Arquivo da categoria: Roberta Sudbrack

Da Roberta: a nova, saborosa e informal investida da chef

Pensando friamente, o cenário até outro dia era bem improvável. Lembra da Tubira, aquela ruela no Leblon repleta de oficinas que contrasta com o ~glamour~ da vizinha Dias Ferreira no Leblon? Pois é. Escoltada pelo sucesso do espaço da Jeffrey, a cerveja do pato, a recém-eleita melhor chef da América Latina Roberta Sudbrack escolheu uma antiga loja de reparos para inaugurar o Da Roberta, sua segunda casa na cidade.

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Esqueça a formalidade do RS. Esqueça também as elegantes e delicadas criações que a fizeram ser laureada com uma estrela no guia Michelin. A ideia ali é uma só: excelentes sanduíches em um clima informal para comer em pé com uma cerveja gelada na mão.

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Prova do novo conceito já é vista antes mesmo de fazer qualquer pedido na cozinha instalada em um caminhão. A decoração conta com luminárias que pendem do teto, grafites em todas as paredes e mobiliário modernoso. Nas caixas de som nada da sobriedade de sua premiada casa: boa seleção de pop e rock dos anos 80 e 90 nas alturas.

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Mas de nada adianta um clima convidativo se a comida não valer a pena. E em se tratando da Roberta é difícil este ponto não atender às expectativas. Abri os trabalhos com o pita recheado por falafel saboroso e crocante, alface, cenoura, pepino, molho de iogurte e uma berinjela surreal.

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O já famoso SudDog também marca presença por lá. Fez boa dupla com SudBeer, produzida em parceria com a Jeffrey logo ali ao lado. A gelada leva na receita cajá, tomilho e gengibre e, se não é exatamente leve como a já consagrada witbier Niña, se mostrou igualmente refrescante.

Uma das opções de acompanhamento são batatas fritas macias por dentro e crocantes por fora coroadas com um interessante aioli de urucum, reforçando a brasilidade que a chef gosta tanto de propagar.

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Para o final deixamos a estrela. Corte encontrado em qualquer esquina de Nova York, em vários pontos de São Paulo e praticamente inexistente no nosso Rio, o pastrami chegou com tudo. Molhadinho, temperado, desmanchando na boca, ele chega coberto por queijo, mostarda e emoldurado pelo maravilhoso pão da S.P.A. Pane. A foto não ajuda, mas vai por mim: estava delicioso.

Abaixo seguem os preços da casa que abre oficialmente para o público a partir desta quarta (16). Nos esbarramos por lá! Até a próxima! Saúde!

Da Roberta: Bar de Comida de Rua

Rua Tubira 8/loja A – Leblon

Tel: 21 – 22391103

Comida: – Dogs, linguiças, pitas e pastrami

Funcionamento: De Terça a Domingo de 12h às 22h

Forma de Pagamento: dinheiro ou cartão de débito (Visa e Mastercard)

Manobrista: Não possui. Estacionamento próximo

Preços

Dogs e linguiças

de R$18,00 a R$25,00

Pitas

De R$15,00 a R$26,00

Pastrami

De R$27,00 a R$29

Complementos

SudBatata frita com aioli de urucum –  R$9.00

Salada – R$12,00

Sobremesa

Bolo Molhado de chocolate – R$16,00

Obs: Como vocês perceberam: ele voltou… o nosso blog voltou! Sexta tem mais!

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O Picadinho de Roberta Sudbrack. Faça esse favor para você mesmo e vá conhecer!

Não preciso dizer novamente que sou fã da Roberta Sudbrack. Já fiz aula, já fui jantar, já reproduzi receitas inspiradas no que aprendi com ela… Mas na última sexta-feira vivi mais uma experiência na casa laranja: o picadinho. O prato que leva o nome do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é primoroso. Servido apenas no almoço das sextas, faz parte de um menu fechado que inclui salada e sobremesa. Como era sexta-feira santa, a segunda opção de menu tinha como prato principal o bacalhau que a chef aprendeu com sua vó Iracema. Mas chega de introduções. Vamos logo aos detalhes!

O RS.. A casinha laranja que chama atenção de qualquer um..

O RS.. A casinha laranja que chama atenção de qualquer um..

A tarde começou como sempre com o pão da casa quentinho, manteiga com flor de sal e o delicioso salame do sul do país cortado fininho. Tudo delicado e acompanhando um Cave Geisse Nature bem gelado (R$160).

Como éramos cinco e todos queriam provar todas as opções, foram dois menus do picadinho, que saiu por R$ 120, e três do bacalhau, que custava R$ 180. A salada do primeiro era de folhas bem frescas coroadas com um queijo de cabra gratinado que estava muito saboroso.

Mix de folhas com o queijo de cabra gratinado... Também bem harmonizado..

Mix de folhas com o queijo de cabra gratinado… Também bem harmonizado..

Já quem pediu o bacalhau foi presenteado com uma salada impecável. Chicória frisée com certo amargor que era balanceado com abóbora assada em cubos. Macia e docinha, a abóbora equilibrou o prato que continha ainda o salgadinho e a presença do parmigiano ralado.

Chicória frisée, cubos de abóbora docinhos, azeite e parmigiano... Tudo muito equilibrado..

Chicória frisée, cubos de abóbora docinhos, azeite e parmigiano… Tudo muito equilibrado..

Veio então o bacalhau. Cozido e em lascas, estava acompanhado por batatas assadas, cebolas caramelizadas no vinho do porto branco, fatias finíssimas e muito crocantes de pão, alho, brócolis e azeitonas. Novamente tudo em equilíbrio. A crocância do pão contrastava bem com a maciez da batata e do próprio peixe. Muito gostoso.

Saboroso, com contraste de texturas e temperado no ponto certo o bacalhau que homenageia a Vó Iracema!

Saboroso, com contraste de texturas e temperado no ponto certo o bacalhau que homenageia a Vó Iracema!

Mas não adianta. A estrela da sexta realmente foi o picadinho. Primeiro na apresentação. É muito legal tudo vir separado para você montar o seu prato. Arroz soltinho, banana crocante e muito doce e uma farofa de cenoura simplesmente espetacular. Novamente a simplicidade imperou. Manteiga na medida, muito gostosa mesmo.

A apresentação é bem bacana.. Tudo vem em potinhos e a estrela chega em uma cocotte da Le Creuset..

A apresentação é bem bacana.. Tudo vem em potinhos e a estrela chega em uma cocotte da Le Creuset..

Crocantes e bem docinhas, as bananas fazem parte do picadinho..

Crocantes e bem docinhas, as bananas fazem parte do picadinho..

Só que estes são os coadjuvantes. A estrela vem em uma cocotte da Le Creuset. Quando você tira a tampa lá está o ovo coroando o mignon cortado na ponta da faca e um molho aromático, rico e saboroso. Mas o ovo poché é tão bonito que te deixa meio hipnotizado. E o espetáculo de estourar e ver aquela gema quase laranja se misturando ao molho e deixando o prato realmente incrível é demais. Comendo você entende os motivos de o nosso ex-presidente ter segurado Roberta em sua cozinha por muito tempo.

O picadinho coroado com o ovo poché que é uma verdadeira estrela... Coisa de maluco..

O picadinho coroado com o ovo poché que é uma verdadeira estrela… Coisa de maluco..

Era chegada a hora das sobremesas. No menu do picadinho, um clássico: canelone de maçã com pistache e calda toffee. O crocante da massa dava a textura. O recheio doce contrastava com um caramelo quente e levemente salgado que estava impecável. Sim, eu abri mão do bolo abaixo pelo canelone.

Simples, delicado e impecável.. O canelone também é um show de sabores e contrastes..

Simples, delicado e impecável.. O canelone também é um show de sabores e contrastes..

O bolo? Era a sobremesa do segundo menu. Também já famoso, o bolo molhado é delicioso. Extremamente macio, derrete na sua boca e tem a potência dos chocolates Amma, da Bahia. A calda quente é algo a parte também. E a fatia é bastante generosa, perfeito para quem é maluco por chocolate.

Quente, cremoso e saboroso, o bolo molhado vem bem servido e é muito intenso..

Quente, cremoso e saboroso, o bolo molhado vem bem servido e é muito intenso..

No fim, junto com o café coado, os brigadeiros de colher. Para finalizar bem.

Não dá para terminar uma tarde ou uma noite no RS sem os brigadeiros...

Não dá para terminar uma tarde ou uma noite no RS sem os brigadeiros…

É barato? Não. Mas como já havia comentado em outras ocasiões, entrar na casa da Roberta Sudbrack é uma experiência imperdível para quem sente prazer pela comida. Portanto fica aqui a minha dica. Faça esse favor para você mesmo e vá um dia conhecer este picadinho. É certo de que você não irá se arrepender.

Mais informações, como vocês já sabem, sempre no Twitter e no Instagram (@GastroEsporte). Até a próxima! Beijos em todos! Ah! Lembrando que agora o Gastronomia por Esporte também está no Facebook! Cliquem e curtam a página! Por lá vocês vão conferir todas as novidades do blog! http://www.facebook.com/gastroesporte

Roberta Sudbrack
– Rua Lineu de Paula Machado, 916, Jardim Botânico, Rio de Janeiro – RJ – (21) 3874-0139
Horário: Terça a quinta, das 19h30m à meia-noite; Sexta, do meio-dia às 15h e das 20h30m à meia-noite; Sábado, das 20h30m à meia-noite

Tomates assados: fácil, rápido, delicioso e com a grife da chef Roberta Sudbrack

Outro dia no facebook da já querida Cris Corsso, que tive o prazer de conhecer pessoalmente na aula da chef Roberta Sudbrack (lembre aqui), vi uma foto de tomatinhos assados que me prendeu. Curioso, pedi a receita e ela disse que aprendeu justamente com a Roberta. Ou seja, sinônimo de coisa boa. Tudo anotado, fui para a cozinha e garanto: é simples, fácil e MARAVILHOSO. Os tomatinhos saem docinhos, temperados e acompanharam perfeitamente meu salmão grelhado e minha salada. Então anotem aí e façam em casa.

Coloquei os tomates por cima de uma salada verde e comi com um belo salmão grelhado e cru por dentro!

Coloquei os tomates por cima de uma salada verde e comi com um belo salmão grelhado e cru por dentro!

Você vai precisar de duas caixas de tomate cereja, o ideal é usar aquele sweet grape que é mais docinho, dentes de alho com casca (a quantidade aqui é aleatória, eu usei 20), ervas frescas (eu usei manjericão, alecrim e tomilho), sal, pimenta do reino, uma pitada de açúcar e bastante azeite (usei 200 ml mais ou menos até chegar na metade dos tomates). Ah! Para variar, piquei uma dedo de moça pequena sem sementes.

Bancada com os ingredientes.. Tudo separado e limpo para você começar a sua receita...

Bancada com os ingredientes.. Tudo separado e limpo para você começar a sua receita…

Coloque tudo em uma travessa, misture bem e forno! Mais simples impossível, não? A temperatura tem de estar bem alta. Deixei eles por 20 minutos no forno a 260 graus, ou seja, muito quente. Em seguida, baixei para 140 graus e deixei mais 10 minutos. Na etapa inicial o azeite chega a ferver.

Não há muito trabalho.. Depois de separar, basta colocar tudo em uma travesa e cobrir com o azeite...

Não há muito trabalho.. Depois de separar, basta colocar tudo em uma travesa e cobrir com o azeite…

Quando você tirar, os tomatinhos terão estourado e seu suco se misturado aos demais temperos. Uma coisa de maluco! Usei um fio desse azeite mesmo para grelhar o salmão que ficou do jeito que eu gosto: pele torradinha e interior bem mal passado. Mas eles cabem tranquilamente em cima de uma boa massa ou como um antepasto até mesmo ao lado de uma burrata. Perfeito, não? Vale muito fazer!

Esse é o resultado final.. Tomates assados, azeite saboroso e alho docinho saindo da casca...

Esse é o resultado final.. Tomates assados, azeite saboroso e alho docinho saindo da casca…

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Um brinde à criatividade da Luninha e à simplicidade da Roberta Sudbrack na noite do prêmio – com surpresas!

#Porqueeuquerojantarna@RobertaSudbrack? Para matar o Instagram de inveja por que essa foto eles vão querer, mas não poderão vender!

Foi essa frase criada pela Luninha que me levou de volta em menos de um mês à casa de Roberta Sudbrack. A sua criatividade rendeu um jantar harmonizado para dois com cinco etapas no badalado – e com razão – restaurante. Venci a concorrência familiar, fui o escolhido e mais uma vez tive uma noite inesquecível com direito a uma surpresa inacreditável que vocês verão logo abaixo. E o melhor foi ver que minha empolgação foi compartilhada com a criativa Luninha, que ganhou seu primeiro concurso deste tipo na vida e, de quebra, vivenciou pela primeira vez uma experiência como essas!

É sempre especial entrar na casinha laranja. Tudo é pensado para você ter uma noite muito agradável. O atendimento do staff é impecável e a decoração austera e sucinta fazem o ambiente ficar leve. Sentamos na mesa que na minha opinião é a mais legal do restaurante. É uma diversão poder acompanhar toda a movimentação da cozinha através da “janela” circular.

Pela janela você acompanha o ballet da cozinha.. Ao lado o detalhe do painel com momentos da vida de Roberta Sudbrack e a decoração minimalista..

Pela janela você acompanha o ballet da cozinha.. Ao lado o detalhe do painel com momentos da vida de Roberta Sudbrack e a decoração minimalista..

Começamos a noite com o pãozinho da casa, quente e leve, manteiga com flor de sal e um salame artesanal que vem do sul do país cortado impecavelmente fino. O sabor forte e curado caiu bem com a cremosidade da manteiga.

A manteiga com flor de sal no pão caseiro e quente por si só já é perfeito.. Mas este salame artesanal é brincadeira!

A manteiga com flor de sal no pão caseiro e quente por si só já é perfeito.. Mas este salame artesanal é brincadeira!

Em seguida uma surpresinha. Em uma lata, uma simples castanha “crua” com broto e cacau para abrir o apetite. Minimalista como costumam ser as suas criações. Simplicidade é sempre o melhor. Entre os dois ainda tiveram os gougères, pães de queijo franceses levíssimos e maravilhosos que acabaram sendo devorados antes da foto. Perdão!

Castanha "crua", cacau e broto.. Simplicidade... A palavra chave que move a cozinha da Chef..

Castanha “crua”, cacau e broto.. Simplicidade… A palavra chave que move a cozinha da Chef..

O primeiro prato da noite foi um que sempre tive curiosidade em provar. E a expectativa foi cumprida. Trata-se de uma lichia recheada com terrine de foie gras e acompanhada de geléia de Tokaji, vinho típico da Hungria. Por sugestão da Chef, deve-se comer tudo de uma vez. E aí você entende os motivos. O azedinho da lichia é amenizado pelo docinho da geleia. No meio disso tudo, o foie denso e untuoso acaba harmonizando o prato. Para beber um espumante geladinho.

Uma bocada impecável... O contraste de sabores dos três componentes - lichia, foie e geleia de tokaji - é incrível..

Uma bocada impecável… O contraste de sabores dos três componentes – lichia, foie e geleia de tokaji – é incrível..

Em seguida Cherne em vinagrete de ora pró-nobis, folha típica de Minas. O peixe estava incrivelmente fresco e o vinagrete delicado combinando bem. Eu teria colocado um tiquinho a mais de sal, mas é uma questão pessoal. De repente poderia mascarar os demais sabores do prato. Ou seja, deixa para lá!

Vinagrete delicado e delicioso acompanhavam o cherne fresco e no ponto certo.. Só faltou um tico de sal para mim..

Vinagrete delicado e delicioso acompanhavam o cherne fresco e no ponto certo.. Só faltou um tico de sal para mim..

A segunda estrela da noite foi o terceiro prato. Um ravióli de cará. Ao ouvir isso você pode torcer o nariz. Afinal de contas, cará não é um tubérculo dos mais saborosos. No entanto, novamente a simplicidade impera e o conjunto faz algo aparentemente banal se tornar inesquecível. A massa caseira levíssima. Por cima, substituindo o parmesão, uma farofa de piracuí (um peixe seco) dava textura e sabor. Tudo isso servido sobre um caldo extremamente saboroso. Ah! E o cará? Vinha em forma de recheio cremoso harmonizando com os demais componentes. Sério, simplesmente maravilhoso. Ainda mais acompanhado de um vinho branco português fresco e geladinho.

Simplesmente impecável o ravióli de cará com piracuí.. Impecável e indescritível..

Simplesmente impecável o ravióli de cará com piracuí.. Impecável e indescritível..

Neste meio tempo a loucura da noite. Estávamos conversando sobre o prato. Luninha mais uma vez comentava a alegria de viver pela primeira vez a experiência de um jantar harmonizado quando reparo na escada e abro a boca ao olhar uma certa pessoa entrar direto para a cozinha pela porta de serviço. Luna me beliscou e disse: “Você viu? Ele deve estar maluco! Entrou na cozinha!”. Ainda boquiaberto falei delicadamente: “Você está de sacanagem? Não viu quem era?”. Diante da negativa esclareci: Claude Troisgros. Sim. O chef “Marravilha” estava jantando na mesma noite.

Ao retornar ao salão, a cara de pau foi maior. Agitada, Luna falou sobre a admiração que sinto por ele, sobre o blog, sobre a alegria de jantar lá… Confesso que estava intimidado, mas a simpatia de Claude faz com que isso desapareça. Ia pedir uma foto ao seu lado. Mas ele foi mais rápido e chamou sua mulher para tirar uma ao nosso lado. De arrepiar e, mais do que nunca, acho que está na hora de irmos conhecer o Olympe.

A surpresa da noite: Claude Troisgros... Uma simpatia de pessoa que nos deu um grande susto!

A surpresa da noite: Claude Troisgros… Uma simpatia de pessoa que nos deu um grande susto!

Mas voltemos ao RS. O prato principal foi Steak au Poivre. Comum, certo? Sim. Mas nada comparável ao que se encontra por aí. O molho não era aquele pesado com creme de leite. A base, aí é chute meu, era o demi glace, caldo de carne bem reduzido e temperado, que servia como base para um naco de mignon braseado e encrustado de pimentas.

Prato comum nos cardápios do Rio que provam como são feitos de maneira errada.. Um molho incrível..

Prato comum nos cardápios do Rio que provam como são feitos de maneira errada.. Um molho incrível..

O acompanhamento veio a parte: batatas croustillant com flor de sal. Crocantes por fora, e macias por dentro. Essas eu gostaria de saber como fazer. Neste ponto, o vinho era tinto e novamente português.

As batatas com flor de sal.. Crocante por fora, macia por dentro.. O acompanhamento perfeito..

As batatas com flor de sal.. Crocante por fora, macia por dentro.. O acompanhamento perfeito..

Para fechar a sobremesa. Latte cotto com frutas vermelhas. Trata-se de um creme gelado de baunilha com calda de frutas vermelhas e com elas por cima. Morangos, framboesas… Todas por lá fresquinhas e docinhas.

Frutas frescas com o geladinho do creme de baunilha... Coroou um belo jantar...

Frutas frescas com o geladinho do creme de baunilha… Coroou um belo jantar…

No fim, um prato de petit four com o famoso brigadeiro de colher. Mimos para finalizar uma noite incrível que ainda terminou com um abraço de agradecimento na chef dentro de sua EXTREMAMENTE QUENTE cozinha. Isso não tem preço.

A brincadeira da chef.. Seleção de petit fours incluindo o famoso brigadeiro de colher..

A brincadeira da chef.. Seleção de petit fours incluindo o famoso brigadeiro de colher..

Jantar na Roberta Sudbrack é uma experiência inesquecível. Na noite de quarta fomos contemplados na promoção cultural com o menu de cinco etapas, mas vai por mim, se for lá faça um planejamento e encare a sequência completa. Não é barato (sai por R$ 290), mas é incrível. Olhei para o lado e vi passar a ostra vegetal, a burrata com lardo, o palmito bebê, o pato no tucupi… A vontade era meter a mão! Mas oportunidades não vão faltar. Sabe por que? Por causa da Luninha.

O sorriso no rosto após a experiência me fez crer que ela irá querer me acompanhar novamente. E na próxima do início ao fim. Enquanto esse dia não chega, um brinde à sua criatividade com as palavras e à simplicidade da chef com os ingredientes. É isso o que importa! Ah! E sim, matamos todos de inveja no Instagram. Duvida? Vai lá e confere o @GastroEsporte!

O ovo da Sudbrack! Suei, mas saiu e foi aprovado em reunião de amigos!

Sempre gostei de receber meus amigos em casa para um vinho e também para que eles pudessem servir como cobaia das minhas receitas. Mas agora tenho recebido convites para cozinhar na casa dos outros. É também um prazer enorme e tem a grande vantagem de não ter de me preocupar com louça (uma das coisas que mais detesto na vida). Sendo assim, panela, faca, alguns temperos, colher de pau e uma garrafinha (eu não cozinho de bico seco!) separadas… Vamos em frente. Além disso, após a inesquecível aula com Roberta Sudbrack, levo meu avental novo e o primeiro chapéu! Inspirado na chef, escolhi justamente o prato que aprendi naquela tarde para abrir os nossos trabalhos. Agora a missão é tentar passar para vocês: torrada com cogumelos e ovo poché.

A montagem é simples: torrada, cogumelos, ovo e, neste caso, o salame.. Receita simples, eficaz e muito gourmet...

A montagem é simples: torrada, cogumelos, ovo e, neste caso, o salame.. Receita simples, eficaz e muito gourmet…

Na cozinha é fundamental ter confiança e acreditar no que você pode fazer. Com isso na cabeça, comprei apenas seis ovos caipiras – éramos seis para o jantar. Ou seja? A conta exata. Não tinha espaço para falhas. Mas elas acabaram acontecendo. Se até Ivonete, a nossa fiel escudeira na casa da Roberta, errou, como eu vou passar impune? O fato me deixou tão irritado que nem a cerveja e a trilha sonora do anfitrião conseguiam me acalmar. Tivemos então de arrumar mais alguns para completar. E o importante é que no fim tudo deu certo. Então vamos em frente!

Duas questões são fundamentais nesse preparo. A primeira é a qualidade do ovo. Esqueça aquele branco do mercado e invista em um caipira. Ele será a estrela do prato. A segunda é a temperatura da água. Em uma panela grande, esquente uma boa quantidade de água com um pingo de vinagre. Não é para deixar ferver e sim esquentar até o ponto em que você consiga manter seu dedo dentro por uns 20 segundos. Neste momento coloque os ovos, previamente quebrados em um potinho para ver se não está estragado, um a um e dê uma mexida de leve na água apenas para eles não grudarem no fundo da panela (assumo: foi assim que perdi três ovos). Agora, amigos, é paciência. A temperatura deve ser mantida baixa. Esfriou? Liga o fogo. Esquentou? Desliga e joga um pouco de água em temperatura ambiente para amenizar. E sempre mexendo de leve. Depois de uns 15 minutos mais ou menos você vai ter essa beleza aí de baixo.

Sim.. Não ficou tão belo quanto o da Sudbrack, mas para a primeira vez deu orgulho!

Sim.. Não ficou tão belo quanto o da Sudbrack, mas para a primeira vez deu orgulho!

Vamos para as torradas. Simples. Pão de forma – no dia da aula ela cortou em formato redondo com um aro e eu acabei não fazendo isso -, manteiga e frigideira para tostar. Depois de pronta mantenha aquecida no forno até o momento de colocar no prato!

É legal grelhar o pão na frigideira ao invés de usar torradeira... A manteiga fica mais entranhada...

É legal grelhar o pão na frigideira ao invés de usar torradeira… A manteiga fica mais entranhada…

Agora os cogumelos (olha eles aí de novo!). O ideal é fazer um mix com shitake, shimeji, paris, cardoncelo… Mas como foi tudo resolvido em cima da hora, tive de ficar apenas no shitake, o único que tinha no mercado. Fatiar bem fino mesmo para ficar delicado no prato. O objetivo aqui é valorizar o sabor dele, mas não a ponto de ele “brigar” com o ovo. Panela bem quente mesmo, azeite, manteiga e os cogumelos (lembrando sempre que não se deve colocar grandes quantidades na frigideira). Sal, pimenta do reino e deixe refogar. Com ele já douradinho, junte um caldo de carne bem reduzido (farei a receita em post futuro do demi glace) apenas para soltar o fundo da panela e deixar mais cremoso. E é isso. Mais simples impossível!

Shitake já sem o talo e fatiado fino.. Importante o corte para não brigar com a delicadeza do ovo..

Shitake já sem o talo e fatiado fino.. Importante o corte para não brigar com a delicadeza do ovo..

Hora da montagem. Pegue a torrada quente e crocante, posicione os cogumelos fazendo um vulcãozinho para evitar que a ovo escorregue no prato. Entre com o ovo ali e  por cima disso, a fatia de lardo. Mas, como já havia dito, esta é uma iguaria italiana que eu nem pesquisei ainda onde comprar. Roberta disse que poderia ser substituída por parma ou jamón. Inacreditavelmente o mercado não tinha nenhum dos dois. Então neste dia o salgadinho foi dado com um salame hamburguês cortado fininho. E a finalização veio com sal rosa do Himalaia moído na hora.

Momentos antes de servir, é importante aquecer água e colocar nos ovos que estão repousando.. Assim voltam a ficar quentes para a finalização.. E com o kit Sudbrack!

Momentos antes de servir, é importante aquecer água e colocar nos ovos que estão repousando.. Assim voltam a ficar quentes para a finalização.. E com o kit Sudbrack!

A entrada foi acompanhada de espumante geladinho. Combinou muito bem, mas cabe fácil também com tinto, que veio logo depois. O prato principal conto depois qual foi. Enquanto o dia não chega, vai lá para cozinha e tenta! Qualquer dúvida pode tirar por aqui ou pelo Twitter! Até mais!

O prato por outro ânuglo.. Sente a gema momentos antes de estourar!

O prato por outro ânuglo.. Sente a gema momentos antes de estourar!

OBS: Agora o Gastronomia por Esporte também está no Instagram sempre buscando colocar fotos bacanas.. Confere lá! @GastroEsporte (igual ao perfil do Twitter!!!)

Uma tarde na cozinha de Roberta Sudbrack.. Simplicidade genial em uma experiência inesquecível..

Já falei de comida de rua, casas tradicionais, outras mais modernas, de japonês e também de uma confraria. Mas hoje vou mostrar pelo menos parte das entranhas deste que é o melhor restaurante  em que pisei na minha vida. Há certos momentos que ficam guardados para sempre na sua memória. E a minha lista ganhou um item a mais. Tive o privilégio de participar de uma edição fechada do T&D, curso no qual você passa um dia inteiro na cozinha da “casa” de Roberta Sudbrack. Uma aula teórica, seguida de outra prática e que no fim vira uma grande confraternização no mesão onde se aprecia tudo que preparou ao longo do dia.

Eu era um dos poucos calouros na turma de 24 pessoas. Eu e Dona Cavalierona. Admito que estávamos tensos. Chegamos antes da hora e aliviamos a ansiedade com um chope no bar ali pertinho. Ao entrar na famosa casinha laranja em que fica o restaurante de Sudbrack, recebemos o kit composto por avental, chapéu e a apostila com as receitas do dia. Pouco depois, fomos chamados para a cozinha. Pronto! Vai começar a festa.

Chegou o momento... Ao receber o kit ainda estava tomado pela ansiedade!

Chegou o momento… Ao receber o kit ainda estava tomado pela ansiedade!

Sentei na primeira fileira e a tensão aumentou. “A chef é brava”, diziam todos os tópicos do e-mail da organização. Lembrei da ansiedade que senti antes de entrevistar alguns personagens polêmicos do esporte. Dependendo do entrevistado, o nervosismo acaba na primeira resposta, e assim aconteceu com a chef, que nos tratou com carinho do início ao fim do dia. Dava vontade até de chamá-la por algum apelido. Só que ela segue sendo brava e está em sua casa. Portanto, é Chef!

Chef Roberta Sudbrack com a mão na massa.. Um privilégio acompanhar a movimentação de tão perto..

Chef Roberta Sudbrack com a mão na massa.. Um privilégio acompanhar a movimentação de tão perto..

Vê-la em ação de tão perto é enriquecedor e inspirador. E, pelas suas palavras, entendemos como receitas aparentemente simples transformam-se em pratos tão marcantes. O segredo? Respeitar os ingredientes, o modo de preparo, tratar tudo com carinho, dedicação e atenção, e, sobretudo, buscar sempre os melhores produtos. Como pode algo tão trivial como um spaghetti caseiro com molho de limão, azeite, salsinha e parmigiano coroado com um pão crocante ficar tão genial? E a delicadeza de um ovo poché que fica quase 15 minutos em água apenas morna, repousando até a hora de sair?

Já na cozinha, chama atenção o santuário montado.. Proteção nunca é demais!

Detalhes na cozinha… Chama atenção o santuário montado.. Proteção nunca é demais!

Deixamos a cozinha, voltamos ao salão e fomos tratados como cozinheiros. Nada de glamour. Misto frio e refrigerante, segundo Roberta o combustível de quem sofre diante das panelas. Já dá para usar seu bordão: “Quer ser cozinheiro?”. Talvez, mas vamos voltar para o seu quintal e encarar o local com temperatura alta, pressão e responsabilidade. Afinal de contas, vamos cozinhar para nós e para ela também. A turma é dividida em cinco grupos e cada um assume uma receita do menu. Não vou me ater hoje aos passos até porque reproduzirei todas em casa. Aí sim compartilho com vocês.

Como disse a Chef, cozinheiros comem misto frio por falta de tempo.. Nem tudo é glamour!

Como disse a Chef, cozinheiros comem misto frio por falta de tempo.. Nem tudo é glamour!

Caí nos cogumelos com ovo poché e lardo (uma iguaria italiana espetacular que ainda não pesquisei onde comprar) sobre torradinha. Prato extremamente delicado, que, se não envolve muita ação no decorrer do preparo, exige uma atenção incrível. Prova disso é que, após um erro na temperatura, acabamos perdendo meia dúzia de ovos caipiras de gema delicadíssima. Aqui faço uma confissão! Comi duas gemas purinhas coroadas com flor de sal em um potinho. Não consegui ver todas sendo jogadas fora! Antes disso, lá fui eu trabalhar com os cogumelos (é vício, lembram?). Estava fatiando muito fino. Mas o recado veio por cima do meu ombro curvado: “É mais fino, Rafael. Respeito com o ingrediente!”. Como disse, são os detalhes…

Íntimo dos cogumelos, mas não de cortá-los tão finos como pede o figurino do prato..

Íntimo dos cogumelos, mas não de cortá-los tão finos como pede o figurino do prato..

O clima é o melhor possível. Em meio ao calor e à pressão, a chef traz momentos de alívio e descontração ao colocar a música nas alturas. Rolou até trenzinho ao som de Los Hermanos. E eu não gosto de Los Hermanos (outra confissão.. perdão, chef!). E lá do outro lado estava igualmente empolgada a normalmente envergonhada Dona Cavalierona. Veja bem o poder do curso da chef perante os alunos.

Mas nem tudo é festa. Perto das 20h, chega o momento em que cada grupo vai finalizar seu prato. Me coloquei na linha de frente para saltear os cogumelos e posicioná-los sobre as torradas. Confesso que achei o máximo ver a cara de expectativa do grupo pela janela da cozinha. Da cozinha direto para a mesa, onde um branco francês fresquinho já me esperava. Minha etapa se encerrou: agora era comer!

Mesa pronta e meu prato servido após diversão e trabalho.. No detalhe, a Chef através da taça..

Mesa pronta e meu prato servido após diversão e trabalho.. No detalhe, a Chef através da taça..

Agora sim… O meu prato após muita dedicação!

Sim.. Eu finalizei essa beleza.. O lardo é essa fina película por cima do ovo que conferiu um sabor simplesmente inacreditável ao prato..

Sim.. Eu finalizei essa beleza.. O lardo é essa fina película por cima do ovo que conferiu um sabor simplesmente inacreditável ao prato..

Na sequência, a estrela da noite: robalo grelhado com couscous marroquinho de pimentões assados e passas coroado com um molho de manteiga e salsa simplesmente espetacular. Ainda rolou um repeteco no molho, que veio servido em um funil com dosador. A vontade era despejá-lo direto na minha boca!

Robalo mais fresco impossível grelhado com couscous e molho de manteiga.. Roubou a cena...

Robalo mais fresco impossível grelhado com couscous e molho de manteiga.. Roubou a cena…

O terceiro foi o grupo da Dona Cavalierona. Olha ela ali finalizando o nosso macarrão!

Com a mão na massa, Dona Cavalierona finaliza o nosso terceiro prato...

Com a mão na massa, Dona Cavalierona finaliza o nosso terceiro prato…

E agora o prato pronto. Como disse, são quatro ingredientes aparentemente banais que colocaram a receita em outro nível. A simplicidade que com carinho e dedicação se tornam geniais. Novo vinho. Outro branco, desta vez um italiano.

A simplicidade genial.. Spaghetti caseiro, limão, parmigiano, salsa, azeite e migas crocantes por cima.. Para que exageros?

A simplicidade genial.. Spaghetti caseiro, limão, parmigiano, salsa, azeite e migas crocantes por cima.. Para que exageros?

O último prato foi um frango braseado com frutas secas e arroz de lentinhas com cebola crocante. Roberta Sudbrack me fez comer damasco e passas, coisas que tenho muita implicância a ponto de catar. Mas um dos lemas de sua casa é: vá de mente aberta. E eu estava. Ao meu lado, o grande tricolor e escritor Mario Vitor, coincidência boa da noite, debatia como alguém podia dispensar aquela pele crocante do franguinho. Também não sei. A minha foi guardada para a última garfada, coroada com um tinto francês.

Frango braseado com frutas secas e arroz de lentinha.. A cebola crocante estava simplesmente incrível..

Frango braseado com frutas secas e arroz de lentinha.. A cebola crocante estava simplesmente incrível..

A sobremesa também foi inesquecível. Olha que não gosto de fruta do conde, mas ela gelada misturada em creme de leite, “duelando” com uma calda quente de morango com laranja e coroada por um disco crocante de massa harumaki, bom… aí é outra história. O chamado “Mergulho” é mesmo um show de contrastes.

Creme de fruta do conde gelado, morango quente e harumaki crocante.. Outro exemplo da incrível simplicidade..

Creme de fruta do conde gelado, morango quente e harumaki crocante.. Outro exemplo da incrível simplicidade..

No fim das contas, com sorriso no rosto, tive a certeza de que aquelas emoções valeram cada centavo investido. Diz Roberta, ou melhor, Chef, desculpa, mas já é a suposta intimidade, que em 2013 as aulas voltarão ao ritmo normal de uma vez por mês. Para quem gosta, procure saber e garanta seu lugar. Eu vou voltar, pode ter certeza disso. Deixei a casa com uma colher de pau autografada, meu primeiro chapéu e a certeza de que, por mais sacrificante que seja, a resposta é “sim” quando se ouve a sua famosa pergunta: “Quer ser cozinheiro?”. Nem que seja por apenas um dia!

Momento tiete.. Eu e Dona Cavalierona eternizamos o encontro com essa mestra da simplicidade.. Um dia inesquecível

Momento tiete.. Eu e Dona Cavalierona eternizamos o encontro com essa mestra da simplicidade.. Um dia inesquecível

Roberta Sudbrack
– Rua Lineu de Paula Machado, 916, Jardim Botânico, Rio de Janeiro – RJ – (21) 3874-0139
Horário: Terça a quinta, das 19h30m à meia-noite; Sexta, do meio-dia às 15h e das 20h30m à meia-noite; Sábado, das 20h30m à meia-noite