The Carioca: transformando um lobby de hotel em uma atração com boas ideias de petiscos e belas sobremesas

Em um primeiro momento o conceito parece inusitado. Afinal de contas, o lobby de um hotel acaba naturalmente se tornando uma rota de passagem. Mas por que não transformá-lo em uma atração a mais seja para o hóspede ou simplesmente para quem quiser tomar um drink e comer algo em um ambiente com ar condicionado de cara para a praia de Copacabana? Esta foi a ideia da cadeia JW Marriott ao inaugurar oficialmente – já estava em soft opening há dois meses – o The Carioca no lobby de sua unidade na Avenida Atlântica.

O ambiente é extremamente bem decorado, composto por mesas e cadeiras confortáveis e iluminados pela luz natural durante o dia, quando estive lá. Chama atenção também o lustre imponente que fica sobre o bar e remete ao mar já que é feito com material que se parece com conchas.

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Passada a estranheza inicial, como disse é um lobby por onde passam hóspedes e também participantes de possíveis eventos, fomos ao cardápio desenvolvido pelo chef paulista de formação francesa Ramiro Bertassin. Apesar do nome em inglês, talvez herança da cadeia de hotéis americana, dá para sentir um pedaço do Rio seja pela roupa dos garçons, com blusas listradas e chapéus, ou mesmo pelos porta copos com imagens da cidade que podem ser levados para casa pelos clientes.

Chama atenção também a quantidade de ingredientes e conceitos brasileiros. Segundo o próprio chef, muitas das criações foram frutos de andanças pela cidade e pela praia. Primeira prova disso é o biscoito de polvilho. Em formato de grissini, ganhou páprica que confere cor e notas picantes sem perder a característica do Globo que se come nas areias.

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Quer mais uma? O queijo coalho tem o mesmo queimadinho das churrasqueiras, mas vem coroado por geleia de cachaça e uma couve crocante. Ou seja, você tem salgado, doce, defumado e um toque de amargor dado pela couve. Bem interessante.

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No copo, o drink The Carioca faz bonito. Leva maracujá, guaraná, cachaça e hortelã. Refrescante e com o nível de álcool no ponto certo. Opção não alcoólica, a Grape Lemonade é uma boa escolha para quem for o motorista da rodada, mas quiser beber algo diferente. Provamos também o ceviche que manteve a receita clássica sem grandes invencionices. Fresco e bem feito.

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Em seguida, vieram as bruschettas de cogumelos com brie gratinado. A única ressalva que faço é o fato de o pão não ter vindo tão crocante. De resto, o sabor estava impecável. Cogumelos frescos que contrastaram bem com o queijo que chegou com um toque defumado do brulée.

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Das criações mais leves para as frituras. O bolinho de arroz com gruyere e carne seca foi muito interessante e é um item que irá entrar no cardápio. O aipim frito trufado veio macio e com o óleo sem mascarar o seu sabor. O mesmo não posso dizer dos pastéis. Provamos o de carne seca com queijo que poderia ter vindo mais recheado e crocante. De bom o vinagrete com azeite de pimenta deu um toque bem gostoso.

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Mas quem se sobressaiu de vez nesta leva foi o croquete de pupunha. Espetacular. Crocante por fora e cremoso e saboroso por dentro. Apesar de ser um creme, ainda se sente a textura firme do pupunha e seu sabor ligeiramente adocicado. O complemento é uma muito bem feita geleia de pimenta.

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Fomos então para os sanduíches. Provamos o hambúrguer de rabada, feito com a carne desfiada. Estava bem saboroso, bem temperado e vinha com brotos de beterraba e pimenta biquinho. Ou seja, bom contraste de sabores. Já os sliders de pupunha foram uma ideia perfeita para aproveitar novamente um dos melhores petiscos da noite: o croquete. Na base uma passada de mostarda de dijon traz o picante que forma bom contraste com o salgado de tom adocicado que faz as vezes de carne e com a mussarela de búfala. Os dois sanduíches vieram em um pão de milho leve e com erva doce.

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As sobremesas foram um desbunde. Como disse, a formação do Ramiro é em pâtisserie e aqui ele se destaca sem qualquer irregularidade. Primeiro a Brasileirinha, levíssima mousse de chocolate com cachaça com creme de cajá e crumble de castanha. Como diz o nome, nada pode ser mais brasileiro. A cachaça se faz presente, mas sem dominar o doce.

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Os bolinhos de chuva chegam fofinhos e com três opções de calda: chocolate, melaço de cana e um doce de leite caseiro que leva cumaru que chamou muita atenção pela leveza, cremosidade e sabor. Este doce, aliás, forma a base da versão de Ramiro para o clássico francês creme brulée. Muito gostoso. Por fim, provamos ainda a queijadinha com frutas vermelhas que não me pegou ainda mais depois desta sequência.

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Todas as porções provadas, como visto nas fotos, são para dividir. Esta é a proposta da casa. E os preços ficam entre R$ 25 e R$ 40. Os drinks ficam até R$ 30. A casa conta também com cervejas artesanais brasileiras e algumas importadas.

Infelizmente não sobrou espaço para os pratos principais, mas o Brasil se faz presente no confit de galinha com quiabo ou na costela de tambaqui. Vou ter de voltar para experimentar. Afinal de contas, um lobby de hotel nunca foi tão atrativo. Mais informações sempre na página do Facebook, E no Instagram (@GastroEsporte)

The Carioca
Todos os dias – 06h às 0h – (21) 2545-6551/2545-6557
JW Marriott – Avenida Atlântica, 2600 – Lobby.

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