Arquivo mensal: dezembro 2012

Uma tarde na cozinha de Roberta Sudbrack.. Simplicidade genial em uma experiência inesquecível..

Já falei de comida de rua, casas tradicionais, outras mais modernas, de japonês e também de uma confraria. Mas hoje vou mostrar pelo menos parte das entranhas deste que é o melhor restaurante  em que pisei na minha vida. Há certos momentos que ficam guardados para sempre na sua memória. E a minha lista ganhou um item a mais. Tive o privilégio de participar de uma edição fechada do T&D, curso no qual você passa um dia inteiro na cozinha da “casa” de Roberta Sudbrack. Uma aula teórica, seguida de outra prática e que no fim vira uma grande confraternização no mesão onde se aprecia tudo que preparou ao longo do dia.

Eu era um dos poucos calouros na turma de 24 pessoas. Eu e Dona Cavalierona. Admito que estávamos tensos. Chegamos antes da hora e aliviamos a ansiedade com um chope no bar ali pertinho. Ao entrar na famosa casinha laranja em que fica o restaurante de Sudbrack, recebemos o kit composto por avental, chapéu e a apostila com as receitas do dia. Pouco depois, fomos chamados para a cozinha. Pronto! Vai começar a festa.

Chegou o momento... Ao receber o kit ainda estava tomado pela ansiedade!

Chegou o momento… Ao receber o kit ainda estava tomado pela ansiedade!

Sentei na primeira fileira e a tensão aumentou. “A chef é brava”, diziam todos os tópicos do e-mail da organização. Lembrei da ansiedade que senti antes de entrevistar alguns personagens polêmicos do esporte. Dependendo do entrevistado, o nervosismo acaba na primeira resposta, e assim aconteceu com a chef, que nos tratou com carinho do início ao fim do dia. Dava vontade até de chamá-la por algum apelido. Só que ela segue sendo brava e está em sua casa. Portanto, é Chef!

Chef Roberta Sudbrack com a mão na massa.. Um privilégio acompanhar a movimentação de tão perto..

Chef Roberta Sudbrack com a mão na massa.. Um privilégio acompanhar a movimentação de tão perto..

Vê-la em ação de tão perto é enriquecedor e inspirador. E, pelas suas palavras, entendemos como receitas aparentemente simples transformam-se em pratos tão marcantes. O segredo? Respeitar os ingredientes, o modo de preparo, tratar tudo com carinho, dedicação e atenção, e, sobretudo, buscar sempre os melhores produtos. Como pode algo tão trivial como um spaghetti caseiro com molho de limão, azeite, salsinha e parmigiano coroado com um pão crocante ficar tão genial? E a delicadeza de um ovo poché que fica quase 15 minutos em água apenas morna, repousando até a hora de sair?

Já na cozinha, chama atenção o santuário montado.. Proteção nunca é demais!

Detalhes na cozinha… Chama atenção o santuário montado.. Proteção nunca é demais!

Deixamos a cozinha, voltamos ao salão e fomos tratados como cozinheiros. Nada de glamour. Misto frio e refrigerante, segundo Roberta o combustível de quem sofre diante das panelas. Já dá para usar seu bordão: “Quer ser cozinheiro?”. Talvez, mas vamos voltar para o seu quintal e encarar o local com temperatura alta, pressão e responsabilidade. Afinal de contas, vamos cozinhar para nós e para ela também. A turma é dividida em cinco grupos e cada um assume uma receita do menu. Não vou me ater hoje aos passos até porque reproduzirei todas em casa. Aí sim compartilho com vocês.

Como disse a Chef, cozinheiros comem misto frio por falta de tempo.. Nem tudo é glamour!

Como disse a Chef, cozinheiros comem misto frio por falta de tempo.. Nem tudo é glamour!

Caí nos cogumelos com ovo poché e lardo (uma iguaria italiana espetacular que ainda não pesquisei onde comprar) sobre torradinha. Prato extremamente delicado, que, se não envolve muita ação no decorrer do preparo, exige uma atenção incrível. Prova disso é que, após um erro na temperatura, acabamos perdendo meia dúzia de ovos caipiras de gema delicadíssima. Aqui faço uma confissão! Comi duas gemas purinhas coroadas com flor de sal em um potinho. Não consegui ver todas sendo jogadas fora! Antes disso, lá fui eu trabalhar com os cogumelos (é vício, lembram?). Estava fatiando muito fino. Mas o recado veio por cima do meu ombro curvado: “É mais fino, Rafael. Respeito com o ingrediente!”. Como disse, são os detalhes…

Íntimo dos cogumelos, mas não de cortá-los tão finos como pede o figurino do prato..

Íntimo dos cogumelos, mas não de cortá-los tão finos como pede o figurino do prato..

O clima é o melhor possível. Em meio ao calor e à pressão, a chef traz momentos de alívio e descontração ao colocar a música nas alturas. Rolou até trenzinho ao som de Los Hermanos. E eu não gosto de Los Hermanos (outra confissão.. perdão, chef!). E lá do outro lado estava igualmente empolgada a normalmente envergonhada Dona Cavalierona. Veja bem o poder do curso da chef perante os alunos.

Mas nem tudo é festa. Perto das 20h, chega o momento em que cada grupo vai finalizar seu prato. Me coloquei na linha de frente para saltear os cogumelos e posicioná-los sobre as torradas. Confesso que achei o máximo ver a cara de expectativa do grupo pela janela da cozinha. Da cozinha direto para a mesa, onde um branco francês fresquinho já me esperava. Minha etapa se encerrou: agora era comer!

Mesa pronta e meu prato servido após diversão e trabalho.. No detalhe, a Chef através da taça..

Mesa pronta e meu prato servido após diversão e trabalho.. No detalhe, a Chef através da taça..

Agora sim… O meu prato após muita dedicação!

Sim.. Eu finalizei essa beleza.. O lardo é essa fina película por cima do ovo que conferiu um sabor simplesmente inacreditável ao prato..

Sim.. Eu finalizei essa beleza.. O lardo é essa fina película por cima do ovo que conferiu um sabor simplesmente inacreditável ao prato..

Na sequência, a estrela da noite: robalo grelhado com couscous marroquinho de pimentões assados e passas coroado com um molho de manteiga e salsa simplesmente espetacular. Ainda rolou um repeteco no molho, que veio servido em um funil com dosador. A vontade era despejá-lo direto na minha boca!

Robalo mais fresco impossível grelhado com couscous e molho de manteiga.. Roubou a cena...

Robalo mais fresco impossível grelhado com couscous e molho de manteiga.. Roubou a cena…

O terceiro foi o grupo da Dona Cavalierona. Olha ela ali finalizando o nosso macarrão!

Com a mão na massa, Dona Cavalierona finaliza o nosso terceiro prato...

Com a mão na massa, Dona Cavalierona finaliza o nosso terceiro prato…

E agora o prato pronto. Como disse, são quatro ingredientes aparentemente banais que colocaram a receita em outro nível. A simplicidade que com carinho e dedicação se tornam geniais. Novo vinho. Outro branco, desta vez um italiano.

A simplicidade genial.. Spaghetti caseiro, limão, parmigiano, salsa, azeite e migas crocantes por cima.. Para que exageros?

A simplicidade genial.. Spaghetti caseiro, limão, parmigiano, salsa, azeite e migas crocantes por cima.. Para que exageros?

O último prato foi um frango braseado com frutas secas e arroz de lentinhas com cebola crocante. Roberta Sudbrack me fez comer damasco e passas, coisas que tenho muita implicância a ponto de catar. Mas um dos lemas de sua casa é: vá de mente aberta. E eu estava. Ao meu lado, o grande tricolor e escritor Mario Vitor, coincidência boa da noite, debatia como alguém podia dispensar aquela pele crocante do franguinho. Também não sei. A minha foi guardada para a última garfada, coroada com um tinto francês.

Frango braseado com frutas secas e arroz de lentinha.. A cebola crocante estava simplesmente incrível..

Frango braseado com frutas secas e arroz de lentinha.. A cebola crocante estava simplesmente incrível..

A sobremesa também foi inesquecível. Olha que não gosto de fruta do conde, mas ela gelada misturada em creme de leite, “duelando” com uma calda quente de morango com laranja e coroada por um disco crocante de massa harumaki, bom… aí é outra história. O chamado “Mergulho” é mesmo um show de contrastes.

Creme de fruta do conde gelado, morango quente e harumaki crocante.. Outro exemplo da incrível simplicidade..

Creme de fruta do conde gelado, morango quente e harumaki crocante.. Outro exemplo da incrível simplicidade..

No fim das contas, com sorriso no rosto, tive a certeza de que aquelas emoções valeram cada centavo investido. Diz Roberta, ou melhor, Chef, desculpa, mas já é a suposta intimidade, que em 2013 as aulas voltarão ao ritmo normal de uma vez por mês. Para quem gosta, procure saber e garanta seu lugar. Eu vou voltar, pode ter certeza disso. Deixei a casa com uma colher de pau autografada, meu primeiro chapéu e a certeza de que, por mais sacrificante que seja, a resposta é “sim” quando se ouve a sua famosa pergunta: “Quer ser cozinheiro?”. Nem que seja por apenas um dia!

Momento tiete.. Eu e Dona Cavalierona eternizamos o encontro com essa mestra da simplicidade.. Um dia inesquecível

Momento tiete.. Eu e Dona Cavalierona eternizamos o encontro com essa mestra da simplicidade.. Um dia inesquecível

Roberta Sudbrack
– Rua Lineu de Paula Machado, 916, Jardim Botânico, Rio de Janeiro – RJ – (21) 3874-0139
Horário: Terça a quinta, das 19h30m à meia-noite; Sexta, do meio-dia às 15h e das 20h30m à meia-noite; Sábado, das 20h30m à meia-noite

Manekineko: a casa responsável por me aventurar no mundo japa!

Nunca gostei de comida japonesa. Cheguei a tentar algumas vezes, mas a minha resistência era maior do que a cabeça aberta. E a cara de espanto das pessoas que ouviam a negativa quando mandavam “E aí, vamo comer um japa hoje?” – frase essa que por sinal já virou quase um bordão – era imensa. Na mesma proporção de quando digo que não como camarão. Mas de uns tempos para cá, resolvi tentar encarar os peixes crus e afins. E um dos grandes responsáveis por isso se chama Manekineko.

A fachada da filial da Dias Ferreira que costuma sempre ter fila na porta...

A fachada da filial da Dias Ferreira que costuma sempre ter fila na porta…

Gosto da casa e cada vez mais tenho me arriscado experimentando novos pratos. Mas já faço logo uma ressalva de cara: não como absolutamente nada que tenha aquela alga, uma das coisas mais intragáveis que já vi. Koni nem pensar! E o bom do Manekineko, além do frescor dos peixes, é que existem muitas opções modernas que fogem do tradicional Hot Philadelphia. Pensando nisso, eu e Luninha abrimos mão do bem completo rodízio e fomos no à la carte. Para começar o brinde com um Chandon Brut Rosé geladinho. Nada de sakê por hoje.

Borbulhas geladas de um chandon rosé... Caiu bem para acompanhar o japa..

Borbulhas geladas de um chandon rosé… Caiu bem para acompanhar o japa..

Começamos a noite com uma cortesia do restaurante, o que é uma tradição, assim como as toalhinhas quentes para limpar as mãos (não fiz foto, o foco é na comida!). Neste caso uma dupla de berinjela grelhada recheada com atum. Estava gostoso, mas nada de excepcional. O teriaki deu um toque bacana.

A cortesia da casa: berinjela quente com atum e teriaki..

A cortesia da casa: berinjela quente com atum e teriaki..

Na sequência uma das abrasileiradas que tanto curto no Manekineko – fomos no do Leblon, mas o restaurante conta com unidades na Barra, Ipanema, Tijuca e Humaitá. O tartar de salmão, bem fresco e temperado, veio servido em finas e crocantes fatias de aipim. Combinação muito gostosa mesmo.

Chips de aipim e tartar de salmão.. Mistura com toque brasileiro bem interessante...

Chips de aipim e tartar de salmão.. Mistura com toque brasileiro bem interessante…

A outra inovação veio em seguida. Pizza de atum. Em massa de harumaki, a do rolinho primavera, cortadas em triângulos, o atum vem repousado em cima de um leve creme de wasabi que faz as vias de molho. Sim.. É para qualquer japonês torcer o nariz. Mas se você quiser arriscar pode ir tranquilo. Estava bem gostoso. E tome goles gelados do espumante.

Outra invenção diferente do Manekineko: a pizza de atum com creme de wasabi..

Outra invenção diferente do Manekineko: a pizza de atum com creme de wasabi..

Pedimos ainda algo que está entre meus favoritos: roast beef de salmão e de atum (escrevo como no cardápio porque para mim é rosbife mesmo!!!). A peça vem levemente grelhada, o que confere um sabor diferente ao tradicional. Gengibre, wasabi e shoyu… Quero mais nada.

Roast Beef de salmão e de atum.. Levemente grelhado e com mix de gergelim..

Roast Beef de salmão e de atum.. Levemente grelhado e com mix de gergelim..

Na mesma leva veio a decepção da noite. Uma dupla chamada Salmão Tartar. Trata-se de um rolinho de salmão fresco coroado com um tartar que leva cream chesse supostamente para conferir cremosidade. Estava pesado e acabou mascarando os demais sabores.

Salmão fresco com um tartar cremoso por cima.. A derrapada da noite no Manekineko..

Salmão fresco com um tartar cremoso por cima.. A derrapada da noite no Manekineko..

A noite se encerrou com um pirulito de salmão defumado, outra criação que foge do tradicional, mas que serviu para coroar o agradável jantar. Molhadinho no teriaki não teve erro.

Ideia interessante.. O defumado do salmão caiu bem com o cream cheese temperado..

Ideia interessante.. O defumado do salmão caiu bem com o cream cheese temperado..

Como disse no início, você pode optar pelo rodízio (R$ 70). Não faltam entradinhas, como variados harumakis, e pratos quentes, como os espetinhos diversos, além de um leque grande de opções de sushis, temakis e rolls. Não era nossa vibe nesse dia. No fim, a conta deu R$ 230, incluindo o espumante de R$ 89. Salgadinho como shoyu, mas justo pelo que comemos. E eu sigo em busca de novas experiências japas, agora com a mente aberta. Tudo isso para não sofrer bullying quando surgir o novo convite. Mas sem alga por favor!

Manekineko Leblon
– Rua Dias Ferreira, 410, Leblon, Rio de Janeiro – RJ – (21) 2540-7461 / (21) 2540-7424
Horário: Diariamente, do meio-dia ao último cliente

Um intruso na Confraria: vinhos, muita comida, bullying e o “pedido” de noivado!

Amigos de longa data, espumantes, brancos e tintos rolando sem parar, comida espetacular do início ao fim e um penetra! No caso eu mesmo. Este foi o resumo do último encontro de 2012 da Confraria da qual minha sogra Marcia participa. Acabei me tornando um agregado e terminei a tarde com um pedido de noivado após livre e espontânea pressão. Mas isso falo lá na frente. Vou reproduzir algumas fotos com grandes ideias para os amigos repetirem em casa, principalmente em termos de entradinhas. Receitas, infelizmente não temos com precisão. Mas espero que no próximo encontro o chef Beto revele alguma para a gente.

A primeira visão da festa era essa: viúvas descansando em banho de gelo... Prenúncio de uma grande tarde!

A primeira visão da festa era essa: viúvas descansando em banho de gelo… Prenúncio de uma grande tarde!

Entre os antepastos, salmão defumado com um creme fresco e saboroso. Cebolinha e limão faziam parte. Ideia sempre clássica e eficaz. Abobrinhas e beringelas grelhadas com azeite, alho picado, dedo de moça entre outros temperos. Maravilha também. Grissinis de vegetais com dip de geleia de pimenta. A mesa seguia com parma fininho e um doce de figo, alternativa legal para a fruta fresca. Vagens al dente também se faziam presentes para molhar em um espetacular dip de mostarda, balsâmico, alho e novamente a dedo de moça. Ainda tinham pimentões assados e marinados em azeite e um rosbife fininho e rosa por dentro, do jeito que eu curto.

Como descrevi acima, foi uma bela mesa de entradas e com ideias criativas..

Como descrevi acima, foi uma bela mesa de entradas e com ideias criativas..

Mas a grande estrela do antepasto é um clássico sempre legal de se ver e comer. Barquetes feitas com folhas de endívias recheadas com um creme de gorgonzola e coroada com cubos crocantes de bacon. Rolou até um close!

Um close nas endívias com gorgonzola e bacon... Texturas e sabores fantásticos..

Um close nas endívias com gorgonzola e bacon… Texturas e sabores fantásticos..

Para beber? Espumantes bem gelados: Valduga 130, Miolo Millésime, Salton Volpi, Cave Geisse Nature e Freixenet Cordon Negro. Tiveram brancos também como Viu Manent Gran Reserva, um Morandé Edicion Limitada e um excelente Pouilly Fumé.

Seguimos para os quentes. Lá na churrasqueira estava o Beto sem aceitar ajuda de ninguém. “Defumado”, nosso chef nos serviu sardinhas portuguesas na brasa dignas do Recanto das Concertinas, no (a) Cadeg. Servidas com cebolas e batatas assadas no mesmo local e bastante azeite. Não precisa de mais nada.

Sardinhas portuguesas feitas na brasa.. Azeite e carvão... Precisa de mais o que?

Sardinhas portuguesas feitas na brasa.. Azeite e carvão… Precisa de mais o que?

O banquete seguiu com um belo lombo de salmão temperado com alecrim e um toque de alho também assado na brasa, mas desta vez em cima de uma pedra que manteve a integridade do peixe, mas não impediu de receber o sabor da churrasqueira. O acompanhamento eram aspargos brancos e verdes fresquinhos e grelhados em chapa de ferro.

E cada vez mais comida.. Desta vez Salmão ao lado de aspargos brancos e verdes em chapa de ferro..

E cada vez mais comida.. Desta vez Salmão ao lado de aspargos brancos e verdes em chapa de ferro..

Acabou? Nada disso. Vamos aos pratos mais substanciosos e aos tintos mesmo em uma tarde de sol e calor. Risoto carreteiro: adaptação da receita gaúcha com estilo italiano. Assim que souber os ingredientes certinhos tentarei fazer em casa. Delícia.

Risoto carreteiro.. Receita gaúcha feita de maneira italiana... Essa ideia vou roubar!

Risoto carreteiro.. Receita gaúcha feita de maneira italiana… Essa ideia vou roubar!

Entre os tintos, excelentes opções, mas o close vai em um só: Saint Felicien Tributo al 2º Centenario, da Catena Zapata. Além de ser maravilhoso, foi o vinho que desencadeou o bullying violento que sofri. Aos que não sabem, fiz cirurgia bariátrica e já pesei 160 quilos. Nem nessa época fui tão massacrado! Tudo porque ainda não assumi a Luna como noiva. Participei de um julgamento mais duro que o do Mensalão. A foto está aí. Olha a pressão!

O vinho do Bullying.. Nunca sofri tanto.. Aí começou a perseguição!

O vinho do Bullying.. Nunca sofri tanto.. Aí começou a perseguição!

Mas voltemos ao almoço. Chegamos finalmente ao prato principal. E se soubesse que estaria tão espetacular teria comido um pouco menos antes, afinal de contas meu estômago é pequeno e tudo tem de ser dosado. Uma paleta de porco assada em forno baixo por mais de seis horas que dava para comer sem faca. O acompanhamento? Maçã verde e abacaxi caramelizados e uma abóbora com gorgonzola, nozes e alecrim.

Paleta assada em forno baixo e a abóbora... Acabei infelizmente não fotografando as maçãs e os abacaxis!

Paleta assada em forno baixo e a abóbora… Acabei infelizmente não fotografando as maçãs e os abacaxis!

No fim, o auge do brinde. Veuve Clicquot, a popular viúva. Discursos emocionados, algumas lágrimas, mas muita alegria. O grupo se conhece há muito tempo e comemorava 10 anos de confraria. Torta, trufas, pão de mel e um Porto para acompanhar.

A torta dos 10 anos da confraria rodeada pelas estrelas... Grandes rótulos em uma grande tarde..

A torta dos 10 anos da confraria rodeada pelas estrelas… Grandes rótulos em uma grande tarde..

Coroou uma tarde maravilhosa que terminou desse jeito aí ó. Em função do bullying, tive de forçar um pedido de noivado antecipado! Mas nada que não faça parte dos planos futuros. Só que da próxima vez ela vai poder ficar com a aliança e não terá de devolver para a dona! Saúde e até amanhã!

No fim o bullying foi tanto que saiu o pedido de noivado com uma aliança emprestada!

No fim o bullying foi tanto que saiu o pedido de noivado com uma aliança emprestada!

São Salvador… Choro, comida e bebida em um programa perfeito para os domingos..

“Até que alguma luz acenda, este meu canto continua
Junto meu canto a cada pranto, a cada choro,
Até que alguém me faça coro pra cantar na rua”

Chico Buarque cantou esses versos em “Um Chorinho”. A canção sofrida combina com a dica do fim de semana apenas no nome. Isso porque poucos programas na cidade hoje em dia me deixam tão alegres quanto o chorinho na feirinha de domingo na Praça São Salvador, em Laranjeiras. Esqueça a praia, luta por vaga, areia quente… Na praça, além da música de qualidade, tocada em uma roda ao lado do coreto que em certos momentos pode conter mais de 30 músicos ao mesmo tempo, você pode experimentar inúmeros quitutes, fazer refeições substanciosas ou apenas ficar nos drinks e na cervejinha. Perfeito para crianças, adultos, jovens… Não há padrão algum no público. Para as mulheres, muitas barracas de roupas e objetos de decoração. Já a gente faz o que mais gosta mesmo: come e bebe.

Crianças, idosos, jovens... Não tem qualquer padrão.. O público de domingo da São Salvador é o mais eclético possível

Crianças, idosos, jovens… Não tem qualquer padrão.. O público de domingo da São Salvador é o mais eclético possível

Para abrir os trabalhos, a barraca mais famosa e badalada é a do Luizinho. Suas caipis, que podem ser feitas com cachaça, vodka ou sakê, vendem que nem água. Tangerina com gengibre e frutas vermelhas são as mais procuradas. os preços variam em função da bebida e do rótulo. Batidas fazem parte do menu, que conta também com cervejas geladas. Lata de Bohemia por R$4 ou long neck da mexicana Sol com limão no gargalo por R$ 5. Quer comprar CD? Tem inúmeros por lá, mas com preços não muito convidativos. O amigo Moacyr Luz costuma brincar e dizer que ele é o único no país que ganha dinheiro com venda de discos. Acho que a brincadeira tem um fundo de verdade.

Sempre com fila e muito movimento, a equipe do Luizinho (ali ao fundo) faz caipis variados, vendem cerveja e CDs..

Sempre com fila e muito movimento, a equipe do Luizinho (ali ao fundo) faz caipis variados, vendem cerveja e CDs..

Os que não conhecem o já folclórico Luizinho se preparem: na hora de comprar o ticket é normal a demora, afinal de contas ele gosta de contar piadas e explicar cada detalhe de cada CD. E aí se forma a fila. Mas relaxa, é tradição e você está ali para esquecer os problemas.

Não quer encarar ou prefere fugir das anedotas? Vá para as adjacências. Na antiga Adega da Praça, você compra long necks de Heineken por R$ 3,50 ou Stella por R$ 4. Latinha de Budweiser sai a R$ 10 na compra de três. Se quiser sentar, Brahma e Antartica de 600ml acompanham o pastel ou o copinho de torresmo. Na Rua Senador Correia, um acanhado café vende rótulos importados e nacionais também. Infelizmente não fiz foto, mas prometo citar futuramente por aqui. Até Cerpa Tijuca você bebe por lá sempre com boa música. Mas voltemos para a praça, assunto da nossa conversa.

A música é de muita qualidade.. Muitos instrumentos e todos em harmonia promovendo uma roda de choro de qualidade..

A música é de muita qualidade.. Muitos instrumentos e todos em harmonia promovendo uma roda de choro de qualidade..

Imagino que a essa hora já tenha batido uma fome. Para iniciar os trabalhos, próximo ao chafariz uma barraquinha vende bolinhos de aipim maravilhosos. Se não achar relaxa, bate um papo e escuta o choro. Ela vai passar com uma cesta na mão oferecendo. Os recheios são três: camarão, carne seca e o meu favorito: escarola com gorgonzola. A massa poderia ser mais leve sim, mas o conjunto é saboroso e funciona muito bem. O preço da unidade é R$ 3,50, e na barraca ela ainda vende queijos e geleias.

Também por lá você encontra belos bolinhos de aipim com recheios variados... Foca no de escarola com gorgonzola.. Delícia..

Também por lá você encontra belos bolinhos de aipim com recheios variados… Foca no de escarola com gorgonzola.. Delícia..

Não vou citar todas as opções… Passaria o dia inteiro escrevendo. Temos quibes de forno, empadas (também ali por perto… a mexicana é ótima para quem curte pimenta), quiches… Uma barraca de outra senhora simpática ainda vende pimentas, geléia de pimenta e tomate seco caseiro… Tudo muito gostoso, acho que por R$ 10 o pote. As crianças ainda podem se deliciar com pipoca e o tradicional Picolé Rochinha.

Barraca do clássico picolé Rochinha... Perfeito para refrescar as crianças...

Barraca do clássico picolé Rochinha… Perfeito para refrescar as crianças…

Vamos então para a sustância! Agora vocês vão entender porque cheguei ao Lamas com pouca fome. As opções são muitas, mas neste caso vou destacar apenas o Point dos Caldos. Localizado mais afastado do choro, próximo aos Bombeiros, a barraca serve delícias a preços mais do que convidativos e com a simpatia da Rai, a elétrica cozinheira de mão cheia que comanda a barraca. Entre os caldos, feijão, batata com bacalhau e abóbora. Sempre gostosos. Os preços variam entre R$ 5 e R$ 10. Já nas refeições, língua, arroz de brócolis com bacalhau, dobradinha, estrogonofe..

Quem comanda a bagunça é a simpática e elétrica Rai (diminutivo de Raimunda).. As delícias saem das suas mãos!

Quem comanda a bagunça é a simpática e elétrica Rai (diminutivo de Raimunda).. As delícias saem das suas mãos!

Mas nada para mim supera a rabada. E aqui é tradicional mesmo. É muito legal poder comer rabadas chiques que já vem desfiada, mas no Point dos Caldos é a moda antiga. Caldo bem temperado, untuoso e que casa perfeitamente com a polenta. IncrívelVocê está na praça! Mete a mão mesmo e tira todos os pedacinhos que ficam no osso, como manda o figurino.

Agrião fresco na rabada quente e clássica do Point dos Caldos.. Sempre bem temperada, macia e com um caldo maravilhoso..

Agrião fresco na rabada quente e clássica do Point dos Caldos.. Sempre bem temperada, macia e com um caldo maravilhoso..

A digestão você faz andando por ali mesmo. O choro termina entre 14h e 15h. Ou seja, dá para sair de lá e ainda encarar um almoço de domingo. E como disse Chico lá em cima, façamos coro e vamos cantar na rua! Um abraço!

¡Venga!: altos e baixos em uma noite de muitas risadas com Chico Torcedor

Noite de terça-feira e estávamos eu e o amigo Francisco Rezende, o popular Chico Torcedor, caminhando pelas ruas do Leblon sem saber onde sentar para comer algo e colocar o papo em dia. Amparado por uma muito satisfatória ida recente ao ¡Venga!, dei a sugestão e lá fomos nós para a pequena e sempre cheia casa de tapas espanholas na Rua Dias Ferreira. As risadas foram muitas, na mesma proporção dos acenos e provocações que o Torcedor dá e recebe das pessoas na rua. Já os pedidos não mantiveram o alto nível da minha experiência anterior. Alguns acabaram escorregando, mas não o suficiente para me fazer perder a vontade de retornar ao local, que também tem filial em Ipanema, em uma oportunidade futura.

Luminárias simpáticas descem do teto mantendo o clima intimista do pequeno salão do Venga.. Detalhe para o quadro negro..

Luminárias simpáticas descem do teto mantendo o clima intimista do pequeno salão do Venga.. Detalhe para o quadro negro..

O clima do ¡Venga! me agrada. Acho a decoração interessante e curto lugares em que você pode comprar o que é exposto para levar e fazer em casa. E isso acontece lá. Entre as opções estão desde arroz para Paella, passando por azeites e condimentos, cervejas e vinhos e terminando em sobremesas como torrone.

Nas estantes decorativas, todos os produtos expostos são vendidos para quem está jantando.. Acho isso uma prática muito legal..

Nas estantes decorativas, todos os produtos expostos são vendidos para quem está jantando.. Acho isso uma prática muito legal..

Mas vamos falar de comida. Existem tapas frias como a salada de bacalhau e feijão branco sempre muito gostosa. O pimentão piquillo também me agradou. Mas o Torcedor está longe de ser um fã destes pratos. Ao olhar as frituras arregalou os olhos. Então vamos a elas: as croquetas. A de jamón sempre gostosa e levinha vem repousada em um aioli suave que quebra na medida a picância do embutido. Já a intitulada Bomba não teve o mesmo sucesso. O recheio de carne picante estava seco demais prejudicando o conjunto.

Na esquerda vemos a Bomba.. Na direita a Croqueta de Jamon, esta sim muito gostosa.. Caiu bem com o Artero branco..

Na esquerda vemos a Bomba.. Na direita a Croqueta de Jamon, esta sim muito gostosa.. Caiu bem com o Artero branco geladinho, apesar de não ser a harmonização perfeita..

Em seguida fomos ao tiro certo, para mim o melhor prato da casa: o Huevo Loco. Trata-se de um parmentier de batata extremamente cremoso coroado por cubos de chorizo picante e um ovo poché com a gema no ponto certo para escorrer pelos demais componentes. Nunca veio errado e é coisa de maluco mesmo. Acharam uma fórmula perfeita. Torradinhas acompanham.

O ponto alto da noite: Huevo Loco... Perdão pela foto que não contemplou o prato todo, mas foquei nessa gema deliciosa...

O ponto alto da noite: Huevo Loco… Perdão pela foto que não contemplou o prato todo, mas foquei nessa gema deliciosa…

Demos continuidade com um prato chamado Salteado de Setas. Cogumelos frescos refogados e também coroados por um ovo poché. Eu falei no último post que era viciado em pratos que colocam o ovo como estrela, não falei? Pois é. Este acabou se mostrando inconstante. Na primeira noite estava delcioso. Nesta não. Cogumelos mal cozidos, composição extremamente sem tempero e o molho ralo. Nem a gema deu a cremosidade necessária. Uma pena.

Bonito, mas decepcionou desta vez... Nem a gema deu a cremosidade necessária a esse molho...

Bonito, mas decepcionou desta vez… Nem a gema deu a cremosidade necessária a esse molho…

Por fim comemos um prato chamado Falso Risoto (já tinha avisado que também era vício, não?). Feito com massa Orzo ao invés de arroz, acabou se tornando mais uma decepção. Primeiro porque qualquer risoto, seja ele falso ou não, deve ser cremoso. Não foi o caso. Estava seco demais. O sabor só se salvou por causa do jamón picado utilizado na preparação e da fatia dele crocante que atravessa o prato conferindo ao menos uma boa textura.

Pela foto você já tem a nítida impressão de como o falso risoto estava seco... Ao menos a fatia de jamon deu uma boa textura...

Pela foto você já tem a nítida impressão de como o falso risoto estava seco… Ao menos a fatia de jamon deu uma boa textura…

Como Chico resolveu ficar na Coca Cola, mantive a prudência e bebi vinhos em taça. Sendo assim não fugi do básico. Artero branco e rosé para aplacar o calor. No fim, não resisti e provei um tinto espanhol chamado Abadal 2009, 60% Cabernet Franc 40% Tempranillo. Interessante, mas certamente não é a melhor opção da carta enxuta, mas muito correta em rótulos e valores. O preço das taças variou entre R$14 e R$ 18.

Satisfeitos, veio a hora da conta. Para quem não conhece, o Torcedor tem algumas manias. Sempre com bom humor, consegue criar situações inusitadas com facilidade absurda. A mais nova delas é presentear o garçom com uma raspadinha. Segundo Chico, dependendo da sorte, ele pode ganhar muito mais do que os 10%, o que não deixa de ser verdade. O nosso não conseguia parar de rir e, no fim das contas, estava um pouco iluminado ao ganhar R$2. Ah! A conta? Esta noite saiu por R$ 160, ressaltando que a estrela da TV repetiu três vezes a croqueta. Não é barato, mas costuma valer. Nesse dia demos azar, mas ao menos garanti boas risadas.

E nosso amigo Torcedor conseguiu deixar o garçom dois reais mais rico.. Ele disse que usaria o dinheiro para jogar na mega.. Se ganhar nos daria um presente.. Veremos!

E nosso amigo Torcedor conseguiu deixar o garçom dois reais mais rico.. Ele disse que usaria o dinheiro para jogar na mega.. Se ganhar nos daria um presente.. Veremos!

Outras sugestões do ¡Venga!

Voltando à primeira noite, esta infelizmente sem foos, alguns pratos diferentes foram pedidos. O polvo com páprica e batatas agrada bastante a quem gosta. Não é meu caso, da mesma maneira as lulas crocantes. Neste dia, por sinal, o vinho ficou de lado e bebemos Estrella Damm Inedit, bela cerveja desenvolvida por Ferran Adriá. Custa R$ 39 a garrafa de 750ml e vale a investida.

Outra sugestão agradável fica na parte das sobremesas. Pedimos uma mousse de chocolate que vem com azeite e flor de sal. Não curti a inovação do azeite. Achei que ficou perdido e fora de contexto. Já a flor de sal calhou perfeitamente. Gosto dessa saída que serve para quebrar o doce. Infelizmente não fiz fotos nesse dia. Um motivo para os amigos irem até lá conferir!

¡Venga! Leblon
– Rua Dias Ferreira, 113 – loja B, Leblon, Rio de Janeiro – RJ – (21) 2512-9826
Horário: Seg, a partir das 18h; de ter a dom, a partir do meio-dia. Funciona até o último cliente.
¡Venga! Ipanema
– Rua Garcia D’Ávila, 147 – loja B, Ipanema, Rio de Janeiro – RJ – (21) 2247-0234
Horário: Seg a quar, do meio-dia à meia-noite; qui e sex, do meio-dia à 1h; sáb, das 9h à 1h; dom, das 9h à meia-noite
Obs: Desculpe pela qualidade das fotos, mas essas fiz no iPhone..

O ovo mexido perfeito.. Uma adaptação de Gordon Ramsay!

Ovos… Está aí algo que sou completamente viciado. Tem coisa melhor do que começar o dia com um belo ovo? Frito, pochê, quente ou mexido. De qualquer jeito ele me arrebata. Quando vou a algum restaurante e vejo pratos com ovos no cardápio fatalmente acabo pedindo para experimentar. No Venga! existem duas receitas maravilhosas que colocam o ovo como a estrela principal. Uma receita que é fácil encontrar com suas variantes é a cocotte clássica com aquele purê de batatas levinho, aspargos, um ovo com a gema mole, pimenta do reino e um toque de azeite trufado. Isso é uma maravilha e prometo um dia tentar fazer em casa e dividir com vocês.

Detalhe bem de perto do nosso ovo acompanhado agora de uma torradinha... Uma dupla perfeita!

Detalhe bem de perto do nosso ovo acompanhado agora de uma torradinha… Uma dupla perfeita!

Enquanto esse dia não chega, vou compartilhar aqui uma maneira de você transformar um simples ovo mexido em algo inesquecível. Meu sonho era poder dizer para vocês que isso foi criação minha. Mas não é o caso. A gastronomia por enquanto é por esporte. Se um dia virar profissão posso ter ideias como essa. O criador dessa maravilha é Gordon Ramsay, o chef celebridade inglês que estrela diversos programas de televisão dos quais sou fã incondicional.

É bom deixar tudo separado antes de começar.. Ovos orgânicos, grana padano, ciboulete, manteiga e paciência!

É bom deixar tudo separado antes de começar.. Ovos orgânicos, grana padano, ciboulete, manteiga e paciência!

Vi esta receita em um deles e resolvi copiar. Para quem não viu, vale a tentativa. O primeiro passo é comprar ovos orgânicos. A diferença é absurda e eu recomendo muito. Pegue a frigideira em temperatura ambiente, coloque dois ovos, uma boa colher de manteiga e coloque em fogo muito baixo. Vá mexendo sem parar. É importante não temperar com nada! Quando começar a cozinhar, tire do fogo para a temperatura não ficar muito alta e sempre mexendo sem parar. Em seguida volte novamente ao fogo e por aí vai.

Antes mesmo de ligar o fogo, os ovos inteiros com a manteoga gelada e sem qualquer tipo de tempero

Antes mesmo de ligar o fogo, os ovos inteiros com a manteiga gelada e sem qualquer tipo de tempero

A ideia é tratar os ovos como um risoto: sempre mexendo e com temperatura controlada. Isso o deixa incrivelmente macio e cremoso. Lembrando que o tempero, sal e pimenta do reino, só é colocado depois de pronto. O Gordon sugere umas colheradas de creme de leite fresco. Eu dispenso. Nem leite, algo comum em ovos mexidos, costumo colocar. Se você fizer com paciência, o próprio ovo gera a cremosidade. Na primeira foto você vê o ponto que eu curto: não tão cozido, mas longe de estar cru.

Começou.. Depois de começar a mexer não se pode mais parar... Literalmente tratando o ovo como risoto!

Começou.. Depois de começar a mexer não se pode mais parar… Literalmente tratando o ovo como risoto!

Comer assim já está maravilhoso. Mas por que não dar aquele upgrade e transformá-lo em algo verdadeiramente gourmet? Eu sugiro ciboulete cortada fina (coloco porque tenho na minha horta, mas pode ser cebolinha normal), um toque de flor de sal, pimenta e lascas de grana padano. Aí, amigos, é comer e chorar! Tenha a certeza de que sua manhã será em outro nível e alegre a ponto de você encarar seu dia com um belo sorriso! Um abraço e obrigado pelos comentários! Sempre vale dizer, qualquer dúvida joga no email gastronomiaporesporte@gmail.com. Até!

Raspas do grana por cima, flor de sal, pimenta do reino e a nossa ciboulete... Seu café mais do que gourmet está pronto!

Outra visão do nosso ovo gourmet.. Raspas do grana por cima, flor de sal, pimenta do reino e a nossa ciboulete… Seu café mais do que gourmet está pronto!

Café Lamas: 138 anos de tradição com mesmo sabor, mas porções menores e preços assustadores

Logo quando você entra pelo balcão de lanchonete, passa pelas janelas que dão para a extremamente movimentada cozinha rumo ao fechado salão do Lamas, uma placa aponta com números que são sempre atualizados: 138 anos de tradição. De fato o restaurante fundado em 1874 é uma instituição do Rio de Janeiro. Historicamente, era agradável ir ao Lamas por três motivos: boa comida, bons preços e porções fartas. Infelizmente, hoje em dia apenas o primeiro item, sim, o mais importante, permanece. Continua sendo gostoso comer por lá, mas agora os preços subiram e muito enquanto tudo diminuiu, principalmente as sempre bem feitas porções de carne.

O sinal mostra que se trata de pura tradição... Já são 138 anos no mesmo lugar o que colocam o Lamas como uma instituição do Rio...

O sinal mostra que se trata de pura tradição… Já são 138 anos no mesmo lugar o que colocam o Lamas como uma instituição do Rio…

Chegamos lá no início de tarde do último domingo. Éramos três e pedimos um mignon à Oswaldo Aranha. O garçom, simpático no mega vintage terno branco, alertou que os tempos eram outros e que a carne seria pouca. Mas resolvemos arriscar acreditamos que encontraríamos algo parecido com antigamente e apostando também na minha pouca fome após um belo café da manhã caseiro. E ele tinha razão. O mignon diminuiu e muito! E o preço, aumentou. Acompanhando batatas portuguesas, crocantes e no ponto ideal, farofa de bacon, extremamente seca e com pouco sabor, e alho crocante, este sim em abundância, custa assustadores R$ 86.

Meio filé mignon... Como pode ser visto, o ponto da carne estava perfeito.. Realmente um bife suculento, mas o tamanho diminuto faz o preço soar como absurdo

Meio filé mignon… Como pode ser visto, o ponto da carne estava perfeito.. Realmente um bife suculento, mas o tamanho diminuto faz o preço soar como absurdo

O ponto estava perfeito: muito bem selado por fora, rosa e suculento por dentro. Mas honestamente, na minha visão, é caro demais pelo que foi servido. Acabou nos satisfazendo porque realmente o trio estava com pouca fome. Mas caso contrário seria necessário complementar com no mínimo um mignon simples. O contra-filé que vi na mesa ao lado vem um pouco maior, mas com um preço igualmente alto. No fim, a conta saiu R$ 40  por pessoa incluindo dois chopes, estes sim bem tirados, um suco, um mate e um caldinho de feijão apenas bom.

A cozinha é funcional e os pedidos voam... Repare no tamanho cada vez menor das peças de carne, principalmente do mignon...

A cozinha é funcional e os pedidos voam… Repare no tamanho cada vez menor das peças de carne, principalmente do mignon…

Para um simples chope, opção ainda é válida. E agora com modernidade!

Apesar de tudo, o Lamas é um lugar do qual sempre gostei. Em vários momentos tornou-se um refúgio após os plantões para tomar um chope. Nesse caso a visita é sempre válida e seu custo será com certeza infinitamente menor, até porque a tulipa gelada sai por R$ 3 depois das 18h. Um milanesa simples cortado a francesa com mostarda  escura é um delicioso acompanhamento para uma boa resenha neste local que já foi a segunda casa de uma geração de jornalistas e intelectuais. Mas nem só de tradição vive o atual Lamas.

Disso não se pode reclamar... Chope Brahma delicioso, bem tirado e com preço justo.. Depois das 18h então! Essa beleza sai por R$ 3!

Disso não se pode reclamar… Chope Brahma delicioso, bem tirado e com preço justo.. Depois das 18h então! Essa beleza sai por R$ 3!

No meio do salão sem janelas, com mesas e cadeiras de madeira antiga cobertas pela lona personalizada e pelo pano branco, surge uma geladeira com uma boa variedade de cervejas artesanais brasileiras além de rótulos estrangeiros. Até a Simon Pils, uma Lager de Luxemburgo que vem em uma bonita garrafa, você encontra por lá. Algo até bem pouco tempo impensável para um restaurante com tantos anos de tradição.

Cervejas artesanais brasileiras e tradicionais importadas agora fazem parte da decoração do salão e da realidade do Lamas..

Cervejas artesanais brasileiras e tradicionais importadas agora fazem parte da decoração do salão e da realidade do Lamas..

Resumindo, não consigo ignorar o Lamas. Gosto do clima e do ambiente. O salão fechado tem seu charme, mesmo sendo meio claustrofóbico. Acho divertido pegar o cardápio e ver ao lado dos tradicionais mignons, línguas e iscas de fígado, sugestões como gemadas, mingaus e torradas Petrópolis, além de porções de molho acebolado. Mas vai demorar alguns anos para eu voltar, sentar e almoçar.

Tradicional salão agora conta com televisões de plasma e segue com espelhos que servem como "janelas". Domingo o movimento é sempre intenso

Tradicional salão agora conta com televisões de plasma e segue com espelhos que servem como “janelas”. Domingo o movimento é sempre intenso

– Rua Marquês de Abrantes, 18, Flamengo, Rio de Janeiro – RJ – (21) 2556-0799 / (21) 2556-0229
Horário: Diariamente, das 9h30m às 3h