que ganhou toques de pimenta dedo de moça...

As lascas da paleta de javali perfeitamente assada e coroada com o saboroso molho que ganhou toques de pimenta dedo de moça…

O médico provou ser especialista também na cozinha. E misterioso também. Fui com a intenção de acompanhar o processo todo de preparação do javali, mas o chef André não abriu o jogo. Só que sou persistente e arranquei alguns detalhes que vou passar por aqui. A intenção agora é fazer na minha casa e aí sim ensinar todo o passo a passo. Enquanto não faço, vamos ver o que conseguimos arrancar.

Chef André ainda nos presenteou com batatinhas calabresa como entrada antes da paleta...

Chef André ainda nos presenteou com batatinhas calabresa como entrada antes da paleta…

De gosto mais forte do que a carne de porco convencional, o javali pede uma marinada. Estavam lá alho-poró, alecrim, tomilho, cebolas, cenouras, bastante alho, sal, pimenta do reino, salsinha, salsão e duas taças de vinho tinto. A paleta pesava cerca de 2,5 quilos. Coloque os legumes picados grosseiramente em um tabuleiro junto com o vinho e deixe na geladeira de um dia para o outro. Falam em 24 horas. Acho demais. A marinada e os legumes é que vão formar o molho depois.

Hora de ir para o forno em uma assadeira bem vedada com papel alumínio. Temperatura bem baixa, cerca de 160 graus. No mínimo três horas lá dentro. Não se pode ter pressa nesse preparo. A carne precisa soltar do osso. Chef André chegou com ela pré-assada durante estas três horas. Ela foi finalizada em forno alto, sem o alumínio por mais 40 minutos, mais ou menos.

Foram duas paletas que ficaram mais de três horas no forno baixo com os temperos e os legumes..

Foram duas paletas que ficaram mais de três horas no forno baixo com os temperos e os legumes..

Após o forno baixo, finalize em forno alto sem alumínio para deixar a casquinha crocante e caramelizada..

Após o forno baixo, finalize em forno alto sem alumínio para deixar a casquinha crocante e caramelizada..

Vamos ao molho. Após assar a paleta, leve ao fogo a assadeira com os legumes e jogue vinho tinto, caldo de legumes, pimenta dedo de moça e uma colherzinha de farinha de trigo para ajudar a engrossar. Deixe reduzir e passe tudo por uma peneira pressionando bem os legumes cozidos para que o sabor fique marcante. A essência é essa.

O acompanhamento do dia foi uma farofa bem completa. Mas cabe perfeitamente com um couscous marroquino simples ou com batatas assadas.

Antes de ser fatiada, a paleta na mesa com o molho servido separadamente e a farofa ao fundo... Delícia!

Antes de ser fatiada, a paleta na mesa com o molho servido separadamente e a farofa ao fundo… Delícia!

Tudo foi corado com uma bela seleção de vinhos. Passamos por Argentina, Chile, Estados Unidos e África do Sul. De todos, destaque para o blend Del Fin Del Mundo Gran Reserva 2006, o Hartenberg Cabernet Sauvignon/Shiraz 2005 e o frutado americano Chateau Ste Michelle Syrah 2009. Vinhos com personalidade e corpo para acompanhar a carne saborosa com molho de personalidade.

Noite de bela comida e também de belos vinhos.. Tudo harmonizado de maneira perfeita...

Noite de bela comida e também de belos vinhos.. Tudo harmonizado de maneira perfeita…

No fim, o sorriso estava estampado no rosto de todo mundo. Afinal de contas, não dá para não ficar feliz após um belo jantar e muito vinho. O sono dos justos veio no ônibus coroando a loucura direto do jantar. Às 3h começava a viagem de volta. Desta vez sem trânsito e com cansaço acumulado.

Depois de seis garrafas e muita comida, rolou até fanfarronice. No cenro, de blusa clara, o Chef André..

Depois de seis garrafas e muita comida, rolou até fanfarronice. No cenro, de blusa clara, o Chef André..

Espero que tenha dado para ter uma ideia de como fazer. Se não, a culpa é todinha do médico e chef André, que escondeu em sua cozinha de Campos os segredos dos leitores do Gastronomia por Esporte. Mas espero ter conseguido guiá-los e, como disse, prometo fazer minha versão em casa ainda este ano para colocar aqui. E, desta vez, sem longas e cansativas viagens de ônibus. Abraços e até a próxima!

Feliz 2013 para todos! A ceia do ano novo em fotos! Invejem!

Hoje não tem receitas e nem críticas. O primeiro post de 2013 tem como único objetivo deixar os amigos que acompanham o Gastronomia por Esporte com inveja. A ceia da virada organizada com a competência de sempre pela Dona Cavalierona contou com tudo que é necessário para trazer sorte e bons fluídos no ano novo.

Mesa posta, garfos na mão e muita comida para trazer sorte em 2013!

Mesa posta, garfos na mão e muita comida para trazer sorte em 2013!

Estava lá o bacalhau, este ano patrocinado por Dona Cilia, a avó da Luninha, outra grande cozinheira.

Bacalhau em postas, brócolis, cebola e purê de batata gratinado... Receita da vó da Luninha!

Bacalhau em postas, brócolis, cebola e purê de batata gratinado… Receita da vó da Luninha!

O arroz de lentilhas simplesmente espetacular com cebolas crocantes.

A receita da Dona Cavalierona.. Arroz de lentilhas maravilhoso com muita cebola crocante...

A receita da Dona Cavalierona.. Arroz de lentilhas maravilhoso com muita cebola crocante…

Lombinho, outra tradição.. O molho foi simplesmente devorado! Ao lado farofa de bacon e frutas secas…

O lombinho estava molhadinho e o próprio molho do cozimento foi servido a parte..

O lombinho estava molhadinho e o próprio molho do cozimento foi servido a parte..

Saladas… Tabule, peito de peru com abacaxi e milho (melhor que a do Gula Gula).

Peru, milho e abacaxi, salpicão de frango e tabule.. Para quem curte algo fresco e leve..

Peru, milho e abacaxi, salpicão de frango e tabule.. Para quem curte algo fresco e leve..

Este é o Frango braseado em frutas secas que aprendemos na aula com a Roberta Sudbrack…

Receita da Chef Roberta Sudbrack.. Frango Braseado em Frutas Secas.. O grande sucesso da noite!

Receita da Chef Roberta Sudbrack.. Frango Braseado em Frutas Secas.. O grande sucesso da noite!

Espumante não faltou a noite inteira. Muitas borbulhas, como vocês podem ver pelo cemitério das garrafas!

Valduga Arte, Cave Geisse, Chandon... Não faltaram borbulhas na casa!

Valduga Arte, Cave Geisse, Chandon… Não faltaram borbulhas na casa!

No fim das contas, o que vale é a alegria. Obrigado aos que vieram! A festa foi muito bonita e contou com muitas presenças ilustres!

Obrigado a todos que vieram! Grande virada e grande ano para todos vocês!

Obrigado a todos que vieram! Grande virada e grande ano para todos vocês!

Algumas das receitas eu postarei neste ano por aqui. Principalmente o frango e o arroz de lentilhas. No mais, amigos, um feliz ano novo para todos. Espero que tenham curtido o lançamento do blog. Eu pelo menos estou curtindo demais e em 2013 prometo algumas novidades.

Beijo em todos. Saúde, paz, luz e muita comida e bebida! Ah! Não custa lembrar que o Gastronomia por Esporte está no Twitter e no Instagram (@GastroEsporte)!

Um brinde à criatividade da Luninha e à simplicidade da Roberta Sudbrack na noite do prêmio – com surpresas!

#Porqueeuquerojantarna@RobertaSudbrack? Para matar o Instagram de inveja por que essa foto eles vão querer, mas não poderão vender!

Foi essa frase criada pela Luninha que me levou de volta em menos de um mês à casa de Roberta Sudbrack. A sua criatividade rendeu um jantar harmonizado para dois com cinco etapas no badalado – e com razão – restaurante. Venci a concorrência familiar, fui o escolhido e mais uma vez tive uma noite inesquecível com direito a uma surpresa inacreditável que vocês verão logo abaixo. E o melhor foi ver que minha empolgação foi compartilhada com a criativa Luninha, que ganhou seu primeiro concurso deste tipo na vida e, de quebra, vivenciou pela primeira vez uma experiência como essas!

É sempre especial entrar na casinha laranja. Tudo é pensado para você ter uma noite muito agradável. O atendimento do staff é impecável e a decoração austera e sucinta fazem o ambiente ficar leve. Sentamos na mesa que na minha opinião é a mais legal do restaurante. É uma diversão poder acompanhar toda a movimentação da cozinha através da “janela” circular.

Pela janela você acompanha o ballet da cozinha.. Ao lado o detalhe do painel com momentos da vida de Roberta Sudbrack e a decoração minimalista..

Pela janela você acompanha o ballet da cozinha.. Ao lado o detalhe do painel com momentos da vida de Roberta Sudbrack e a decoração minimalista..

Começamos a noite com o pãozinho da casa, quente e leve, manteiga com flor de sal e um salame artesanal que vem do sul do país cortado impecavelmente fino. O sabor forte e curado caiu bem com a cremosidade da manteiga.

A manteiga com flor de sal no pão caseiro e quente por si só já é perfeito.. Mas este salame artesanal é brincadeira!

A manteiga com flor de sal no pão caseiro e quente por si só já é perfeito.. Mas este salame artesanal é brincadeira!

Em seguida uma surpresinha. Em uma lata, uma simples castanha “crua” com broto e cacau para abrir o apetite. Minimalista como costumam ser as suas criações. Simplicidade é sempre o melhor. Entre os dois ainda tiveram os gougères, pães de queijo franceses levíssimos e maravilhosos que acabaram sendo devorados antes da foto. Perdão!

Castanha "crua", cacau e broto.. Simplicidade... A palavra chave que move a cozinha da Chef..

Castanha “crua”, cacau e broto.. Simplicidade… A palavra chave que move a cozinha da Chef..

O primeiro prato da noite foi um que sempre tive curiosidade em provar. E a expectativa foi cumprida. Trata-se de uma lichia recheada com terrine de foie gras e acompanhada de geléia de Tokaji, vinho típico da Hungria. Por sugestão da Chef, deve-se comer tudo de uma vez. E aí você entende os motivos. O azedinho da lichia é amenizado pelo docinho da geleia. No meio disso tudo, o foie denso e untuoso acaba harmonizando o prato. Para beber um espumante geladinho.

Uma bocada impecável... O contraste de sabores dos três componentes - lichia, foie e geleia de tokaji - é incrível..

Uma bocada impecável… O contraste de sabores dos três componentes – lichia, foie e geleia de tokaji – é incrível..

Em seguida Cherne em vinagrete de ora pró-nobis, folha típica de Minas. O peixe estava incrivelmente fresco e o vinagrete delicado combinando bem. Eu teria colocado um tiquinho a mais de sal, mas é uma questão pessoal. De repente poderia mascarar os demais sabores do prato. Ou seja, deixa para lá!

Vinagrete delicado e delicioso acompanhavam o cherne fresco e no ponto certo.. Só faltou um tico de sal para mim..

Vinagrete delicado e delicioso acompanhavam o cherne fresco e no ponto certo.. Só faltou um tico de sal para mim..

A segunda estrela da noite foi o terceiro prato. Um ravióli de cará. Ao ouvir isso você pode torcer o nariz. Afinal de contas, cará não é um tubérculo dos mais saborosos. No entanto, novamente a simplicidade impera e o conjunto faz algo aparentemente banal se tornar inesquecível. A massa caseira levíssima. Por cima, substituindo o parmesão, uma farofa de piracuí (um peixe seco) dava textura e sabor. Tudo isso servido sobre um caldo extremamente saboroso. Ah! E o cará? Vinha em forma de recheio cremoso harmonizando com os demais componentes. Sério, simplesmente maravilhoso. Ainda mais acompanhado de um vinho branco português fresco e geladinho.

Simplesmente impecável o ravióli de cará com piracuí.. Impecável e indescritível..

Simplesmente impecável o ravióli de cará com piracuí.. Impecável e indescritível..

Neste meio tempo a loucura da noite. Estávamos conversando sobre o prato. Luninha mais uma vez comentava a alegria de viver pela primeira vez a experiência de um jantar harmonizado quando reparo na escada e abro a boca ao olhar uma certa pessoa entrar direto para a cozinha pela porta de serviço. Luna me beliscou e disse: “Você viu? Ele deve estar maluco! Entrou na cozinha!”. Ainda boquiaberto falei delicadamente: “Você está de sacanagem? Não viu quem era?”. Diante da negativa esclareci: Claude Troisgros. Sim. O chef “Marravilha” estava jantando na mesma noite.

Ao retornar ao salão, a cara de pau foi maior. Agitada, Luna falou sobre a admiração que sinto por ele, sobre o blog, sobre a alegria de jantar lá… Confesso que estava intimidado, mas a simpatia de Claude faz com que isso desapareça. Ia pedir uma foto ao seu lado. Mas ele foi mais rápido e chamou sua mulher para tirar uma ao nosso lado. De arrepiar e, mais do que nunca, acho que está na hora de irmos conhecer o Olympe.

A surpresa da noite: Claude Troisgros... Uma simpatia de pessoa que nos deu um grande susto!

A surpresa da noite: Claude Troisgros… Uma simpatia de pessoa que nos deu um grande susto!

Mas voltemos ao RS. O prato principal foi Steak au Poivre. Comum, certo? Sim. Mas nada comparável ao que se encontra por aí. O molho não era aquele pesado com creme de leite. A base, aí é chute meu, era o demi glace, caldo de carne bem reduzido e temperado, que servia como base para um naco de mignon braseado e encrustado de pimentas.

Prato comum nos cardápios do Rio que provam como são feitos de maneira errada.. Um molho incrível..

Prato comum nos cardápios do Rio que provam como são feitos de maneira errada.. Um molho incrível..

O acompanhamento veio a parte: batatas croustillant com flor de sal. Crocantes por fora, e macias por dentro. Essas eu gostaria de saber como fazer. Neste ponto, o vinho era tinto e novamente português.

As batatas com flor de sal.. Crocante por fora, macia por dentro.. O acompanhamento perfeito..

As batatas com flor de sal.. Crocante por fora, macia por dentro.. O acompanhamento perfeito..

Para fechar a sobremesa. Latte cotto com frutas vermelhas. Trata-se de um creme gelado de baunilha com calda de frutas vermelhas e com elas por cima. Morangos, framboesas… Todas por lá fresquinhas e docinhas.

Frutas frescas com o geladinho do creme de baunilha... Coroou um belo jantar...

Frutas frescas com o geladinho do creme de baunilha… Coroou um belo jantar…

No fim, um prato de petit four com o famoso brigadeiro de colher. Mimos para finalizar uma noite incrível que ainda terminou com um abraço de agradecimento na chef dentro de sua EXTREMAMENTE QUENTE cozinha. Isso não tem preço.

A brincadeira da chef.. Seleção de petit fours incluindo o famoso brigadeiro de colher..

A brincadeira da chef.. Seleção de petit fours incluindo o famoso brigadeiro de colher..

Jantar na Roberta Sudbrack é uma experiência inesquecível. Na noite de quarta fomos contemplados na promoção cultural com o menu de cinco etapas, mas vai por mim, se for lá faça um planejamento e encare a sequência completa. Não é barato (sai por R$ 290), mas é incrível. Olhei para o lado e vi passar a ostra vegetal, a burrata com lardo, o palmito bebê, o pato no tucupi… A vontade era meter a mão! Mas oportunidades não vão faltar. Sabe por que? Por causa da Luninha.

O sorriso no rosto após a experiência me fez crer que ela irá querer me acompanhar novamente. E na próxima do início ao fim. Enquanto esse dia não chega, um brinde à sua criatividade com as palavras e à simplicidade da chef com os ingredientes. É isso o que importa! Ah! E sim, matamos todos de inveja no Instagram. Duvida? Vai lá e confere o @GastroEsporte!

Tragga: casa de carnes argentinas (excelentes) recém-aberta ainda precisa de alguns ajustes

A cirurgia de redução de estômago diminuiu muito a quantidade de comida no meu prato. Então, já que como pouco, que seja muito bem. Principalmente as carnes, o mais difícil para quem passou por esse tipo de intervenção. Não compensa mais para mim pagar um rodízio. Acabo comendo pouco e gastando muito. Então prefiro ir em casas de carne onde escolho um bom corte e aproveito com calma e sem a correria das churrascarias que antes ia com tanta regularidade. Dito isso, fui conhecer o novo endereço com estilo argentino de Botafogo: Tragga.

Com iluminação discreta, mas bem decorado, o salão estava movimentado e conta com um bar onde se pode esperar pela mesa..

Com iluminação discreta, mas bem decorado, o salão estava movimentado e conta com um bar onde se pode esperar pela mesa..

Aberto há pouco mais de duas semanas, o movimento tem sido intenso. Era uma sexta-feira, e esperamos mais de uma hora por uma mesa de quatro pessoas. Durante esse tempo, dei um passeio pela casa para ver a decoração bem bonita, a adega que compõe o salão, o movimentado bar e a cozinha aberta, que fica no segundo andar. Achei a iluminação baixa, mas nada que atrapalhasse. Outra curiosidade é o banheiro. As portas das cabines maculinas e femininas dão uma de frente para outra. Ou seja, se a mulher quiser falar mal o homem pode escutar tudo sem problemas. Caiu a fofoca!

A adega compõe bem a decoração do local e fica aberta para o público.. Repare na luz baixa...

A adega compõe bem a decoração do local e fica aberta para o público.. Repare na luz baixa…

Ainda na espera, provamos as empanadas salteñas (R$ 7). Vou te dizer. Estavam impecáveis. Recheio molhadinho, massa quente, leve e crocante. Perfeito para amenizar a fome e a irritação com a fila (sim, eu odeio fila). Depois, já sentados, pedimos o couvert que não é nada demais. Pães apenas corretos, pasta de roquefort, manteiga e azeite temperado (R$ 16 por pessoa, caro para o que é). Para complementar, pedi outra empanada, desta vez a de cordeiro (R$ 8). Dei azar com algo que pode, mas não deve acontecer. Um pedaço grande de cartilagem veio no meio do bem temperado recheio. Uma pena.

As empanadas salteñas estavam deliciosas. A de cordeiro acabou vindo com um pedaço de cartilagem..

As empanadas salteñas estavam deliciosas. A de cordeiro acabou vindo com um pedaço de cartilagem..

São boas as opções de entrada. Cairam bem com o primeiro vinho da noite, um Urban Uco Tempranillo 2010 (R$ 84). Frutado e jovem, o vinho foi uma boa opção na carta bem desenvolvida da casa com bons nomes e bons preços. Em outra oportundiade, pretendo voltar para provar a seção “Achuras” do cardápio, com os miúdos tão tradicionais na Argentina. Na mesa ninguém quis arriscar. Essa missão é para a Dona Cavalierona!

Urban Uco Tempranillo... O primeiro vinho da noite foi bem frutado e caiu bem com a entrada..

Urban Uco Tempranillo… O primeiro vinho da noite foi bem frutado e caiu bem com a entrada..

Vamos então para as carnes. São 11 opções de cortes que variam entre R$ 40 e R$ 50. A exceção é o Prime Rib, que sai por quase R$ 70. Éramos quatro e decidimos experimentar diferentes bifes feitos na parrilla comandada pelo Chef Juan Funes. Neste ponto, o mais importante para a casa, há poucas observações. Foram muito bem. Vou colocando as fotos.

Este é o bife Ancho. Macio, suculento e no ponto certo.

Bife Ancho.. Uma delícia.. Repare no ponto certo da carne...

Bife Ancho.. Uma delícia.. Repare no ponto certo da carne…

O mais alto é o Ojo de bife. Lembra um medalhão de filé mignon, mas é a parte nobre do contra-filé. Ou seja, não é tão macio quanto, mas o sabor estava delicioso. Neste caso, peça ao ponto que em função da altura ele já vem naturalmente mal passado.

Ojo de bife.. Corte alto que lembra mignon, mas é a parte central do contra filé.. Macio e suculento..

Ojo de bife.. Corte alto que lembra mignon, mas é a parte central do contra filé.. Macio e suculento..

O Chorizo estava apenas correto. No ponto certo, mas nada de excepcional.

O bife de Chorizo estava gosto, mas não no mesmo nível das demais.. Faltou umidade na farofa de ovo..

O bife de Chorizo estava gostoso, mas não no mesmo nível das demais.. Faltou umidade na farofa de ovo..

Por último o corte que dá nome ao restaurante: Bife Tragga. É outra variação do contra-filé com gordura entremeada que confere muita maciez ao bife, novamente grelhado no ponto certo.

O corte exclusivo da casa para mim foi o melhor.. Macio e com sabor equilibrado, me surpreendeu..

O corte exclusivo da casa para mim foi o melhor.. Macio e com sabor equilibrado, me surpreendeu..

A segunda botella foi o mais básico da vinícola Escorihuela Gascón. Um Syrah 2011 bem fresco com excelente preço (R$ 57).

O segundo vinho da  noite.. Escorihuela Gascón Syrah.. O mais básico da vinícola estava redondinho..

O segundo vinho da noite.. Escorihuela Gascón Syrah.. O mais básico da vinícola estava redondinho..

Agora o ponto que a cozinha derrapou: os acompanhamentos. Pedimos dois diferentes apenas, mas ambos muito abaixo do nível das carnes. A batata assada com manteiga de ervas (R$ 11) veio seca e com pouco recheio. Mais manteiga ajudaria no sabor e na umidade. Conversando com o Chef Juan, ele disse que uma porção extra é uma ideia que está sendo estudada. Já a farofa de ovos (R$ 10) também estava bastante seca. Uma pena. A lista de acompanhamentos conta com opções como purê de baroa, arroz maluco, legumes assados e uma cebola recheada que me deixou curioso… Estes não conferi.

Decepcionou.. Prato de preparo simples, a batata assada estava seca e com pouca qauntidade da saborosa manteiga..

Decepcionou.. Prato de preparo simples, a batata assada estava seca e com pouca qauntidade da saborosa manteiga..

Se nos acompanhamentos eles derraparam, na sobremesa deram a volta por cima com algo difícil de errar. Uma panqueca recehada com doce de leite argentino acompanhada de sorvete e amêndoas (R$ 18). Espetacular.

Ponto sensacional da noite.. Panqueca, doce de leite argentino e sorvete.. Um espetáculo..

Ponto sensacional da noite.. Panqueca, doce de leite argentino e sorvete.. Um espetáculo..

Outra observação que precisa ser feita é em relação ao atendimento. Imagino que seja em função do pouco tempo de abertura da casa, mas tudo estava extremamente confuso. Pedidos demoravam, garçons que não prestavam atenção nas mesas que os chamavam… Situações que só o tempo vai azeitar.

Chef Juan (o da direita) comanda o espaço bem apertado.. Ao fundo, ao lado do forno, a pequena parrilla...

Chef Juan (o da direita) comanda o espaço bem apertado.. Ao fundo, ao lado do forno, a pequena parrilla…

Resumindo, foi uma noite agradável. Os deslizes são em parte perdoáveis. O importante é que Botafogo ganhou mais uma grande opção para jantar e o Rio em geral uma nova casa de carnes. Chef Juan me disse ainda que a cozinha já tem planos para ampliar. A parrilla, vi de longe através do vidro, é muito pequena e nas palavras do próprio chef é feito milagre todos os dias em função do movimento intenso. Espero que na próxima vez seja ainda melhor! E eu voltarei. Até!

Tragga
– Rua Capitão Salomão – 74, Humaitá, Rio de Janeiro – RJ, (21) 3507-2235
Horário: Seg a qui, do meio-dia às 16h e das 19h à meia-noite. Sex e sáb, do meio-dia à 1h. Dom, das 13h às 19h.